Alfredo Ferreiro, Criação, Poesia

saudade nº 10. revista de poesia

Enviada polo seu director António José Queirós, recibín o número 10 da revista de poesía Saudade, dedicada nesta ocasión ao “corpo”. Cunha nómina de 57 poetas de Portugal, Brasil, Arxentina, España e Galiza, entre os galegos figuramos o Xosé Lois García e máis eu, alfa é ómega da listaxe. O poema con que participei é o seguinte:

A Manuel Salgueiro Castro, o padrinho

VINDIMA

Ó velho, ficas deitado
e no recanto do quarto
arde o cajado impregnado
com o suor de tantos anos.
Lastrado o caminho da vida,
sonha o mar a água doce
do amor que teu corpo sorvia.
Sonhas nos altos penedos
do coração
o naufrágio das horas
o galope incessante nas ondas
da tua constelação.
Cavalgas no circo do ocaso,
e a todos saúdas da areia domada.
Saltas no trapézio impossível
e voas
com o bilhete obliterado
da última sessão.

Lavrador dos teus dias,
chega a tua vindima.
Enquanto cai na negra tinalha
o alquímico sangue
da tua família.

Alfredo Ferreiro

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12 thoughts on “saudade nº 10. revista de poesia

  1. Casteleiro says:

    Continua, meu amigo, então

    a destilar da antiga alquitara da tua família. Chegará um tempo para o vinho -ou deveria, no teu caso, Ferreiro, dizer que chegará um tempo para a espada?

  2. Casteleiro says:

    Continua, meu amigo, então

    a destilar da antiga alquitara da tua família. Chegará um tempo para o vinho -ou deveria, no teu caso, Ferreiro, dizer que chegará um tempo para a espada?

  3. Saudade do vinho a correr nas veias, a alquímia de Gaia… sentido de pele velha, emoçao… muito mais do que uma palavra. Muito mais… É um grande poema e um espíritu grande.

  4. Saudade do vinho a correr nas veias, a alquímia de Gaia… sentido de pele velha, emoçao… muito mais do que uma palavra. Muito mais… É um grande poema e um espíritu grande.

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