A revista Saudade

Da man do amigo António José Queirós, o seu director, chégame o número 7 (2005) da revista portuguesa Saudade, proxecto patentemente universalista entregado á poesía. Nacida en Amarante, ten ofrecido asento a autores de moi variada xeografía: portugueses, galegos, brasileiros, franceses, hondureños, colombianos, arxentinos, españois, polacos, haitianos, cabo verdianos, suízos, romenos. Entre os galegos figuran Xosé Lois García, José António Lozano, Xoán Neira, Carlos Quiroga, José Ángel Valente (texto traducido para portugués por Amadeu Baptista), César Antonio Molina (en castelán), Xosé María Álvarez Cáccamo e quen isto escribe. Proxecto continuador da magnífica revista Anto, dedicada con esmero á figura do poeta António Nobre, esta publicación demostra tanta pericia editora e iguais dignidade e mestría na divulgación da poesía. En breve virá á luz o número 8, do que daremos noticia na altura.

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saudade nº 10. revista de poesia

Enviada polo seu director António José Queirós, recibín o número 10 da revista de poesía Saudade, dedicada nesta ocasión ao “corpo”. Cunha nómina de 57 poetas de Portugal, Brasil, Arxentina, España e Galiza, entre os galegos figuramos o Xosé Lois García e máis eu, alfa é ómega da listaxe. O poema con que participei é o seguinte:

A Manuel Salgueiro Castro, o padrinho

VINDIMA

Ó velho, ficas deitado e no recanto do quarto arde o cajado impregnado com o suor de tantos anos. Lastrado o caminho da vida, sonha o mar a água doce do amor que teu corpo sorvia. Sonhas nos altos penedos do coração o naufrágio das horas o galope incessante nas ondas da tua constelação. Cavalgas no circo do ocaso, e a todos saúdas da areia domada. Saltas no trapézio impossível e voas com o bilhete obliterado da última sessão.

Lavrador dos teus dias, chega a tua vindima. Enquanto cai na negra tinalha o alquímico sangue da tua família.

Alfredo Ferreiro

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Nº 8 da "Saudade, revista de poesia"

Por amabilidade do António José Queirós, poeta e dinamizador literario incombustíbel e, o que é mellor aínda, constante produtor de cultura, chegou no outono pasado ás miñas mans un novo número da Saudade. Con vontade de ampla lusofonía e novo iberismo, todo harmonicamente mesturado, ten incluído xa muitos nomes da poesía hispánica, americana e africana. Neste número dedicado á “morte” podemos achar, para alén dos habituais de Portugal, Galiza e Brasil, portugueses como José Luís Peixoto e Casimiro de Brito, entre moitos outros. Na nómina dos galegos nesta ocasión figura a blogoveciña Yolanda López.

O próximo número será dedicado ao “corpo”. Aí, se o destino, deus dos ateus, nolo permite, habemos de participar algúns dos escritores deste blogue. E non só en corpo. Esta é unha nova versión do poema que publiquei no número 2 da Saudade, en 2002:

Mas ó coração, guerreiro da dor, se não sofresses mais

como te acudiria o socorro das lágrimas?

Ibn ‘Ammār

Diz a sabedoria antiga

que a morte digna nasce da guerra

na conquista do dourado palácio

que noutro tempo habitávamos.

Agora a casa tornou-se escura

e nós somos árvores mortas

sobre um chão de mármore calcinado e poeirento.

A morte digna nasce da guerra

por voltarmos a possuir aquelas alfaias perdidas

nos incêndios da cidade, no seu corpo tecnológico,

soterrados por uma oculta

programação sentimental.

Somos falsos cadáveres,

corpos errantes que regressam medonhos

para a infância

em lugar de avançarem para a morte.

Somos velhos com enfeites de menino

e indizíveis saudades da coroa

que sustínhamos outrora

poderosamente

como um farol eterno a iluminar as águas.

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«Terra», de Alfredo Ferreiro, na derradeira 'Saudade'

As minhas mãos têm a idade do universo

TERRA

Tudo haverá de acabar onde tudo começou. Eu próprio, que era apenas um espírito sem carne, só pelo sangue da terra me consegui encarnar. A ela devo tudo, por isso a ela consagro as mãos de ferreiro e camponês que me entregou a família. As mãos que de facto são instrumento sagrado do coração, as mesmas mãos que seguram e esganam o triste fantoche com que brinca o destino.

Tenho terra nas unhas desde sempre, terra velha que o poeta datou no princípio do universo. O deus que brincava com barro e que sua mãe repreendia pelas manchas que fazia no mundo, esse deus a mim me criou de um gesto fortuito, de uma nódoa, e para sempre fui uma palavra perdida no infinito.

E vocês, instrumentos na procura do certo afinador, não veis a terra que pisais, a terra que alberga o mundo, a terra que vos aguarda no retorno ao calor inicial? Acarinhai a terra com as vossas mãos. Nada há, viageiros, aquém e além, salvo um caminho por desenhar sobre a barriga maternal da terra.

Alfredo Ferreiro

Este ano, cun número tan simbólico como o 12, despídese a revista Saudade para sempre. Comandada polo amigo António José Queirós, contaba entre os redactores Amadeu Baptista, António Cândido Franco, Henrique Monteiro, Luís Amaro e Sérgio Pereira, todos eles, com mais e menos idade, nomes moi representativos da actual poesía portuguesa.

Foi un proxecto, como todos os do Queirós, caracterizado polo maior amor á lusofonía, en que á par dos mais os galegos sempre tivemos un espazo por dereito propio; algo que se torna consuetudinario grazas a actitudes fraternas como as do amigo de Vila Meã.

Neste último número, en que se nos propuxo como tema a “terra”, á par do Xosé Lois García e dos nomes xa citados publícanse poemas de Ana Luísa Amaral, Armando Silva Carvalho, Fernando Guimarães, Jorge Velhote, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Vasco Graça Moura e Rosa Alice Branco, entre moitos máis.

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Saudade 11

Viajou sempre entre nós o riso agudo dos cínicos

Armando Silva Carvalho

Viajou sempre connosco aquilo que intumesce a alma e faz saltitar o amor sobre uma prancha de zinco incontestável. São os agoiros que há tempo enclausuraram na face do mundo a alegria, as sombras que apagaram as flores no jardim da vida. Hoje voltam a alumiar o velho poço do medo

em que crescemos por gerações como alimárias, privados dos aromas do pensamento. Voltam os tempos em que o ar foi um sonho azul, uma ventura abstracta, um espaço prometido para o amor explodir, uma ficção necessária. Hoje volta o ar opaco e castigador do poço, o ar consumido, irrequieto, inimigo de um desejo básico, humano e santo, aquele que gostam de apanhar crianças a dançar entre borboletas.

Hoje o vinho não faz espuma nos cálices do amor.

A. F.

En poucas ocasións como no 2 de marzo pasado sentín a necesidade de escribir un poema político. O tema proposto  polo António José Queirós para o número era ‘azul’, palabra que debía aparecer nun poema inédito. Outros galegos que figuran no número son Iolanda Aldrei, Tati Mancebo e Xosé Lois García, xunto cun contributo angolano, tres brasileiros e cuarenta e tres portugueses.

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Nº 2 da revista Nova Águia, dedicada à figura de António Vieira

O dia 13 de Novembro apresentará-se na Faculdade de Filosofia de Santiago (Praça de Mazarelos s/n) às 17:00 h o nº 2 da revista Nova Águia, dedicada à figura de António Vieira. Também será apresentado o livro de Paulo Borges Da saudade como via de libertação, a cargo de Rui Lopo.

Intervirão Luis Garcia Soto, José António Lozano, Renato Epifânio, Paulo Borges, Celeste Natário e Rui Lopo.

José António Lozano

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Saudade 9, mais un número da fraternidade

Nestes días chegou polo correo ordinario, agora case extraordinario, o novo número da revista Saudade, esa revista portuguesa dirixida e redixida por amigos que muito aprezamos. Entre portugueses, brasileiros, españois e gregos, para alén de Xosé Lois García, un habitual da publicación, tres galegos colaboradores d’ O levantador de minas participamos neste número. Eis os nosos poemas:

AUTORRETRATO

De existir o vento levaría o cabelo longo sobre os ombros.

De existir a chuvia as bágoas derivarían por unha face tersa.

De existir os ósos seguiría as túas pegadas pola terra e no movemento o meu corpo acharía unha posición exacta.

Algo está a faltar e non lle atopo nome. Como designar un arrecendo cálido de palmas simétricas.

De existir o tempo dedicaría a cantar a vida enteira.

E aínda agora me pregunto canto frío son capaz de atesourar.

Tati Mancebo

CORPO TRANSFORMADO Ao Nacho Baamonde, pelo seu Ígnis. Ao Levantador de Minas.

Sábio e inocente. obscuro ainda para Este caminhar entre ruas de outro tempo, Na cidade em que ninguém nasce, Estou pronto para abrir a vida ao meio, E navegar dentro dela à procura do que Ainda está por se queimar na minha boca.

Serei, por fim, o teu amante sereno, Como o vinho a se derramar pelo corpo, Dentro e fora do mapa infinito em que Chega a minha fome a se facer poema, Ou casa para a minha mudança, precisa, Em olho multiplicado sobre o universo.

Ramiro Torres

Ó CORPO QUE ME FOSTE ENTREGUE POR UM CORPO DORIDO

Ó corpo que me foste entregue por um corpo dorido, só es terra, lágrimas e sangue que alimentam um grão de milho. Hás de fundar-te em mim como ruína que minha alma sepulte, e nada queiras ser desde esse dia senão a mala de mais uma viagem. Então dançarei com as pedras minhas em círculos vagos, hierofanias ocultas restabelecerão nas prisões tavernas nos betões flores acessas. Corpo que a dor trazes de todas as partes do mundo, portarás às costas a verdade avulsa, farol de amor sobre uma torre de carne. Uma brisa nova tocará tua pele de animal renascido, teus bigodes felinos vibrarão no amanhecer dos sentidos que um novo mundo percebem transmutados, humanos, para sempre de tristeza feridos. À espera —sentinela perpétua— do pranto mercurial aguardarei o sinal que me há-de transportar sobre a terra e o mar —criança sorridente— sob o sol, adormecido.

Alfredo Ferreiro

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Tati Mancebo na Sargadelos

«Despois da breve pausa provocada polas datas vacacionais do nadal, a Galería Sargadelos da Coruña retoma o seu ciclo “Martes Literarios”, que tanto interese e fidelidade suscitou durante o pasado ano. O 2008 iniciaráse mañá martes 8 de xaneiro, ás 20:00 horas. Esta iniciativa continuada forma parte da programación cultural estable que ofrece este centro cerámico e cultural, nunha proposta que se ven repetindo -dende a súa inauguración o pasado 2007- en martes alternos, contando cunha periodicidade, pois, quincenal.

Nesta ocasión, contará coa presenza da coruñesa Tati Mancebo, unha licenciada en Filoloxía Inglesa que traballa na súa propia empresa de xestión cultural e novas tecnoloxías da información. Á vez, Tati mantén O blog dos pelachos sobre infancia e cultura na Rede e colabora asiduamente con críticas e traducións de poemas no blog literario O levantador de minas. Tamén é tradutora do inglés en multitude de guións de cine, poesía irlandesa, inglesa e estadounidense para revistas e medios electrónicos.

Como poeta ten publicado o libro individual Na hora redonda (1995) e participado en numerosas publicacións colectivas en Galiza e Portugal (“7 Poetas”, “Gaveta”, “Saudade”, “Çopirrait”) así como en recitais poéticos. Foi membro do consello de redacción da revista universitaria “Gaveta” e co-editora dos Cadernos de Azertyuiop, que na actualidade están a ser pasados á Rede. Tamén na Internet verá a luz, proximamente, o seu novo e esperado poemario: NósQuen. […]» (A dirección da Galería Sargadelos da Coruña)

A. F.

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Autor

Alfredo Ferreiro nasceu na Corunha em 1969. Estudou Filologia Hispânica e iniciou-se na Teoria da literatura. É membro da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega e da Associaçom Galega da Língua.

Tem participado desde 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas, entre elas Anto e Saudade, sob a direção de António José Queiroz. Na atualidade é membro do Grupo Surrealista Galego.

Como crítico tem colaborado em publicações periódicas impressas como A Nosa Terra, @narquista (revista dos ateneus libertários galegos), Protexta (suplemento literário de Tempos Novos), Dorna e Grial, para além de em diversos projetos digitais.

De 2008 a 2014 dirigiu, junto com Táti Mancebo, a plataforma de blogues Blogaliza. Desde 2006 é asíduo dos meios eletrónicos, em que se dedica à divulgação da literatura e do pensamento crítico. Atualmente colabora no jornais Praza Pública e Sermos Galiza.

A inícios de 2014 fundou, junto com Táti Mancebo e Ramiro Torres, a revista digital de artes e letras Palavra comum, dirigida ao âmbito lusófono.

Desde outubro de 2015 é coodenador do Certame Manuel Murguía de Narracións Breves de Arteijo.

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