Alfredo Ferreiro, O levantador de minas, Poesia, Surrealismo

Laboratório poético ao vivo

Hoje quero trazer para aqui
a totalidade do silêncio
na fotografia de um poeta de olhos fechados
e aberto coração:
sombra alongada, cristais de um azul
perpétuo, música de alfândega
que não aplaudirás até ao prenúncio da morte
para um teu novo nascimento.
Enfim sombra, miopia,
desejo (as malas do poeta).
O sangue do comboio é derramado
no deserto, no caminho infindo
que, com certeza, depara em própria casa.
E em nome próprio o poeta
capitula e recapitula em carne própria,
ele próprio, em própria casa
os bens alheios que há que apanhar
para pôr nome ao inomeável.
Porque, o que há-de fazer com o peixe de Deus a saltitar
na frigideira que há muito tempo lhe ofertaram?

Café Maeloc 07/10/1998, Laboratório poético ao vivo. Grupo Hedral.

 

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