'Jerusalém', de Gonçalo M. Tavares

Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares

Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares, mostra ante todo un excelente modo de escribir. Cada vírgula e cada palabra están xustificadas e a estensión sintáctica é a estritamente necesaria en cada caso, tanto na reflexión filosófica canto na comunicación impactante; hai neste sentido un uso óptimo da alternancia entre estruturas longas e breves que fai moi amena a lectura. A crítica social que comportan as personaxes, tanto no nivel moral canto no profesional, por outra parte, está maxistralmente dosificada pois resulta evidente sen permitir que haxa unha perda de nivel literario. No entanto, a historia contada non me resulta moi interesante debido a que consiste nunha trama sen especial profundidade, con aromas de aristocracia e lumpen nunha mestura que, porén, agrada o padal.

«O homem saudável quer encontrar Deus, dizia Theodor Busbeck de modo mais directo. E dizia-o não apenas em conversas particulares com colegas, dizia-o até em conferências, facto que deixava muitos cientistas da área perplexos, quase escandalizados, sentindo-se que falar de Deus no meio médico era uma heresia. No entanto, Theodor mantinha a sua opinião, ou o seu instinto, assim ele o designava, apesar de o associar de imediato ao campo onde trabalhava, dizendo, provocadoramente: é um instinto científico. E o instinto científico de que se orgulhava era resumido numa frase: um homem que não procure Deus é louco. E um louco deve ser tratado.» {p. 61}

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