“Os aforismos do riso futurista (Autores galegos polo aforismo)”

Os textos acima publicados pertencem ao livro Os aforismos do riso futurista (Autores galegos polo aforismo), coordenado por Francisco Pillado e Xavier Seoane (Edicións Xerais, 2017). […]

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“Peles especuladas”

“Peles especuladas” é uma fotografia de Paula Gómez del Valle, em diálogo com dous poemas de Ramiro Torres e Alfredo Ferreiro. […]

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Na esteira de Sefer Sefarad, de Pedro Casteleiro

Na apresentação de Sefer Sefarad, de Pedro Casteleiro, os poetas Alfredo Ferreiro, Táti Mancebo e Ramiro Torres leram textos próprios inspirados num poema do livro apresentado. O ponto de partida foram o verso “Nossa casa cheia de vozes enterradas nas paredes”, pertencente ao poema «A casa vazia». Ei os poemas recitados pelos amigos do autor:

Traição a Pedro Casteleiro

Nossa casa cheia de vozes enterradas nas paredes. Nossa casa de torrões, de minhocas e verdades perseguidas por toupeiras cegadas pola razão de seus dentes e suas garras.

Nossa casa lua cheia de sonhos e serpentes. Nossa casa oráculo mudo de vozes que se prostram e se erguem sobre a terra que não dorme que nos vela e não se rende.

Nossa casa cheia de nozes penduradas das paredes. Nossa casa de chocalhos, amores que nunca morrem, música que não perece.

Alfredo Ferreiro. Arteijo, 7 novembro de 2015.

*

Nossa casa cheia de vozes enterradas nas paredes, plena de um vazio sem pausa quebrando os espelhos desde dentro, na distância infinita de toda razão que não se expanda como a luz no interior dos músculos abertos: eis-nos, entranhados e estrangeiros, cavando no invisível com as mãos em carne viva, avançando no eterno habitado como pura palpitação do real.

Ramiro Torres. A Corunha, 5 de novembro de 2015.

*

Nossa casa cheia de vozes enterradas nas paredes Som de rocha, som de telha Som tamém no fundo de uma botelha Som de auga: pinga, pinga Som de palha: malha, malha Som de fume: lume, lume! Som de branco, som de azul O silêncio num baú As serpes do dessasossego som Requeixo abaixo ao lodeiro vou Som de sonho, som de sono Som de aqui, que aqui não tenho trono que soe o som Toc-toc Som eu Quem som Eu som O som. Táti Mancebo. Arteijo, 7 de novembro de 2015. * Nota: O evento decorreu na “Librería AZETA”, da Corunha, a 8 de novembro de 2015. Participaram, para além destes poetas e de Pedro Casteleiro, Estefania Blanco e Tito Calviño, voz e guitarra respetivamente. {Palavra comum}

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Pela tolerância ortográfica

Poema de Alfredo Ferreiro. […]

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Herberto Helder, in memoriam

Ontem soubemos que um dos vultos da poesia europeia contemporânea, o poeta português Herberto Helder, iniciou o caminho de retorno. Se calhar ele nunca chegou a saber até que ponto foi o grande referente da poesia moderna para alguns de nós, neste pequeno país chamado Galiza que, sendo o berço certo da lusofonia, esquece cada dia a sua cultura enquanto sorve desesperado as essências da poesia. Somos assim, contraditórios até ao paroxismo, e isso talvez é que nos faz humanos e divinos, efémeros e eternos.

Obscuro e luminoso ao tempo, Helder foi um exemplo de compromisso com o trabalho interior que a poesia impõe, e que pouco tem a ver com a literatura, esse objeto mercantilizado que coisifica a espiritualidade da arte, mede o esforço, calcula os ganhos e contabiliza os aplausos: «[…] O prestígio é uma armadilha dos nossos semelhantes. Um artista consciente saberá que o êxito é prejuízo. Deve-se estar disponível para decepcionar os que confiaram em nós. Decepcionar é garantir o movimento. A confiança dos outros diz-lhes respeito. A nós mesmos diz respeito outra espécie de confiança. A de que somos insubstituíveis na nossa aventura e de que ninguém a fará por nós […]». Por isso nós hoje queremos escrever tão só umas breves linhas de homenagem, breves, seguindo a recomendação do mestre, porque é que a nós, mais do que a ele, dirão respeito.

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Traição a Rosalia de Castro

No dia de hoje, 24 de fevereiro, coincidindo com o Dia de Rosalia de Castro, foi publicado o livro digital 150 Cantares para Rosalía de Castro, uma iniciativa de Suso Díaz em que tive a honra de participar com mais uma traição, que agora aqui publicito numa nova versão galego-portuguesa conforme à edição de Cantares galegos da Academia Galega da Língua Portuguesa. O livro pode-se descarregar desde a página da Fundación Rosalía de Castro, que desde já alberga esta obra coletiva. A publicação, que ia ser apresentada publicamente na Casa de Rosalía de Castro no próximo sábado 7 de março, ás 18 hs, fica adiada sem data devido a causas pessoais.

Traição a Rosalia de Castro

Ai, se não me levais pronto, bafos demoníacos, airinhos da minha terra; se não me levais, airinhos e alentos sepulcrais onde o mar se esgota e a terra se queima, nem demos lindos nem anjos banais quiçá já não me conheçam. Que a ledice que comigo medra, que a febre que de mim come, uma faz com que sobre o monte voe, outra vai-me consumindo lenta. E no meu coraçãozinho que amores e maldições acolhe, uma libera-me nas asas do vento, outra também traidora se ceiva.

Nota: Em itálico figuram os versos originais de Rosalia de Castro.

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História de um guarda-chuva vermelho

A música de Karlheinz Stockhausen, pertencente à obra Tierkreis, da qual se extrai este Gemini (1975), foi interpretada na XLI Semana de Música do Córpus de Lugo, pelo Black Cage Ensemble (com Antonio Badenas, oboé, e Alejandro Troya, saxo tenor) com videoprojeções de Xacobe Meléndrez. Do mesmo jeito em que se estabelece um diálogo entre música e imagem, produz-se a conexão do vídeo com o poema de Alfredo Ferreiro, o resultado é uma peça artística multidisciplinar sugestiva e ambígua, que aprofunda na identidade e a experiência e se abre a múltiplas interpretações. […]

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Nova lei

Dissecar um corpo para abri-lo como um estandarte, eis a última recomendação da Associação das Facas Unidas. É preciso liberar-nos da opressão das costelas, uma prisão de osso derivada duma reminiscência calcária demasiado antiga e falaz. Não precisamos esses espartilhos antediluvianos, assim que procedamos já. Quem tiver sua faca pronta, não deve aguardar mais; quem não, consulte seu farmacêutico ou seu sacerdote, ao mesmo dá, mas nunca tome suas decisões só. Lembre: seu corpo não lhe pertence e deve dar graças pelo fato de o poder usar. É a Lei do Livre Comércio de Cidadãos.

{Grupo Surrealista Galego}

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Haiku sobre a violência machista (III)

Insuela (Palmeira – Ribeira)

 

Presa do ódio, cativa de um amor enfurecido.

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