Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Narrativa

No fim daquela tão agradável conversa, voltando ao hotel ele propus passarem a noite juntos, mas ela rejeitou a proposta com uma desculpa qualquer. Considerada e distante à vez, mandou um beijinho pelo ar e abandonou o elevador.

Ele entrou no seu quarto e, ademais de invadido por uma acre confusão, não encontrava o modo de fazer funcionar o cartão para ligar a luz. Depois de inúmeras tentativas, resolveu que despir-se sozinho e ter que fazê-lo sem luz já dava para pensar.

De manhã, quando de novo se encontraram, ele disse: “Quando me deixaste, fiquei no escuro”. Ela não percebeu mais do que uma galantaria fora de horas, mas se soubesse o que tinha acontecido com certeza pensaria que só um autêntico poeta é capaz de fazer assim piada da sua frustração.

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«Quando me deixaste fiquei no escuro»

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