Pela tolerância ortográfica

GaivotaemArteijo_AFerreiro

A Teresa Barro

Cansado de escrever assim ou assám
com letras de cá ou de lá
concebo a ideia de escrever
com os dedos cheios de merda.
Escrever um poema
que cheirasse como uma bubela,
as fístulas explodindo
e os vómitos rarefeitos da cultura
que nos foi dado sorver
a causa das marés poluídas
das políticas nacionais,
dos negócios da política,
esgotos em que os poderosos
deitam as luvas depois de mexer
os intestinos larvados da pátria.
A pútrida pátria
que sob uma bandeira erradica
a liberdade, a democracia e a arte
gostava que morresse de vez.
Numa nova mátria
galega, portuguesa e ibérica
é que devíamos renascer.

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