«Quando me deixaste fiquei no escuro»

No fim daquela tão agradável conversa, voltando ao hotel ele propus passarem a noite juntos, mas ela rejeitou a proposta com uma desculpa qualquer. Considerada e distante à vez, mandou um beijinho pelo ar e abandonou o elevador.

Ele entrou no seu quarto e, ademais de invadido por uma acre confusão, não encontrava o modo de fazer funcionar o cartão para ligar a luz. Depois de inúmeras tentativas, resolveu que despir-se sozinho e ter que fazê-lo sem luz já dava para pensar.

De manhã, quando de novo se encontraram, ele disse: “Quando me deixaste, fiquei no escuro”. Ela não percebeu mais do que uma galantaria fora de horas, mas se soubesse o que tinha acontecido com certeza pensaria que só um autêntico poeta é capaz de fazer assim piada da sua frustração.

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Conselhos

Conselhos

Quando alguém nos dá conselhos porque nos quer bem
é porque resulta evidente que os precisamos.
Quando os precisamos é porque estamos desbocados
e não atendemos os conselhos de ninguém.

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Adolescência programada

Adolescência programada

Quando já cria ser um homem maduro
de súbito estouram todos os esquemas.
Será que estou sujeito a uma nova
adolescência programada?

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«A farsa galega: sobre a implementação da “Lei Paz-Andrade”»

Renato Epifânio (Público): «[…] Dois anos após a sua aprovação, chegam-nos porém notícias preocupantes sobre a real implementação da Lei Paz-Andrade. A expansão do ensino da língua portuguesa – que foi de 850 no curso anterior para 1850 alunos no presente ano –, deveu-se exclusivamente à iniciativa dos pais dos alunos ou das entidades culturais privadas, sendo que o Governo Autónomo não transmitiu, a este respeito, qualquer instrução nem informação aos responsáveis dos centros escolares, parecendo assim não estar minimamente empenhado na real implementação da referida Lei. Quanto à rádio e televisão públicas, apenas se regista, para além das colaborações no programa “Aqui Portugal”, da RTP, a edição da banda desenhada “Os Bochechas”. Ignoramos se a RTP tem, a este respeito, alguma outra colaboração prevista.

Entretanto, fomos informados de que a candidatura do “Consello da Cultura Galega”, organismo público financiado pelos contribuintes galegos, ao estatuto de Observador Consultivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), foi aprovada por unanimidade pelo Comité de Concertação Permanente da CPLP. Constatando que esta entidade tem defendido publicamente que “a língua galega é independente da língua portuguesa” (sic), perguntamos que sentido faz aceitar na CPLP uma entidade que promove o isolacionismo, ao invés da convergência linguística e cultural com os restantes países e regiões do espaço lusófono. A nossa perplexidade é tanto maior porquanto, em 2011, como então denunciámos, Portugal vetou a candidatura da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa – esta sim, uma verdadeira instituição da sociedade civil e realmente pró-lusófona – ao mesmo estatuto de Observador Consultivo da CPLP.»

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“No pasmo da inutilidade”: conversa com o poeta Luís Serguilha

Luis Serguilha na Corunha 2017

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“Premios Xerais” 2017: alfaia do sistema literario

Mais un ano tivemos que agradecer a confianza de Edicións Xerais no noso traballo de emisión e crónica visual do ditame, entrega dos Premios e posterior romaría na Illa de San Simón, no bandullo da Ría de Vigo. Este foi o resumo de outro día memorábel para a literatura galega e, por extensión, para a nosa cultura no seu conxunto. Para visualizar o vídeo da entrega de premios e as outras 15 entrevistas que realizamos a pé de illa pódese visitar Xerais TV.

Dúas recomendacións obrigadas: a) a páxina do operador de cámara e editor de vídeo nesta ocasión, Aser Orbán; b) a audición da canción de D-Laxe “As túas mans”, recuperada do para nós tan emocionante disco A Coruña Son 08 (froito daquel obradoiro de canción popular que tivemos a honra de deseñar e producir en tres ocasións) que paso a subir de novo á web (con licenza CC:BY-NC-SA):

 

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