“Paisagem urbana”, por Ramiro Torres

Para María Xosé Bravo e Carme Vilariño,
operárias de sonhos urbanos, caminhantes do saber.

Cidade dançante na
alquimia transparente
de um rio sem margens,
habitada no fio que une
todos os pontos da luz
numa fraterna cadência:
vibra um arquipélago
de filamentos no
interior da língua,
fecundadores do
inaguardado, a encher
de pólen os órgãos
centrais deste corpo
vastíssimo e invisível,
ubicador de estrelas
nos mapas diurnos
que entrelaçam mundos
como estouram as palavras
no fluir fascinado do poema.
Aqui alçamos a visão até
ser chama vulneradora
do tempo, som evoluído
da beleza a percutir
no coração, fulgurante
e incompreensível,
adentrados num
amor sem pausa.

Julho de 2011.

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2 comments to “Paisagem urbana”, por Ramiro Torres

  • O poeta, neste caso, creo que está dabondo á altura, Maribel. No que si concordo é en valorizar a atitude exemplar de María e Carme á hora de traballar en prol da cultura.

  • Maribel Valdivieso

    Cando unha persoa é merecedora de unha poesia, o poeta elexifo ten que estar a altura…… E mais, cando estamos falto de unha cultura que ela nos a poñia sempre sen intereses persoais, só pra que foramos participes de ela e disfrutaramos tanto como ela disfrutaba
    Maribel.

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