Colaborações:, Língua, O levantador de minas

Teresa Barro: «Un galego ríxido e acartoado, como unha tradución mal feita do castelán»

Teresa Barro PardoTeresa Barro: «[…] Cando os escritores do século XIX como Rosalia decidiron escreber e resucitar unha língua que estaba abandonada, perdida ou desprezada como o galego, fixérono ¨de ouvido¨, porque non había tradición escrita da língua, e inventaron unha grafía que mais ou menos respondía ao que eles escoitaban no galego falado. Daí o ¨unha¨, en vez do ¨una¨ do castelán, para reflectir o son nasal que ten o galego, e daí as equis e os apóstrofos para reflectir sons que non ten o castelán. Se os escritores fosen conscientes e coñecedores do portugués, posivelmente terían optado por escreber con grafía portuguesa, mas, polo alonxamento histórico entre Portugal e Galiza que se produciu a partires da independenza de Portugal, eran tan poucos os vínculos có país veciño que iso non sucedeu, e empezou unha tradición, que segue hoxe, de inventar como se escrebe o galego. E cando o idioma galego se oficializou, non se quixo admitir a historia verdadeira da língua e, transformada en arma política e símbolo da nazón, ¨a língua de Galicia¨ apresentouse como se tivese nacido nun manancial na propia Galicia desde o comezo do mundo en lugar de ter saído do latín como o castelán, o francés e o catalán, e como se non tivese que ver con nengunha outra, e menos que nengunha có portugués. Nun contexto politizado e de comparación continua e pouco acertada có catalán, botóuselle a culpa ao franquismo dunha perda da língua que empezara moitos séculos atrás e tapouse a realidade por xulgala vergoñenta e sinal ¨de non sermos capaces de defender a nosa língua como fan os cataláns¨, cando era o mais natural do mundo e o que tería sucedido en calquer país nas mesmas circunstancias. Iso tivo como resultado un galego ríxido e acartoado, sen vida, e que é como unha tradución mal feita do castelán […]».

{Ler mais em “A historia do galego”, Desde Albión para Galiza}

Nota: Teresa Barro é colaboradora habitual da Palavra Comum.

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O mal sempre espreita

“O mal sempre espreita” é uma fotografia de Alfredo Ferreiro tirada em Arteijo (Praia da Ucha) em 2016.

{Palavra Comum}

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Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Fotografia, Objetos mutantes

O mal sempre espreita

“O mal sempre espreita” é uma fotografia de Alfredo Ferreiro tirada em Arteijo (Praia da Ucha) em 2016.

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Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Jornalismo, Língua, Sistema literário

Os desígnios da Corte

Galicia ConfidencialMaría Xesús Pato já é numerária da Real Academia Galega, o que implica ter prestado homenagem simbólica à monarquia espanhola. Lá vai uma intelectual galeguista, esquerdista, feminista e se calhar independentista absorvida polo sistema espanholizante do Estado. Lembro ter pensado antes algo similar aquando da entrada de Manuel Rivas: “Será mais um espírito galeguista e contestatário assolagado nas marismas do Sistema?”. E que podemos lembrar do affaire Ferrín, outrora símbolo vivo da atitude nacionalista mais rebelde e comprometida, que houvo de abandonar a madrigueira da espanholeira instituição arreganhando os dentes depois de ter sido acusado (explicita ou implicitamente) de beneficiar familiares com postos de trabalho, retribuição indevida e choferismo burguês?

Alfredo Ferreiro por ele próprioTenho para mim que o Sistema espanhol, a respeito destes e doutros elementos muito valiosos em multidão de aspetos artísticos e intelectuais, esfrega as mãos ao comprovar o poder atraente das atalaias institucionais que perpetuam seu poder. Escritores e escritoras, por sua parte, olham para o lado enquanto reconhecem suas debilidades de simples mortais e rogam o indulto a quem nalgum momento pensou que podiam ser heroínas.

Mas voltemos ao nomeamento recente da RAG: havia outra candidata, com mais anos, mais obra e certamente não menos feminismo às costas que ficou mais um ano abandonada na berma da autoestrada académica: María Xosé Queizán. Porque? Será que a sua atitude — atrevamo-nos a dizê-lo tudo — rigorosamente crítica com a chamada de “normativa oficial” do galego, nascida duma sorte de golpe de estado na RAG acontecido na década de 80, pudo impedir seu ascenso a esse “panteão dos vivos”. Chegados cá, não vamos restar méritos à tão reconhecida Chus Pato, mas é evidente que os méritos que o sistema vê não são aqueles para nós mais prezados.

Dirão alguns académicos que as decisões e as atividades da RAG não são sempre de seu gosto, e que os resultados do seu esforço são governados por uma fórmula por vezes injusta ou errada (cfr. homenagem ao franquista Filgueira Valverde). No entanto, como o pão dos mesmos não depende de tal vínculo institucional, por virtude do mesmo são responsáveis sem atenuantes pola espanholidade que emana, o elitismo burguês que desprende e o carácter antidemocrático que como clube representa.

Pode que quando a RAG nasceu fosse o tobo necessário de uma primária política galeguista, que mesmo a sua sobrevivência durante a ditadura fosse conveniente, mas depois de quarenta anos de castigadora pseudodemocracia é mais um baluarte do Ancien regime espanhol que debilita a nossa mais independente energia social. E nada tem a ver com aquilo que um espírito democrático e moderno -que antiga palavra!- pode hoje defender à hora de construir o futuro do país.

{Galicia Confidencial}

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Arquitetura vegetal por Alfredo Ferreiro

{Palavra comum}

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Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Fotografia, Objetos mutantes

Arquitetura vegetal

Arquitetura vegetal é uma fotografia de Alfredo Ferreiro (Arteijo, 2016).

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Leonard Cohen fotografia: Excerto da página oficial www.leonardcohen.com
Colaborações:, Música, Poesia, Tati Mancebo

So long, Leonard

Tudo começa com a necessidade

Eu necessitei-te para escrever poesia, para cantar, para pensar, para sentir, para compreender que a verdade pode usar roupas singelas.

Escrevi esta canção há aproximadamente um mês. Registei a melodia diretamente, sem pensar; a letra também saiu só. Queria que soasse a ti e utilizar fragmentos das tuas canções para devolver-che algo de tudo o que me deras ao longo dos 32 anos que há que te conheço.

Gravei esta humilde versão com o telemóvel para começar a trabalhá-la com o amigo Tito Calviño e Nacho Pedrosa, o meu professor de percussão, com a ideia de convidar mais amigas músicas e mandar-cha logo. Com a tua morte o projeto já não faz sentido para mim. Mas a canção existe e para mim serviu.

Quando soube que morreras pensei que tinhas sido um homem afortunado a quem, com certeza, a vida oferecera oportunidades de viver em paz. Nesse momento comecei a receber mensagens de amigas que se lembraram de mim ao conhecer a notícia e emocionei-me muito.

A paz seja contigo, Leonard Cohen. A mim já me ajudaste a senti-la um pouco mais próxima.

Letra, música, guitarra e vozes: Táti Mancebo.

*

NOT SO HARD

It’s been so many years since I heard your song begin
It’s been so many maps that I sailed since in the dark
There were heroes in the seaweed across the days we’d save for life
There are chocolates in the boxes for our sisters in the night
There’ll be voices with the naked when we choose the precious few
My future will be your present, I am only passing through.

It’s been an easy trip as I felt you were with me
It’s been like running hard when your voice would fall apart
There were heroes in the seaweed across the days we’d save for life
There are chocolates in the boxes for our sisters in the night
There’ll be voices with the naked when we choose the precious few
Steer your way, get ready, wear a raincoat, dress in blue.

You know my fingerprints left no traces on your skin
I feel they’re growing fast when your song is good enough
There were heroes in the seaweed across the days we’d save for life
There are chocolates in the boxes for our sisters in the night
There’ll be no one, there’ll be nothing, there’ll be never any good
Now I know that I’m returning, I’m just coming back to you.

*

Tradução: NÃO TÃO DURO

Há tantos anos que escutei começar a tua canção
Há tantos mapas que comecei a navegar na escuridão
Havia heróis nas algas, através dos dias que gostaríamos de guardar para toda a vida
Há bombons nas caixas para as nossas irmãs na noite
Haverá vozes com as despidas quando escolhermos as mais valiosas
O meu futuro será o teu presente, eu simplesmente estou de passagem

Foi uma suave viagem desde que te senti comigo
Foi como correr a mil quando a tua voz desapareceu
Havia heróis nas algas, através dos dias que guardaríamos para toda a vida
Há bombons nas caixas para as nossas irmãs na noite
Haverá vozes com as despidas quando escolhermos as mais valiosas
Anda o teu caminho, prepara-te, leva gabardina, viste de azul

Sabes que as minhas pegadas não deixaram rasto sobre a tua pele
Sinto que medram rápido quando a tua canção é boa
Havia heróis nas algas, através dos dias que gostaríamos de guardar para toda a vida
Há bombons nas caixas para as nossas irmãs na noite
Não haverá ninguém, não haverá nada, nunca nada bom
Agora sei que estou a voltar, estou a voltar a ti.

Fotografia: Excerto da página oficial.

{Palavra comum}

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Santiago Auserón Juan Perro e Fran Pérez Narf: homenaxe a Pepe Rubianes en Vilagarcía (1/2)
Alfredo Ferreiro, Bestiário cultural, Colaborações:, Fotografia, Música, Vídeos

Quedam poucos como Narf

Santiago Auserón Juan Perro e Fran Pérez Narf: homenaxe a Pepe Rubianes en Vilagarcía (2/2). Foto de Alfredo FerreiroPenso que poucos restam como ele, com tanto talento, tanta multidisciplinaridade e com tamanho espírito tribalista. Gostava nos últimos tempos, em que tantas atitudes reacionárias semelham querer impedir o progresso individualizado do país (a direita, como sempre) e até não deixar-nos evoluir (a esquerda) para as novas fórmulas que o iminente futuro reclama, de imaginar que uns dos capitães induvidáveis do necessário Tempo Novo havia de ser o Fran Pérez ‘Narf’. Agora só poderemos contar com a sua permanente presença nos nossos corações. É uma dura lição que devemos apreender: que o tempo foge e que é preciso aproveitá-lo enquanto os nossos irmãos permanecem ao nosso lado. Logo tudo pode ser bem mais difícil.

Trago para aqui estas fotos tiradas em 2009 aquando da homenagem ao Pepe Rubianes, aonde nos coubo a honra de apresentar-lhe o Santiago Auserón, artista que já nunca deixou de valorizá-lo, como podereis ver nos vídeos que ofereço a seguir. Do último disco com a Uxia, Baladas da Galiza imaxinaria, o artista saragoçano opinava no verão de 2015 que havia de ser uma obra realmente marcante, não só na Galiza mas no panorama espanhol.

Naquele encontro de Vila-Garcia apresentamo-nos como admiradores seus, no que só acreditou quando lhe demonstramos que cantávamos de cor todas as canções que criara para Rio Bravo, do grupo de teatro Chévere, mais de vinte anos antes. “Quedan poucos coma el”, é certo, mas  com certeza a sua musa ha de nos guiar polo melhor caminho.

Fotos e vídeos: Alfredo Ferreiro.

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panorama_iniciativas_culturais_galegas_rede

(PDF)

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Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Coloquios

Panorama das iniciativas culturais galegas na rede

Jornada das iniciativas culturais galegas na rede

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