Lusofonía X: Ramiro Fonte

Camilo Castelo Branco, por Rui Sousa«A monumental e excesiva, grandiosa e irregular obra camiliana vale por toda unha literatura. ¡Que afortunada a portuguesa por poder contar con varios autores que, coa súa obra individual, enchen as obras de moitos! Hai anos que tiven esta intuición. A prosa de Camilo debe ser de lectura obrigatoria para calquera aprendiz de prosista en galego. ¡Grandes tempos aqueles cando os narradores lían! […]

Creo entender que Ramón Otero Pedrayo sabía que a renovación da prosa literaria galega se encontraba na lectura de autores portugueses que, como Camilo Castelo Branco, crean un mundo estilístico e delimitan un espazo narrativo moi familiar a nós. Teño a oportunidade de comprobalo cando estas semanas gozo coa lectura das novelas do Miño. Paréceme que estou lendo a certo Valle Inclán, a certo Otero e, como non, ó xenuino Camilo. […] Pero para comprendermos a influencia de Castelo Branco na obra dos vellos mestres da prosa literaria galega non hai máis que debullar unha mostra significativa de títulos entre os varios centos publicados polo autor: O cego de Landim, A morgada de Romariz, O olho de vidro, O lobisomem… ¿A que che soan estes títulos, amable lector, non afectado polo mal da hipocrisía? ¿A que che soan, mercenario teórico?» (Ramiro Fonte, in “Camiliana”, ANT, nº 1243, 2006)

Quen se asombra xa de que os que se anuncien como narradores non lean? É o sinal dos tempos, en que o que se esforza é apresentado como o que máis perde o tempo de todos, o menos eficaz. Hai poucos días un dos nosos poetas máis recoñecidos me relataba o caso dun (ou dunha) poeta que tiña recoñecido aos medios a súa falta de interese pola lectura de poesía. Outros casos, tamén asombrosos para min, hai en que narradores din non percibir o sentido da poesía. Será que a sensibilidade literaria está neste caso hiperespecializada por xéneros? Non podo crer que nos nosos procesos mentais a taxonomía dos xéneros literarios sexa anterior á sensibilidade artística. Prefiro pensar que non se explicaron ben, ou que eu percibín mal as súas afirmacións. Ou será que o talento non se valora pola ausencia de criterio dos poderes que dirixen o sistema literario, favorecendo a ocultación dos verdadeiros valores? De calquera modo, penso que as grandes obras neste país teñen espazo para florecer no xardín comunal para desfrute de todos. E algunha, felizmente, até chega ás miñas mans.

Canto á importancia da tradición literaria portuguesa como apoio fundamental alén da nosa propia producción (renacemento, neoclasicismo, vangardismo), lembro que hai uns anos Claudio Rodríguez Fer falaba de tres perspectivas creadoras diferentes entre os escritores galegos: a) os que se ven fundamentalmente alimentados pola literatura en castelán; b) os que, coñecendo a primeira, se apoian na literatura portuguesa para enriquecerse cunha tradición literaria que consideran máis asumíbel; c) os que, sen seguir aquela nin esta tendencia, optan (para el máis acertadamente) por aproximarse ás literaturas célticas co fin de favorecer unha óptica creativa independente a respecto das dúas literaturas veciñas. Xa daquela me preguntei se propuña ler en gaélico as sagas célticas e se entendía que esa experiencia enriquecería a lingua literaria dun autor galego; ou se propuña lelas en castelán, ou en portugués. Ou talvez unha “boa tradución” ao galego desde o castelán ou desde o francés. Desde logo, a pouco que se entenda haberá de recoñecerse que a poesía e a narrativa non só son o desenvolvemento de contidos, o seu valor emocional e a súa disposición na liña discursiva. É fundamental o fornecemento dunha lingua literaria de calidade, propia desde logo, que debe ser alimentada nos mellores tetos dunha rica tradición. Na música das palabras e dos enunciados, nas cores dos conceptos, nas emocións que vehiculan os fonemas, aí toca neste texto Ramiro Fonte, aí.

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21 comments to Lusofonía X: Ramiro Fonte

  • Sr. Rui Sousa:
    Reconheço a minha falta e peço-lhe desculpas publicamente. Os andares e os apanhares na rede são muito fáceis, mas não por isso devemos deixar de reconhecer aos autores o seu mérito. Agraceço imenso que me permita utilizar os seus desenhos, que muito estimo e que recomendo a todos desfrutem no seu fantástico blogue.

  • Sr. Rui Sousa:
    Reconheço a minha falta e peço-lhe desculpas publicamente. Os andares e os apanhares na rede são muito fáceis, mas não por isso devemos deixar de reconhecer aos autores o seu mérito. Agraceço imenso que me permita utilizar os seus desenhos, que muito estimo e que recomendo a todos desfrutem no seu fantástico blogue.

  • Sr. Rui Sousa:
    Reconheço a minha falta e peço-lhe desculpas publicamente. Os andares e os apanhares na rede são muito fáceis, mas não por isso devemos deixar de reconhecer aos autores o seu mérito. Agraceço imenso que me permita utilizar os seus desenhos, que muito estimo e que recomendo a todos desfrutem no seu fantástico blogue.

  • Sr. Rui Sousa:
    Reconheço a minha falta e peço-lhe desculpas publicamente. Os andares e os apanhares na rede são muito fáceis, mas não por isso devemos deixar de reconhecer aos autores o seu mérito. Agraceço imenso que me permita utilizar os seus desenhos, que muito estimo e que recomendo a todos desfrutem no seu fantástico blogue.

  • Rui Sousa

    Fico contente por ter utilizado um desenho meu para ilustrar o seu artigo… no entanto, espero que se voltar a utilizar outro desenho meu, no mínimo, me comunique do facto – é que todos os desenhos que faço dão-me muito trabalho e, se gosto de os ver a serem utilizados e por vezes admirados, gosto também que me agradeçam pelo trabalho que tive.
    Apesar de tudo, parabéns pelo blog.
    Rui Sousa – Minho – Portugal

  • Rui Sousa

    Fico contente por ter utilizado um desenho meu para ilustrar o seu artigo… no entanto, espero que se voltar a utilizar outro desenho meu, no mínimo, me comunique do facto – é que todos os desenhos que faço dão-me muito trabalho e, se gosto de os ver a serem utilizados e por vezes admirados, gosto também que me agradeçam pelo trabalho que tive.
    Apesar de tudo, parabéns pelo blog.
    Rui Sousa – Minho – Portugal

  • Rui Sousa

    Fico contente por ter utilizado um desenho meu para ilustrar o seu artigo… no entanto, espero que se voltar a utilizar outro desenho meu, no mínimo, me comunique do facto – é que todos os desenhos que faço dão-me muito trabalho e, se gosto de os ver a serem utilizados e por vezes admirados, gosto também que me agradeçam pelo trabalho que tive.
    Apesar de tudo, parabéns pelo blog.
    Rui Sousa – Minho – Portugal

  • Rui Sousa

    Fico contente por ter utilizado um desenho meu para ilustrar o seu artigo… no entanto, espero que se voltar a utilizar outro desenho meu, no mínimo, me comunique do facto – é que todos os desenhos que faço dão-me muito trabalho e, se gosto de os ver a serem utilizados e por vezes admirados, gosto também que me agradeçam pelo trabalho que tive.
    Apesar de tudo, parabéns pelo blog.
    Rui Sousa – Minho – Portugal

  • Ernesto Vázquez

    De certo. Havia que diferenciar de uma vez as consequências dos actos políticos de Risco, a sua nefasta chefia do sector intelectual dos anos vinte e a sua fascinante prosa. Eu sou à vez mui anti-risquiano e mui gorentador da sua obra. Las tinieblas de Occidente, as pequenas prosas ao jeito do Xenius em El Miño, o pequeno relato A coutada, as mostras da sua correspondência, os brutais textos de Logos e Misión, a fascinante Historia de los Judios (melhor a 2a ed, dos 50, que na primeira de 1944 há uma espeluznante referência à admirada Alemanha nazista)

    Eu quando tenho tempo volvo a Risco e a Castelao (mais a Otero que com Valle Inclán são uma das minhas debilidades que se fai mais funda cos anos). Quanto mais sei de história e literatura não posso senão admirar a altura intelectual e remontada tradição que se comunica das suas prosas.

    E acho uma reveladora experiência ler entrefrebado com eles a Fernao Lopes, Mendes Pinto, Camilo e Eça, quanto a Gondomar, Sarmiento, Feijo, Vicetto, Murguía e Valle. Todos e desde que me lembro leitor competente parte da minha bagagem intelectual.

    Eu há muitos anos que sustenho que eles (e outros) entre os que incluir à Rosalia prosista (influenciada polo russo Mijail Lermotov e polos “malditos” franceses) estão mui para além das capacidades de leitura da maior parte dos críticos e estudiosos modernos.

    Bem já falaremos.

    Sobre o de Doyle:

    The New Revelation: or What is Spiritualsm, 1918 ; The Vital Message. 1921; The Wanderings of a Spiritualist.; – The Coming of the Fairies. 1922; The Spiritualist´s Reader. 1924 – The History of Spiritualism. (, 1926)- The Land of Mist. 1927.

    De algumas como a primeira e a última, há edições antigas em castelhano e português dos anos vinte e trinta do século anterior (penso que também da terceira), nessas edições populares e de avançada que são uma maravilha e uma surpresa mui por diante do que depois (especialmente na bárbara Espanha) se entendeu por literatura

  • Ernesto Vázquez

    De certo. Havia que diferenciar de uma vez as consequências dos actos políticos de Risco, a sua nefasta chefia do sector intelectual dos anos vinte e a sua fascinante prosa. Eu sou à vez mui anti-risquiano e mui gorentador da sua obra. Las tinieblas de Occidente, as pequenas prosas ao jeito do Xenius em El Miño, o pequeno relato A coutada, as mostras da sua correspondência, os brutais textos de Logos e Misión, a fascinante Historia de los Judios (melhor a 2a ed, dos 50, que na primeira de 1944 há uma espeluznante referência à admirada Alemanha nazista)

    Eu quando tenho tempo volvo a Risco e a Castelao (mais a Otero que com Valle Inclán são uma das minhas debilidades que se fai mais funda cos anos). Quanto mais sei de história e literatura não posso senão admirar a altura intelectual e remontada tradição que se comunica das suas prosas.

    E acho uma reveladora experiência ler entrefrebado com eles a Fernao Lopes, Mendes Pinto, Camilo e Eça, quanto a Gondomar, Sarmiento, Feijo, Vicetto, Murguía e Valle. Todos e desde que me lembro leitor competente parte da minha bagagem intelectual.

    Eu há muitos anos que sustenho que eles (e outros) entre os que incluir à Rosalia prosista (influenciada polo russo Mijail Lermotov e polos “malditos” franceses) estão mui para além das capacidades de leitura da maior parte dos críticos e estudiosos modernos.

    Bem já falaremos.

    Sobre o de Doyle:

    The New Revelation: or What is Spiritualsm, 1918 ; The Vital Message. 1921; The Wanderings of a Spiritualist.; – The Coming of the Fairies. 1922; The Spiritualist´s Reader. 1924 – The History of Spiritualism. (, 1926)- The Land of Mist. 1927.

    De algumas como a primeira e a última, há edições antigas em castelhano e português dos anos vinte e trinta do século anterior (penso que também da terceira), nessas edições populares e de avançada que são uma maravilha e uma surpresa mui por diante do que depois (especialmente na bárbara Espanha) se entendeu por literatura

  • Ernesto Vázquez

    De certo. Havia que diferenciar de uma vez as consequências dos actos políticos de Risco, a sua nefasta chefia do sector intelectual dos anos vinte e a sua fascinante prosa. Eu sou à vez mui anti-risquiano e mui gorentador da sua obra. Las tinieblas de Occidente, as pequenas prosas ao jeito do Xenius em El Miño, o pequeno relato A coutada, as mostras da sua correspondência, os brutais textos de Logos e Misión, a fascinante Historia de los Judios (melhor a 2a ed, dos 50, que na primeira de 1944 há uma espeluznante referência à admirada Alemanha nazista)

    Eu quando tenho tempo volvo a Risco e a Castelao (mais a Otero que com Valle Inclán são uma das minhas debilidades que se fai mais funda cos anos). Quanto mais sei de história e literatura não posso senão admirar a altura intelectual e remontada tradição que se comunica das suas prosas.

    E acho uma reveladora experiência ler entrefrebado com eles a Fernao Lopes, Mendes Pinto, Camilo e Eça, quanto a Gondomar, Sarmiento, Feijo, Vicetto, Murguía e Valle. Todos e desde que me lembro leitor competente parte da minha bagagem intelectual.

    Eu há muitos anos que sustenho que eles (e outros) entre os que incluir à Rosalia prosista (influenciada polo russo Mijail Lermotov e polos “malditos” franceses) estão mui para além das capacidades de leitura da maior parte dos críticos e estudiosos modernos.

    Bem já falaremos.

    Sobre o de Doyle:

    The New Revelation: or What is Spiritualsm, 1918 ; The Vital Message. 1921; The Wanderings of a Spiritualist.; – The Coming of the Fairies. 1922; The Spiritualist´s Reader. 1924 – The History of Spiritualism. (, 1926)- The Land of Mist. 1927.

    De algumas como a primeira e a última, há edições antigas em castelhano e português dos anos vinte e trinta do século anterior (penso que também da terceira), nessas edições populares e de avançada que são uma maravilha e uma surpresa mui por diante do que depois (especialmente na bárbara Espanha) se entendeu por literatura

  • Ernesto Vázquez

    De certo. Havia que diferenciar de uma vez as consequências dos actos políticos de Risco, a sua nefasta chefia do sector intelectual dos anos vinte e a sua fascinante prosa. Eu sou à vez mui anti-risquiano e mui gorentador da sua obra. Las tinieblas de Occidente, as pequenas prosas ao jeito do Xenius em El Miño, o pequeno relato A coutada, as mostras da sua correspondência, os brutais textos de Logos e Misión, a fascinante Historia de los Judios (melhor a 2a ed, dos 50, que na primeira de 1944 há uma espeluznante referência à admirada Alemanha nazista)

    Eu quando tenho tempo volvo a Risco e a Castelao (mais a Otero que com Valle Inclán são uma das minhas debilidades que se fai mais funda cos anos). Quanto mais sei de história e literatura não posso senão admirar a altura intelectual e remontada tradição que se comunica das suas prosas.

    E acho uma reveladora experiência ler entrefrebado com eles a Fernao Lopes, Mendes Pinto, Camilo e Eça, quanto a Gondomar, Sarmiento, Feijo, Vicetto, Murguía e Valle. Todos e desde que me lembro leitor competente parte da minha bagagem intelectual.

    Eu há muitos anos que sustenho que eles (e outros) entre os que incluir à Rosalia prosista (influenciada polo russo Mijail Lermotov e polos “malditos” franceses) estão mui para além das capacidades de leitura da maior parte dos críticos e estudiosos modernos.

    Bem já falaremos.

    Sobre o de Doyle:

    The New Revelation: or What is Spiritualsm, 1918 ; The Vital Message. 1921; The Wanderings of a Spiritualist.; – The Coming of the Fairies. 1922; The Spiritualist´s Reader. 1924 – The History of Spiritualism. (, 1926)- The Land of Mist. 1927.

    De algumas como a primeira e a última, há edições antigas em castelhano e português dos anos vinte e trinta do século anterior (penso que também da terceira), nessas edições populares e de avançada que são uma maravilha e uma surpresa mui por diante do que depois (especialmente na bárbara Espanha) se entendeu por literatura

  • Conheço pouco, e há muita coisa. De A. Conan Doyle só a obra intitulada A nova revelação, sobre espiritismo.
    Na realidade, obras como Satanás de Risco parecem-me fascinantes não só pelo tema mas pela altura intelectual.
    Resulta para mim inaceitável desatender obras assim por um estigma ideológico. Sobretudo quando muitos dos discursos progressistas que classificam estas obras são evidentemente superficiais culturalmente, embora fruto de uma época de mudanças e revisões necessárias.

  • Conheço pouco, e há muita coisa. De A. Conan Doyle só a obra intitulada A nova revelação, sobre espiritismo.
    Na realidade, obras como Satanás de Risco parecem-me fascinantes não só pelo tema mas pela altura intelectual.
    Resulta para mim inaceitável desatender obras assim por um estigma ideológico. Sobretudo quando muitos dos discursos progressistas que classificam estas obras são evidentemente superficiais culturalmente, embora fruto de uma época de mudanças e revisões necessárias.

  • Ernesto Vázquez

    Há tantos belos temas e tão pouca vida!! Não compreendo como os nossos intelectuais não investigam havendo tanta cousa por fazer como há.

    Disso do esoterismo há muito ainda por desvendar. Quando Risco ainda em 1915 e durante essa década escrevia, por intermediação do Sanjurjo para o grande e também não estudado Mario Rosso de Luna e nos dava lições da sua espantosa erudição sobre temas tão curiosos como a heresia da individualidade, as culturas do oriente, o equilíbrio. Mas acho que é a Allan Kardec e a Conan Doyle de quem há que procurar a pegada em Risco.

    Aliás o esoterismo foi um fenómeno social e literário-filosófico (efémero mas de grande impacto no mundo editorial) mui interessante na França (por onde lia Risco) e especialmente na Inglaterra, onde chegou a ser considerado desde fins do XIX, e especialmente após a Grande guerra uma Nova verdade para substituir os velhos modelos de pensamento e crença que demolira a Industrialização, o abalamento das Classes tradicionais e a guerra moderna.

    É mui revelador do jeito do Risco dandy que ainda em 1916, andava nessas cousas, considerar polo ano 13 fundar uma “capela” budista em Ourense. O considerado pai do nacionalismo galego sempre foi um ser estranho e curioso. Eu acho fascinante como intelectual (e mui perigoso por isso mesmo) com essa capacidade sedutora que lhe conhecemos que que tão desastrada foi para o nacionalismo político como fundamental para o cultural.

    As obras do final da vida de Risco, “Satanás”, “La puerta de Paja”, e os seus ensaios sobre os mitos cristianos e um livro quase para nenos “El oriente contado com sencillez” têm no fundo muita pegada dessa mistura e erudiçao que acompanha toda a grande obra de Risco.

    E eu intuo que o saudosismo de Teixeira entra também por esta via.

    Recomendo-lhe (se não conhece) as obras finais de Doyle para perceber esse mundo de espiritismo.

  • Ernesto Vázquez

    Há tantos belos temas e tão pouca vida!! Não compreendo como os nossos intelectuais não investigam havendo tanta cousa por fazer como há.

    Disso do esoterismo há muito ainda por desvendar. Quando Risco ainda em 1915 e durante essa década escrevia, por intermediação do Sanjurjo para o grande e também não estudado Mario Rosso de Luna e nos dava lições da sua espantosa erudição sobre temas tão curiosos como a heresia da individualidade, as culturas do oriente, o equilíbrio. Mas acho que é a Allan Kardec e a Conan Doyle de quem há que procurar a pegada em Risco.

    Aliás o esoterismo foi um fenómeno social e literário-filosófico (efémero mas de grande impacto no mundo editorial) mui interessante na França (por onde lia Risco) e especialmente na Inglaterra, onde chegou a ser considerado desde fins do XIX, e especialmente após a Grande guerra uma Nova verdade para substituir os velhos modelos de pensamento e crença que demolira a Industrialização, o abalamento das Classes tradicionais e a guerra moderna.

    É mui revelador do jeito do Risco dandy que ainda em 1916, andava nessas cousas, considerar polo ano 13 fundar uma “capela” budista em Ourense. O considerado pai do nacionalismo galego sempre foi um ser estranho e curioso. Eu acho fascinante como intelectual (e mui perigoso por isso mesmo) com essa capacidade sedutora que lhe conhecemos que que tão desastrada foi para o nacionalismo político como fundamental para o cultural.

    As obras do final da vida de Risco, “Satanás”, “La puerta de Paja”, e os seus ensaios sobre os mitos cristianos e um livro quase para nenos “El oriente contado com sencillez” têm no fundo muita pegada dessa mistura e erudiçao que acompanha toda a grande obra de Risco.

    E eu intuo que o saudosismo de Teixeira entra também por esta via.

    Recomendo-lhe (se não conhece) as obras finais de Doyle para perceber esse mundo de espiritismo.

  • Ernesto Vázquez

    Há tantos belos temas e tão pouca vida!! Não compreendo como os nossos intelectuais não investigam havendo tanta cousa por fazer como há.

    Disso do esoterismo há muito ainda por desvendar. Quando Risco ainda em 1915 e durante essa década escrevia, por intermediação do Sanjurjo para o grande e também não estudado Mario Rosso de Luna e nos dava lições da sua espantosa erudição sobre temas tão curiosos como a heresia da individualidade, as culturas do oriente, o equilíbrio. Mas acho que é a Allan Kardec e a Conan Doyle de quem há que procurar a pegada em Risco.

    Aliás o esoterismo foi um fenómeno social e literário-filosófico (efémero mas de grande impacto no mundo editorial) mui interessante na França (por onde lia Risco) e especialmente na Inglaterra, onde chegou a ser considerado desde fins do XIX, e especialmente após a Grande guerra uma Nova verdade para substituir os velhos modelos de pensamento e crença que demolira a Industrialização, o abalamento das Classes tradicionais e a guerra moderna.

    É mui revelador do jeito do Risco dandy que ainda em 1916, andava nessas cousas, considerar polo ano 13 fundar uma “capela” budista em Ourense. O considerado pai do nacionalismo galego sempre foi um ser estranho e curioso. Eu acho fascinante como intelectual (e mui perigoso por isso mesmo) com essa capacidade sedutora que lhe conhecemos que que tão desastrada foi para o nacionalismo político como fundamental para o cultural.

    As obras do final da vida de Risco, “Satanás”, “La puerta de Paja”, e os seus ensaios sobre os mitos cristianos e um livro quase para nenos “El oriente contado com sencillez” têm no fundo muita pegada dessa mistura e erudiçao que acompanha toda a grande obra de Risco.

    E eu intuo que o saudosismo de Teixeira entra também por esta via.

    Recomendo-lhe (se não conhece) as obras finais de Doyle para perceber esse mundo de espiritismo.

  • Caro Ernesto:
    Provável e infelizmente muito terá a aguardar por essas teses. Longe estamos ainda de apanhar aquilo de que mais valioso temos até no já escrito pelos nossos maiores vultos. Aqueles que, sendo intelectuais de grande fôlego, não deixaram de abrir portas para um nosso aprimoramento cultural.
    Aliás, não deixo de ter confiança no potencial dos galegos. Devemos é ter paciência e trabalhar muito e com ambição. Não há tanto as hipóteses de trabalhar pela cultura deste país eram quase inexistentes.

    Outro tema que, pessoalmente, me parece apaixonante é a influência esotérica na Geração Nós. Lendo Las tinieblas de Occidente de Risco (não publicada porque Spengler se adiantou com a sua A decadência de Ocidente) concordava com Pedro Casteleiro nos patentes paralelismos que se podem estabelecer com certas obras de René Guenon.

  • Caro Ernesto:
    Provável e infelizmente muito terá a aguardar por essas teses. Longe estamos ainda de apanhar aquilo de que mais valioso temos até no já escrito pelos nossos maiores vultos. Aqueles que, sendo intelectuais de grande fôlego, não deixaram de abrir portas para um nosso aprimoramento cultural.
    Aliás, não deixo de ter confiança no potencial dos galegos. Devemos é ter paciência e trabalhar muito e com ambição. Não há tanto as hipóteses de trabalhar pela cultura deste país eram quase inexistentes.

    Outro tema que, pessoalmente, me parece apaixonante é a influência esotérica na Geração Nós. Lendo Las tinieblas de Occidente de Risco (não publicada porque Spengler se adiantou com a sua A decadência de Ocidente) concordava com Pedro Casteleiro nos patentes paralelismos que se podem estabelecer com certas obras de René Guenon.

  • Caro Ernesto:
    Provável e infelizmente muito terá a aguardar por essas teses. Longe estamos ainda de apanhar aquilo de que mais valioso temos até no já escrito pelos nossos maiores vultos. Aqueles que, sendo intelectuais de grande fôlego, não deixaram de abrir portas para um nosso aprimoramento cultural.
    Aliás, não deixo de ter confiança no potencial dos galegos. Devemos é ter paciência e trabalhar muito e com ambição. Não há tanto as hipóteses de trabalhar pela cultura deste país eram quase inexistentes.

    Outro tema que, pessoalmente, me parece apaixonante é a influência esotérica na Geração Nós. Lendo Las tinieblas de Occidente de Risco (não publicada porque Spengler se adiantou com a sua A decadência de Ocidente) concordava com Pedro Casteleiro nos patentes paralelismos que se podem estabelecer com certas obras de René Guenon.

  • Ernesto Vázquez

    Mui boa caro,

    Eu há muito tempo que tenho clara a relação entre Vicetto, Valle-Inclán, Camilo, Eça de Queirós para entender muito das prosas de Otero e Cunqueiro (e também as de Torrente ballester e Ferrin, os seus descendentes mais direito). Há indubitáveis pegadas nas prosas de Risco e Castelao, que como as dos anteriores fusionam todas as três tradições (literatura regional galega em castelhano, literatura portuguesa de preferência minhota e tradições céltico germânicas) que eu resolveria em parentescos e amizades desde Murguía, os Muruais, os Montenegro, os Valle…

    Eu estou aguardando ainda por uma boa tese a sério que achegue dados sobre a influência (e diálogo dialéctico) entre a prosa de Otero e a de Valle, outra entre a de Valle e a d Vicetto e Camilo, e outra entre a de Eça e todos os demais. Havia dar muitas e gratas maravilhas.

    Ernesto

    Ernesto