«O teu corpo a oriente e a ocidente», de Pedro Casteleiro

O teu corpo de Pedro CasteleiroA vontade da Deusa, da Grande Mãe ou da Amada Eterna presidem o livro. Não se admirem, leitoras e leitores, se este livro semelha à vez moderno e antigo. Porque há cousas que não mudam embora nunca ofereçam a mesma figura, como factos diversos sob os quais subjazesse um único gesto divino.

Falarmos em termos de espírito é, todavia, raro nestes tempos. Somos velhas vítimas do autoritarismo eclesiástico e não se torna fácil trazer para a mesa os instrumentos com que a nossa sociedade foi torturada durante séculos, e que são a causa de que muitas pessoas confundam Igreja e religião. Mas nós devemos saltar por cima destes obstáculos referenciais e falarmos abertamente do conteúdo religioso ou, por palavras mais exatas, gnóstico desta obra. Não estamos obrigados a menos, se queremos é transmitir alguma perceção sincera do que é ou pode ser O teu corpo a oriente e a ocidente.

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«Quando me deixaste fiquei no escuro»

No fim daquela tão agradável conversa, voltando ao hotel ele propus passarem a noite juntos, mas ela rejeitou a proposta com uma desculpa qualquer. Considerada e distante à vez, mandou um beijinho pelo ar e abandonou o elevador.

Ele entrou no seu quarto e, ademais de invadido por uma acre confusão, não encontrava o modo de fazer funcionar o cartão para ligar a luz. Depois de inúmeras tentativas, resolveu que despir-se sozinho e ter que fazê-lo sem luz já dava para pensar.

De manhã, quando de novo se encontraram, ele disse: “Quando me deixaste, fiquei no escuro”. Ela não percebeu mais do que uma galantaria fora de horas, mas se soubesse o que tinha acontecido com certeza pensaria que só um autêntico poeta é capaz de fazer assim piada da sua frustração.

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«Unha normativa non pode virar unha dogmativa»

Teresa Barro (Sermos Galiza): […] A Real Academia Galega está actuando como se non entendese que unha normativa non pode virar unha dogmativa, que normas e dogmas non son a mesma cousa e que as normas sempre se poden mudar e cuestionar porque non hai nengunha verdade ¨relixiosa¨ por detrás delas. Pensar que un determinado enfoque e unha determinada normativa da língua galega son sagrados e non se poden nen discutir é mais proprio dunha secta que dunha institución que non pode estar para dictar, expulsar, proclamar dogmas e aupar santos. E moito menos para perxudicar a Galiza con comportamentos que a deshonran e a fan parecer atrasada.

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Conselhos

Conselhos

Quando alguém nos dá conselhos porque nos quer bem
é porque resulta evidente que os precisamos.
Quando os precisamos é porque estamos desbocados
e não atendemos os conselhos de ninguém.

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Adolescência programada

Adolescência programada

Quando já cria ser um homem maduro
de súbito estouram todos os esquemas.
Será que estou sujeito a uma nova
adolescência programada?

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«A farsa galega: sobre a implementação da “Lei Paz-Andrade”»

Renato Epifânio (Público): «[…] Dois anos após a sua aprovação, chegam-nos porém notícias preocupantes sobre a real implementação da Lei Paz-Andrade. A expansão do ensino da língua portuguesa – que foi de 850 no curso anterior para 1850 alunos no presente ano –, deveu-se exclusivamente à iniciativa dos pais dos alunos ou das entidades culturais privadas, sendo que o Governo Autónomo não transmitiu, a este respeito, qualquer instrução nem informação aos responsáveis dos centros escolares, parecendo assim não estar minimamente empenhado na real implementação da referida Lei. Quanto à rádio e televisão públicas, apenas se regista, para além das colaborações no programa “Aqui Portugal”, da RTP, a edição da banda desenhada “Os Bochechas”. Ignoramos se a RTP tem, a este respeito, alguma outra colaboração prevista.

Entretanto, fomos informados de que a candidatura do “Consello da Cultura Galega”, organismo público financiado pelos contribuintes galegos, ao estatuto de Observador Consultivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), foi aprovada por unanimidade pelo Comité de Concertação Permanente da CPLP. Constatando que esta entidade tem defendido publicamente que “a língua galega é independente da língua portuguesa” (sic), perguntamos que sentido faz aceitar na CPLP uma entidade que promove o isolacionismo, ao invés da convergência linguística e cultural com os restantes países e regiões do espaço lusófono. A nossa perplexidade é tanto maior porquanto, em 2011, como então denunciámos, Portugal vetou a candidatura da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa – esta sim, uma verdadeira instituição da sociedade civil e realmente pró-lusófona – ao mesmo estatuto de Observador Consultivo da CPLP.»

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