Críticas e referências, Ernesto Vázquez Souza

De livros e fantasias contáveis III/V

Trailer de GalizaTerra querida, que sempre chegas tarde
ou chegas antes ou despois da História
e andamos foscos no correr do tempo.
Hai que romper, romper agora!

Avilés (Última fuxida a Harar)

Os autores, quanto a maior parte das editoras galegas chegadas a um número de títulos ou de cifras, ou simplesmente com produtos, que se demonstraram vendíveis, normalmente para cativos ou de turismo, consideram a possibilidade de se achegarem (apenas uma provinha, disse o diabético, não faz mal) ao mercado castelhano.

A tentativa, quando resulta, traz sempre o mesmo resultado: mais ingressos (mas nem tantos que na literatura em castelhano também não há tanto profissional) quanto mais dependência e entrampamento dos autores, as editoras e do sistema inteiro no castelhano, do que se supõe nos defendemos. É-che como a heroína, presta no cérebro mas nos obriga a dependência e finalmente mata o corpo.

A vista das contas, o lógico seria, entanto haja ainda forças,considerarmos a solução final e se passarmo-nos suicidas para o castelhano, e como Valle ou Torrente tratar de o invadir com as nossas metáforas e ritmos inauditos ou fenecer na tentativa.

Outra possibilidade seria ousar de uma vez aventurar a via lusitana, que também é comercial, ainda que, seica, culturalmente difícil quanto politicamente incorreta.

De qualquer jeito, duvido que nenhuma destas duas vias se tome a sério. O pessoal tem decidido deixar apodrecer os cascos em porto, que é o seguro.

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23 thoughts on “De livros e fantasias contáveis III/V

  1. Ramiro says:

    Interessantes comentários. Bom, em última instância, o que nos resta é trabalhar, caminho do nosso aperfeiçoamento como seres humanos, e procurar sempre fazer tudo da melhor maneira que sintamos e saibamos. Semelha simples, mas não o é.
    Não sendo um problema exclusivo da Galiza, como bem se disse, há por toda a parte mecanismos extra-literários que mediatizam a criação e recepção dos textos e obras de arte. Cada um/a saberá para que faz uma obra, por necessidade, por vontade de aparecer num “sistema literário”, por ser estrela mediática, por salvar uma língua ou uma pátria… As razões podem ser múltiplas, mas o que realmente nos deve importar, acho, é aprender tudo o que possamos da criação, for como autor@s ou como leitor@s. E se somos mohicanos a agoniarmos seremo-lo, mas mohicanos dispostos a fazerem da melhor maneira o seu trabalho. Nada mais e nada menos.

  2. Ramiro says:

    Interessantes comentários. Bom, em última instância, o que nos resta é trabalhar, caminho do nosso aperfeiçoamento como seres humanos, e procurar sempre fazer tudo da melhor maneira que sintamos e saibamos. Semelha simples, mas não o é.
    Não sendo um problema exclusivo da Galiza, como bem se disse, há por toda a parte mecanismos extra-literários que mediatizam a criação e recepção dos textos e obras de arte. Cada um/a saberá para que faz uma obra, por necessidade, por vontade de aparecer num “sistema literário”, por ser estrela mediática, por salvar uma língua ou uma pátria… As razões podem ser múltiplas, mas o que realmente nos deve importar, acho, é aprender tudo o que possamos da criação, for como autor@s ou como leitor@s. E se somos mohicanos a agoniarmos seremo-lo, mas mohicanos dispostos a fazerem da melhor maneira o seu trabalho. Nada mais e nada menos.

  3. Ramiro says:

    Interessantes comentários. Bom, em última instância, o que nos resta é trabalhar, caminho do nosso aperfeiçoamento como seres humanos, e procurar sempre fazer tudo da melhor maneira que sintamos e saibamos. Semelha simples, mas não o é.
    Não sendo um problema exclusivo da Galiza, como bem se disse, há por toda a parte mecanismos extra-literários que mediatizam a criação e recepção dos textos e obras de arte. Cada um/a saberá para que faz uma obra, por necessidade, por vontade de aparecer num “sistema literário”, por ser estrela mediática, por salvar uma língua ou uma pátria… As razões podem ser múltiplas, mas o que realmente nos deve importar, acho, é aprender tudo o que possamos da criação, for como autor@s ou como leitor@s. E se somos mohicanos a agoniarmos seremo-lo, mas mohicanos dispostos a fazerem da melhor maneira o seu trabalho. Nada mais e nada menos.

  4. José António Lozano says:

    O exemplo mais demencial disto é a chamada Cidade da Cultura. Uma autêntica aberração humana. Se isto é cultura, a que chamamos barbárie? Os intelectuais galegos nem “MU”
    Prometo umas considerações de Goethe, Jacob Burkhardt e Nietzsche para o blogue!

  5. José António Lozano says:

    O exemplo mais demencial disto é a chamada Cidade da Cultura. Uma autêntica aberração humana. Se isto é cultura, a que chamamos barbárie? Os intelectuais galegos nem “MU”
    Prometo umas considerações de Goethe, Jacob Burkhardt e Nietzsche para o blogue!

  6. Ernesto Vázquez Souza says:

    Pois eu penso que é mais do mesmo que acontece noutros âmbitos culturais do Estado. Olhemos o que acontece com o cinema, o teatro, o desport infantil e juvenil, entanto a música, as bibliotecas, as oportunidades para os moços…

    Criamos dependências e vivemos por encima das nossas capacidades, o estado se entrampa a pagar por cousas efêmeras que não deveria entanto noutras estruturais não pensa em investir um pataco. E finalmente o triste é que é dos nossos impostos que se paga toda esta bobagem literária, pseudo-crítica, ridiculamente acadêmica, cultural.

    Pessoalmente eu quereria uma casinha na minha declaração da renda para não destinar dinheiro nem a cinema, nem a teatro, nem a igrejas, nem a editoras, nem a tradutores, nem a fundações culturais… Eu quero o meu dinheiro encaminhado para bibliotecas rurais, bibliobuses, rede WI-Fi geral e gratuíta, centros culturais, campanhas de alfabetização para adultos…

  7. Ernesto Vázquez Souza says:

    Pois eu penso que é mais do mesmo que acontece noutros âmbitos culturais do Estado. Olhemos o que acontece com o cinema, o teatro, o desport infantil e juvenil, entanto a música, as bibliotecas, as oportunidades para os moços…

    Criamos dependências e vivemos por encima das nossas capacidades, o estado se entrampa a pagar por cousas efêmeras que não deveria entanto noutras estruturais não pensa em investir um pataco. E finalmente o triste é que é dos nossos impostos que se paga toda esta bobagem literária, pseudo-crítica, ridiculamente acadêmica, cultural.

    Pessoalmente eu quereria uma casinha na minha declaração da renda para não destinar dinheiro nem a cinema, nem a teatro, nem a igrejas, nem a editoras, nem a tradutores, nem a fundações culturais… Eu quero o meu dinheiro encaminhado para bibliotecas rurais, bibliobuses, rede WI-Fi geral e gratuíta, centros culturais, campanhas de alfabetização para adultos…

  8. Ernesto Vázquez Souza says:

    Pois eu penso que é mais do mesmo que acontece noutros âmbitos culturais do Estado. Olhemos o que acontece com o cinema, o teatro, o desport infantil e juvenil, entanto a música, as bibliotecas, as oportunidades para os moços…

    Criamos dependências e vivemos por encima das nossas capacidades, o estado se entrampa a pagar por cousas efêmeras que não deveria entanto noutras estruturais não pensa em investir um pataco. E finalmente o triste é que é dos nossos impostos que se paga toda esta bobagem literária, pseudo-crítica, ridiculamente acadêmica, cultural.

    Pessoalmente eu quereria uma casinha na minha declaração da renda para não destinar dinheiro nem a cinema, nem a teatro, nem a igrejas, nem a editoras, nem a tradutores, nem a fundações culturais… Eu quero o meu dinheiro encaminhado para bibliotecas rurais, bibliobuses, rede WI-Fi geral e gratuíta, centros culturais, campanhas de alfabetização para adultos…

  9. Desde logo a cuestión da inflacción editora é unha espiral que nace do absurdo e volta para el, dun punto de vista esencial. Mais ten a orixe, é claro, en razóns superficiais que todos comprenden: a lingua galega vai para o fundo na Galiza por non chegar a ser unha opción real de futuro na interacción sociolaboral. Partindo da consciencia de grupos sensíbeis de devolver ao pobo un instrumento comunicativo que abandona por necesidades perentorias, acaba por erguerse unha política que visa preservar ese instrumento para: a)protexer o individuo da perda da identidade comunitaria; b)resarcir todos os censurados no pasado por terse expresado licitamente; c)fundamentar unha nova organización política; etc.

    Ao tempo, resulta que a cultura na Galiza se crea 99,9% en galego porque só para o feito engalego existen subsidios. Ou non é así? Que acontecería se houbese apoios só dun punto de vista cualitativo, incluíndo os traballos en castelán? Temo que levaríamos grandes sorpresas, e aí sería que o pobo falaba. Estamos a criticar a literatura galega cando debemos asumir que só entre eses poucos lectores de galego figura toda a nómina de literatos actuais? Meu Deus, que dura resulta a realidade!
    Todo se mestura e se todo temos en conta todo nos confunde. Porque esa inflacción está fundamentada nun esgotador esforzo ideolóxico que posibelmente faga que aínda estexamos a imaxinar unha oportunidade para a cultura en galego na Galiza.
    Direi isto porque pretendo apañar unha parte do bolo?
    Direi isto porque me resisto a ter que ollar o último afundimento da miña lingua?
    Ou direi isto só porque son escritor e ligo palabras a partir dos pensamentos?

  10. Desde logo a cuestión da inflacción editora é unha espiral que nace do absurdo e volta para el, dun punto de vista esencial. Mais ten a orixe, é claro, en razóns superficiais que todos comprenden: a lingua galega vai para o fundo na Galiza por non chegar a ser unha opción real de futuro na interacción sociolaboral. Partindo da consciencia de grupos sensíbeis de devolver ao pobo un instrumento comunicativo que abandona por necesidades perentorias, acaba por erguerse unha política que visa preservar ese instrumento para: a)protexer o individuo da perda da identidade comunitaria; b)resarcir todos os censurados no pasado por terse expresado licitamente; c)fundamentar unha nova organización política; etc.

    Ao tempo, resulta que a cultura na Galiza se crea 99,9% en galego porque só para o feito engalego existen subsidios. Ou non é así? Que acontecería se houbese apoios só dun punto de vista cualitativo, incluíndo os traballos en castelán? Temo que levaríamos grandes sorpresas, e aí sería que o pobo falaba. Estamos a criticar a literatura galega cando debemos asumir que só entre eses poucos lectores de galego figura toda a nómina de literatos actuais? Meu Deus, que dura resulta a realidade!
    Todo se mestura e se todo temos en conta todo nos confunde. Porque esa inflacción está fundamentada nun esgotador esforzo ideolóxico que posibelmente faga que aínda estexamos a imaxinar unha oportunidade para a cultura en galego na Galiza.
    Direi isto porque pretendo apañar unha parte do bolo?
    Direi isto porque me resisto a ter que ollar o último afundimento da miña lingua?
    Ou direi isto só porque son escritor e ligo palabras a partir dos pensamentos?

  11. José António Lozano says:

    É interessante ver como existe um inflacionismo produtivista e consumista (que nem sequer é consumido!)A noção de cultura alentada actualmente é mais uma forma de barbárie e produção fabril. O fetichismo, voluntarismo, fé e ideologia que se necesita para justificar todo isto não me engaiola, sinceramente.A pesar disso o inflacionismo é algo que existe desde que existe ouro verdadeiro. Sempre haverá mais ouro falso, não há dúvida. Se tudo fosse relativo ganhariam os falsificadores, mas…!
    Que a maioria considere que o ouro falso é melhor que o verdadeiro é normal: é ao que estão habituados. Entretanto o ourives tem que fazer o seu trabalho, que só será valorado por quem realmente pode pagá-lo. As cousas seguirão assim: o inflacionismo é parte íntima da “vida cultural” não só galega, mundial.
    Mas isto não me deprime, os falsificadores tampouco se deprimirão, não sei. Quiçá precissem pílulas para dormir. Quem sabe?
    Penso em Sócrates que nada escreveu e que ensinava na rua e não tinha computador! Epícteto foi escravo, também não escreveu nada. Esopo, o mesmo. Alguns dos grandes sábios nem sequer sabiam ler nem escrever mas não eram analfabetos precissamente. Enfim, gosto da palavra cultura na sua etimologia e na sua relação com o que comunmente chamamos agricultura. A cultura seria assim a arte de fazer crescer a planta humana de um jeito natural sem conservantes nem colorantes nem sustâncias químicas inecessárias, especialmente agressivas. Estas substâncias produzem muita impressão mas pouco sabor (e saber!)
    Bem, estamos aqui, amigos, cada um com um valor próprio inalienável e intransferível, porque teria de limitar-me e sentir terrível peso?. Somos livres, e agora leio a Lao-Tse, um bom amigo. Sou feliz (mais ou menos!)
    Deixo-vos como uma bela fábula e desculpai o que podáis desculpar e não desculpéis o que não deváis desculpar:

    http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2006/10/fabula_sufi.html

  12. José António Lozano says:

    É interessante ver como existe um inflacionismo produtivista e consumista (que nem sequer é consumido!)A noção de cultura alentada actualmente é mais uma forma de barbárie e produção fabril. O fetichismo, voluntarismo, fé e ideologia que se necesita para justificar todo isto não me engaiola, sinceramente.A pesar disso o inflacionismo é algo que existe desde que existe ouro verdadeiro. Sempre haverá mais ouro falso, não há dúvida. Se tudo fosse relativo ganhariam os falsificadores, mas…!
    Que a maioria considere que o ouro falso é melhor que o verdadeiro é normal: é ao que estão habituados. Entretanto o ourives tem que fazer o seu trabalho, que só será valorado por quem realmente pode pagá-lo. As cousas seguirão assim: o inflacionismo é parte íntima da “vida cultural” não só galega, mundial.
    Mas isto não me deprime, os falsificadores tampouco se deprimirão, não sei. Quiçá precissem pílulas para dormir. Quem sabe?
    Penso em Sócrates que nada escreveu e que ensinava na rua e não tinha computador! Epícteto foi escravo, também não escreveu nada. Esopo, o mesmo. Alguns dos grandes sábios nem sequer sabiam ler nem escrever mas não eram analfabetos precissamente. Enfim, gosto da palavra cultura na sua etimologia e na sua relação com o que comunmente chamamos agricultura. A cultura seria assim a arte de fazer crescer a planta humana de um jeito natural sem conservantes nem colorantes nem sustâncias químicas inecessárias, especialmente agressivas. Estas substâncias produzem muita impressão mas pouco sabor (e saber!)
    Bem, estamos aqui, amigos, cada um com um valor próprio inalienável e intransferível, porque teria de limitar-me e sentir terrível peso?. Somos livres, e agora leio a Lao-Tse, um bom amigo. Sou feliz (mais ou menos!)
    Deixo-vos como uma bela fábula e desculpai o que podáis desculpar e não desculpéis o que não deváis desculpar:

    http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2006/10/fabula_sufi.html

  13. José António Lozano says:

    É interessante ver como existe um inflacionismo produtivista e consumista (que nem sequer é consumido!)A noção de cultura alentada actualmente é mais uma forma de barbárie e produção fabril. O fetichismo, voluntarismo, fé e ideologia que se necesita para justificar todo isto não me engaiola, sinceramente.A pesar disso o inflacionismo é algo que existe desde que existe ouro verdadeiro. Sempre haverá mais ouro falso, não há dúvida. Se tudo fosse relativo ganhariam os falsificadores, mas…!
    Que a maioria considere que o ouro falso é melhor que o verdadeiro é normal: é ao que estão habituados. Entretanto o ourives tem que fazer o seu trabalho, que só será valorado por quem realmente pode pagá-lo. As cousas seguirão assim: o inflacionismo é parte íntima da “vida cultural” não só galega, mundial.
    Mas isto não me deprime, os falsificadores tampouco se deprimirão, não sei. Quiçá precissem pílulas para dormir. Quem sabe?
    Penso em Sócrates que nada escreveu e que ensinava na rua e não tinha computador! Epícteto foi escravo, também não escreveu nada. Esopo, o mesmo. Alguns dos grandes sábios nem sequer sabiam ler nem escrever mas não eram analfabetos precissamente. Enfim, gosto da palavra cultura na sua etimologia e na sua relação com o que comunmente chamamos agricultura. A cultura seria assim a arte de fazer crescer a planta humana de um jeito natural sem conservantes nem colorantes nem sustâncias químicas inecessárias, especialmente agressivas. Estas substâncias produzem muita impressão mas pouco sabor (e saber!)
    Bem, estamos aqui, amigos, cada um com um valor próprio inalienável e intransferível, porque teria de limitar-me e sentir terrível peso?. Somos livres, e agora leio a Lao-Tse, um bom amigo. Sou feliz (mais ou menos!)
    Deixo-vos como uma bela fábula e desculpai o que podáis desculpar e não desculpéis o que não deváis desculpar:

    http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2006/10/fabula_sufi.html

  14. Ernesto Vázquez Souza says:

    Colo cá um comentário do Blogue de Brétemas que acho confirma o que eu trato de exprimir:

    “vivimos instalados no paradoxo da inflacción editorial na indixencia lectora”

    20.03.07
    Produción editorial 2006
    Xa aparecen os primeiros informes sobre a produción editorial en 2006. Os datos amosan que en Galicia continúa o aumento do número de títulos editados e diminúe a tirada media, as dúas variables que caracterizan o estado do sector. Se comparamos estes datos cos da semana pasada é doado concluír que vivimos instalados no paradoxo da inflacción editorial na indixencia lectora.
    Eis a reportaxe de Faro e o informe do Correo sobre a cuestión.

    http://www.farodevigo.es/secciones/noticia.jsp?pNumEjemplar=2936&pIdSeccion=8&pIdNoticia=124607&rand=1174369597819#

    http://www.elcorreogallego.es/index.php?idMenu=10&idNoticia=147044

  15. Ernesto Vázquez Souza says:

    Colo cá um comentário do Blogue de Brétemas que acho confirma o que eu trato de exprimir:

    “vivimos instalados no paradoxo da inflacción editorial na indixencia lectora”

    20.03.07
    Produción editorial 2006
    Xa aparecen os primeiros informes sobre a produción editorial en 2006. Os datos amosan que en Galicia continúa o aumento do número de títulos editados e diminúe a tirada media, as dúas variables que caracterizan o estado do sector. Se comparamos estes datos cos da semana pasada é doado concluír que vivimos instalados no paradoxo da inflacción editorial na indixencia lectora.
    Eis a reportaxe de Faro e o informe do Correo sobre a cuestión.

    http://www.farodevigo.es/secciones/noticia.jsp?pNumEjemplar=2936&pIdSeccion=8&pIdNoticia=124607&rand=1174369597819#

    http://www.elcorreogallego.es/index.php?idMenu=10&idNoticia=147044

  16. José António Lozano says:

    O poema de António Gancho é muito anterior ao 2002. Foi entregue a Herberto Helder nos anos setenta e forma parte da antologia Edoi Lelia Doura, antologia absolutamente recomendável

  17. José António Lozano says:

    O poema de António Gancho é muito anterior ao 2002. Foi entregue a Herberto Helder nos anos setenta e forma parte da antologia Edoi Lelia Doura, antologia absolutamente recomendável

  18. José António Lozano says:

    O poema de António Gancho é muito anterior ao 2002. Foi entregue a Herberto Helder nos anos setenta e forma parte da antologia Edoi Lelia Doura, antologia absolutamente recomendável

  19. José António Lozano says:

    Penso que toda tentativa, estrategia e “promoção” do galego é uma forma de auto-engano, como penso que também o são as posições nacionalistas e todo o voluntarismo derivado delas. Partindo de certos preconceitos (ou presupostos) inevitavelmente tudo são problemas. Quando nos sentimos livres de utilizar galego ou castelhano, quando apanhamos o património da humanidade com respeito e sem reivindicações essencialistas disfrutamos, amamos, aprendemos, nos surpeendemos, e deixamos que outros se ponham os problemas que eles mesmos se buscam. Costumava, na minha época de leitura de Nietzsche, quando ainda era estudante em Compostela, fazer uma broma com o meu amigo Miguel Hermida, diziamos: “Estes filósofos “progres” são como os curas: necesitan a existencia do mal, porque se desaparecesse já não saberiam em que pensar”. Riamos muito, a verdade.
    Sei que certas considerações podem incomodar e ser sentidas como algo impertinentes, mas confesso que são o único que se me ocorre dizer.
    Kant, o grande Kant, quando se perguntava que era o homem não sentia que a sua pergunta fosse supérflua. Suponho que a sua ética poderia reduzir-se a esta expressão: “Cumpre com o teu dever e não esperes que os demais fagam o mesmo”. Esta expressão foi a resposta que lhe deu Abu Hafs Khorasani a Junaid de Bagdá. Confesso que se há uma preocupação que realmente considero legítima é aquela que tenta que a língua e a gramática da nossa humanidade não se perda em mim. Não me cabe dúvida de que há “homens” que não se esqueceram de que são homens. Mas preocupo-me por mim, confesso que não tenho garantias ao respeito. E esta é a minha preocupação. Contava Majruh num conto a história procedente, penso, da “Linguagem dos Pássaros” de Attar: um homem chorava desconsoladamente. Alguém perguntou o motivo e disseram-lhe que chorava a morte do seu melhor amigo. O homem ficou pensativo e respondeu:
    – Arriscado!, não se deveria ter amigos que podem morrer!
    Eu pola minha parte acabo com António Gancho:

    TU ÉS MORTAL

    Tu és mortal meu filho
    isto que um dia a morte te virá buscar
    e tu não mais serás que um grão de milho
    para a morte debicar

    Tu és mortal meu anjo
    tu és mortal meu amor
    isto que um dia a morte virá de banjo
    insinuar-se-te senhor

    É-se mortal meu Deus
    tu és mortal meu Deus
    isto que um dia a morte há-de descer
    ao comprimento dos céus

    [in A Loucura, n.º 6 da revista Alma Azul, Abril de 2002]

  20. José António Lozano says:

    Penso que toda tentativa, estrategia e “promoção” do galego é uma forma de auto-engano, como penso que também o são as posições nacionalistas e todo o voluntarismo derivado delas. Partindo de certos preconceitos (ou presupostos) inevitavelmente tudo são problemas. Quando nos sentimos livres de utilizar galego ou castelhano, quando apanhamos o património da humanidade com respeito e sem reivindicações essencialistas disfrutamos, amamos, aprendemos, nos surpeendemos, e deixamos que outros se ponham os problemas que eles mesmos se buscam. Costumava, na minha época de leitura de Nietzsche, quando ainda era estudante em Compostela, fazer uma broma com o meu amigo Miguel Hermida, diziamos: “Estes filósofos “progres” são como os curas: necesitan a existencia do mal, porque se desaparecesse já não saberiam em que pensar”. Riamos muito, a verdade.
    Sei que certas considerações podem incomodar e ser sentidas como algo impertinentes, mas confesso que são o único que se me ocorre dizer.
    Kant, o grande Kant, quando se perguntava que era o homem não sentia que a sua pergunta fosse supérflua. Suponho que a sua ética poderia reduzir-se a esta expressão: “Cumpre com o teu dever e não esperes que os demais fagam o mesmo”. Esta expressão foi a resposta que lhe deu Abu Hafs Khorasani a Junaid de Bagdá. Confesso que se há uma preocupação que realmente considero legítima é aquela que tenta que a língua e a gramática da nossa humanidade não se perda em mim. Não me cabe dúvida de que há “homens” que não se esqueceram de que são homens. Mas preocupo-me por mim, confesso que não tenho garantias ao respeito. E esta é a minha preocupação. Contava Majruh num conto a história procedente, penso, da “Linguagem dos Pássaros” de Attar: um homem chorava desconsoladamente. Alguém perguntou o motivo e disseram-lhe que chorava a morte do seu melhor amigo. O homem ficou pensativo e respondeu:
    – Arriscado!, não se deveria ter amigos que podem morrer!
    Eu pola minha parte acabo com António Gancho:

    TU ÉS MORTAL

    Tu és mortal meu filho
    isto que um dia a morte te virá buscar
    e tu não mais serás que um grão de milho
    para a morte debicar

    Tu és mortal meu anjo
    tu és mortal meu amor
    isto que um dia a morte virá de banjo
    insinuar-se-te senhor

    É-se mortal meu Deus
    tu és mortal meu Deus
    isto que um dia a morte há-de descer
    ao comprimento dos céus

    [in A Loucura, n.º 6 da revista Alma Azul, Abril de 2002]

  21. E por que non deixar de sofrer como se fósemos eternos inconformes salva-patrias? Por que non dedicarnos a aprofundar e polir as obras até a extenuación para non ter tempo a imaxinar o afundimento da cultura? E para, aínda que sexa en segundo lugar, ofertar produtos mellor acabados.
    Que non se ofenda ninguén: todos podemos escribir mellor. Algúns até porque xa non podemos ser máis trapalleiros!

  22. E por que non deixar de sofrer como se fósemos eternos inconformes salva-patrias? Por que non dedicarnos a aprofundar e polir as obras até a extenuación para non ter tempo a imaxinar o afundimento da cultura? E para, aínda que sexa en segundo lugar, ofertar produtos mellor acabados.
    Que non se ofenda ninguén: todos podemos escribir mellor. Algúns até porque xa non podemos ser máis trapalleiros!

  23. E por que non deixar de sofrer como se fósemos eternos inconformes salva-patrias? Por que non dedicarnos a aprofundar e polir as obras até a extenuación para non ter tempo a imaxinar o afundimento da cultura? E para, aínda que sexa en segundo lugar, ofertar produtos mellor acabados.
    Que non se ofenda ninguén: todos podemos escribir mellor. Algúns até porque xa non podemos ser máis trapalleiros!

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