“Língua ardente”, por Ramiro Torres

Para Mercedes Queixas e José Ramom Pichel.

Falamos numa língua
alimentada de um silêncio
a desbordar sons irrefreáveis,
estourado na sua própria luz.
Somos vértebras de um país por
fazer nos arrabaldes do coração,
vestidos com a desnudez do início
de uma estrela no fundo da garganta:
começam a voar em nós as aves
extraviadas nos músculos da beleza,
mentres sentimos o grito de um olho
aberto ferozmente no peito do mundo.
Irrompemos nesta terra desfechada
como a música húmida dos amantes
a levantarem os olhos insurrectos
do saber escrito nos corpos:
caem as sombras, perplexas,
entre os lábios da plenitude
que expande a matéria branca
do abraço inesperado
das palavras e o mundo.

Outubro de 2010.

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