Ramiro Torres: “A poesía é como a tónica, cando a probas non te convence, logo volves a ela e descobres novas texturas”

Ramiro Torres por Gabriel Ferreiro (2013)

Entrevista desde a Biblioteca Ágora da Corunha a Ramiro Torres. […]

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Liberdade, do Grupo Surrealista Galego

Avião Liberdade do Grupo Surrealista Galego, por Alfredo Ferreiro

Liberdade, caixa de artistas ou objeto-livro criado polo Grupo Surrealista Galego e produzido artesanalmente por Manchea a partir da versão galega do poema homónimo de Paul Eluard, realizada por Xoán Abeleira. Com gravuras de Alba Torres, Ana Zapata, Alfredo Ferreiro, Laura Sánchez e Tono Galán. […]

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Na esteira de Sefer Sefarad, de Pedro Casteleiro

Na apresentação de Sefer Sefarad, de Pedro Casteleiro, os poetas Alfredo Ferreiro, Táti Mancebo e Ramiro Torres leram textos próprios inspirados num poema do livro apresentado. O ponto de partida foram o verso “Nossa casa cheia de vozes enterradas nas paredes”, pertencente ao poema «A casa vazia». Ei os poemas recitados pelos amigos do autor:

Traição a Pedro Casteleiro

Nossa casa cheia de vozes enterradas nas paredes. Nossa casa de torrões, de minhocas e verdades perseguidas por toupeiras cegadas pola razão de seus dentes e suas garras.

Nossa casa lua cheia de sonhos e serpentes. Nossa casa oráculo mudo de vozes que se prostram e se erguem sobre a terra que não dorme que nos vela e não se rende.

Nossa casa cheia de nozes penduradas das paredes. Nossa casa de chocalhos, amores que nunca morrem, música que não perece.

Alfredo Ferreiro. Arteijo, 7 novembro de 2015.

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Nossa casa cheia de vozes enterradas nas paredes, plena de um vazio sem pausa quebrando os espelhos desde dentro, na distância infinita de toda razão que não se expanda como a luz no interior dos músculos abertos: eis-nos, entranhados e estrangeiros, cavando no invisível com as mãos em carne viva, avançando no eterno habitado como pura palpitação do real.

Ramiro Torres. A Corunha, 5 de novembro de 2015.

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Nossa casa cheia de vozes enterradas nas paredes Som de rocha, som de telha Som tamém no fundo de uma botelha Som de auga: pinga, pinga Som de palha: malha, malha Som de fume: lume, lume! Som de branco, som de azul O silêncio num baú As serpes do dessasossego som Requeixo abaixo ao lodeiro vou Som de sonho, som de sono Som de aqui, que aqui não tenho trono que soe o som Toc-toc Som eu Quem som Eu som O som. Táti Mancebo. Arteijo, 7 de novembro de 2015. * Nota: O evento decorreu na “Librería AZETA”, da Corunha, a 8 de novembro de 2015. Participaram, para além destes poetas e de Pedro Casteleiro, Estefania Blanco e Tito Calviño, voz e guitarra respetivamente. {Palavra comum}

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Herberto Helder, in memoriam

Ontem soubemos que um dos vultos da poesia europeia contemporânea, o poeta português Herberto Helder, iniciou o caminho de retorno. Se calhar ele nunca chegou a saber até que ponto foi o grande referente da poesia moderna para alguns de nós, neste pequeno país chamado Galiza que, sendo o berço certo da lusofonia, esquece cada dia a sua cultura enquanto sorve desesperado as essências da poesia. Somos assim, contraditórios até ao paroxismo, e isso talvez é que nos faz humanos e divinos, efémeros e eternos.

Obscuro e luminoso ao tempo, Helder foi um exemplo de compromisso com o trabalho interior que a poesia impõe, e que pouco tem a ver com a literatura, esse objeto mercantilizado que coisifica a espiritualidade da arte, mede o esforço, calcula os ganhos e contabiliza os aplausos: «[…] O prestígio é uma armadilha dos nossos semelhantes. Um artista consciente saberá que o êxito é prejuízo. Deve-se estar disponível para decepcionar os que confiaram em nós. Decepcionar é garantir o movimento. A confiança dos outros diz-lhes respeito. A nós mesmos diz respeito outra espécie de confiança. A de que somos insubstituíveis na nossa aventura e de que ninguém a fará por nós […]». Por isso nós hoje queremos escrever tão só umas breves linhas de homenagem, breves, seguindo a recomendação do mestre, porque é que a nós, mais do que a ele, dirão respeito.

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<em>Esplendor arcano</em>: Licuacións na materia

Lino García Salgado: «Por veces falar de poesía leva consigo determinados riscos, afortunadamente nada dramáticos, sobre todo á hora de enfocar a súa lectura ou no xeito no que determinados autores e autoras quedan encadrados en adxectivos tan esplendorosos dos que é difícil fuxir. Ramiro Torres escribe poesía surrealista, tal e como se desprende da súa propia definición ao formar parte do colectivo de escritores surrealistas galegos, mais… quizais isto non sexa o importante, non para el senón para quen tivemos a oportunidade de gozar dos seus poemas dende un punto de vista máis aséptico e acabamos descubrindo un mundo líquido que navega polos nosos interiores a pouco que nos deixemos.

Fóra dos retrousos típicos e tópicos teremos que devolver as formas aos seus comezos, tal e como sinala Ramiro en parte dun poema de Esplendor Arcano. E como de xerme vivimos tamén dos seus versos podemos respirar en plenitude unha chuvia variada de vocabulario tan diverso como ben empregado dando apertura, en case todo o libro, a historias paralelas que semellan competir nunha carreira de fondo para ver quen chega antes ao padal do/a lector/a. Pero non soamente somos illas senón fontes bravas de materia configurando esa materia do universo que é a nosa medula sen dividir a parte máis vexetal da ósea. Perpetuar os hábitos encol da imaxinación nutre o perfil arcano que temos e no que Ramiro incide dun xeito valente e decidido, onde se recobra a efervescencia natural que nos fai sacudir de frío as arterias obstruídas dando paso á beleza desa ascendencia solar da que nos fala.

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<em>Transcendência</em>, música de Nenoescuro e poema de Ramiro Torres

Transcendência, música de Nenoescuro e poema de Ramiro Torres […]

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Deslize (música e vídeo) e Ramiro Torres (poema)

Esta é primeira colaboração inter-artes Galiza – Portugal, A Besta e Revista Palavra Comum, com música de DESLIZE (Hélder José e João Sousa) e poema de Ramiro Torres (do seu livro Esplendor Arcano, publicado no Grupo Surrealista Galego). O vídeo é de João Sousa (com a colaboração de Ana Sêrro). […]

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Nuno Viegas (fotografia), Ramiro Torres (poema) e Deslize (música), com João Sousa e Hélder Azinheirinha

Esta foto provém de O Pára-quedas de Ícaro, de Nuno Mangas-Viegas.

O mundo divide-se em pequenas fendas iluminadas desde dentro por um mesmo animal subterrâneo, como uma brancura súbita nascendo no centro do olho ao começo da noite que sangra entre as pálpebras e o insólito. Somos músicas desterradas, ilhas fulgurando nas mãos estranhas a qualquer tacto, caminho desfazendo-se aos nossos pés até ser cosmografia de um universo recriado como nomes dançantes na espiral de uma ingravidez absoluta.

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“Vibrações iluminadas”, por Ramiro Torres

Três poemas de Ramiro Torres publicados no blogue da Confraria do Vento (Brasil). […]

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