Os valores de uma civilização

Quando ouço falar em Grécia como berço da civilização ocidental pergunto-me até onde influiu a cultura clássica no modo de ser dos vários povos de Europa, entre eles a Galiza. Atribui-se aos gregos o mérito de nos conquistar com sua mente racional e filosófica, com suas colunas de complexos efeitos óticos, com sua estética do vertical sobre o horizontal, com seu espírito masculino sobre um tépido e domável mar, e não sei onde isso tudo se pode achar na história e na idiossincrasia do meu país, aquele que sempre destacou por albergar ancestrais tradições mágicas, pola criação poética, polo protagonismo de seus inúmeros rios e requintados portos de mar, pola estética da viçosa e anárquica floresta, polo seu espírito feminino à beira de um generoso, infindo e bravo oceano.

Reparo, em definitivo, no Pártenon e não vejo nada comparável salvo a sensibilidade que implica venerar o Monte Pindo como um tributo da terra ao mar, um lugar de encontro que só uma mente subtil, milenária e sábia é capaz de apreciar, como um diamante que não foi talhado porque o seu valor era percebido sem necessidade da nossa intervenção.

{Sermos Galiza}

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