Amadeu Baptista recibe o Natércia Freire 2007

Noso prezado amigo Amadeu Baptista vén de recibir máis un premio, esta vez o Premio Nacional de Poesia Natéria Freire 2007 pola súa obra Poemas de Caravaggio. Acrecenta así este galardón a unha longa serie de recoñecementos públicos:

  • Prémio Nacional de Poesia Natércia Freire 2007
  • Prémio Nacional Sebastião da Gama 2007
  • Prémio Teixeira de Pascoaes 2004
  • Prémio Vítor Matos e Sá 2001
  • Prémio de Poesia e Ficção de Almada 2000
  • Prémio Pedro Mir, na categoria de Língua Portuguesa, México 1993

É realmente un poeta que coñece ben a Galiza, como testemuñan as súas innúmeras colaboracións en proxectos galaicos aquén e alén Miño. Coñecino no Festival de Poesia no Condado a mediados de 90, e desde a altura non puiden deixar de ser un fiel admirador do seu traballo poético. Neste sentido, hoxe teño o pracer de anunciar que estou a traballar nunha selección bilingüe da súa antoloxía persoal Antecedentes criminaisUn poeta ao que xa nada fica a demostrar, mais que xamais cederá no seu labor de destilador da palabra:

PRAÇA DA GALIZA – PAINEL PARA ROSALIA DE CASTRO

É um frio tremendo.
A água gela nas torneiras, a solidão
cresce como uma unha, uma sombra
atrai todas as camisas de silêncio, arde,
é uma noite encerrando os perigos da perdição,
os ferros agudíssimos do silêncio.

É um frio tremendo.
Perde-se o caminho de casa, a luz extingue-se,
pergunta-se pelo sangue e o sangue
não responde, os sangue perde-se aos borbotões
na vida, não há caminho, não há regresso,
a sereia canta no denso nevoeiro, mas não há
esperança, a tempestade é o único lugar,
o único lençol, a voz velocíssima
entregando-nos sem rendição, entregando-nos.

Como uma agulha fecha-nos os lábios, ata-nos
as mãos, como uma agulha de silêncio, feroz,
terrível, cose-nos contra as paredes e os olhos
saltam, saltam, é um frio tremendo
onde tudo arde, arde antiquíssimo, flecha
no coração, solidão descendo o braço,
descendo devagar, espraiando-se

na terrível superfície do silêncio.

Amadeu Baptista

A. F.

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