Apresentação de “Ágora”, de Samuel Pimenta

Apresentação do livro Ágora na livraria Sisargas da Crunha (Galiza), com Pedro Campos (música e voz), Iolanda Aldrei, Pedro Casteleiro e o próprio Samuel Pimenta.

{Palavra Comum}

Carlos Pazos-Justo no Culturgal: A imagem da Galiza em Portugal

Carlos Taibo no Culturgal: O penálti de Djukić

O penálti de Djukić de Carlos Taibo: apresentação no Culturgal 2016 (Ponte-Vedra) com Tiago Alves Costa e o autor.

Bolcheviques 1917-2017: Teresa Moure (coord) no Culturgal

Bolcheviques 1917-2017, por Teresa Moure (coord.)«Em 2017 a Revolução Bolchevique faz 100 anos. Boa parte dos acontecimentos deste século pode interpretar-se em relação ao impacto internacional desses ideais revolucionários e à forma como se puseram em prática: alinhamento de países e guerra fria, competitividade entre o bloco socialista e o bloco capitalista, confrontados no campo ideológico mas também no tecnológico e no militar. Paralelamente, produzia-se um conflito subterrâneo que rompia as fronteiras geográficas: filosofias dissidentes introduziam esse cerne ideológico em novas esferas do pensamento; contraofensivas, como as políticas do bemestar, controlavam o avanço do socialismo em países capitalistas; conceções artísticas, símbolos e vanguardas sociais desenhavam um novo mundo. Tudo ficou alterado. Cem anos depois, a velha guarda comunista aproveitará para reivindicar o legado transformador do bolchevismo; o pensamento ultra-liberal para expor à luz alguns episódios de violência e opressão na sua face mais escura.

Este livro pretende ser o contributo galego para essa necessária revisão; uma maneira de participar neste território da Galiza na voragem, se não daqueles acontecimentos, sim da reflexão sobre o seu impacto histórico e ideológico. Bolchevismo e bolchevismo na Galiza.

Duas editoras, a Xerais e a Através, aceitaram um plano sem precedentes: construírem juntas um único livro em dois volumes, marcando uma via de confluência e de inspiração para a convivência das tradições políticas e ortográficas de quem defende neste país a vitalidade da nossa língua e do ensaio redigido nela.» [Através Editora]

Revista DiVersos 23

revista diversos 23Prometia a DiVersos abrir mais sua porta a galegos e assim foi que aconteceu no número 23, outorgando à minha poesia um espaço que muito me honra e mais hei de agradecer. É uma mostra indubitável de que a natural irmandade galaica ancestral continua a ser honrada além do Minho, e que muito mais nestes tempos havemos de nos esforçar por alimentar. Eis alguns dos poemas que publiquei na revista por cortesia do amigo José Carlos Marques:

Não me digais que andar
é cozinhar os passos com tempero amargo,
mastigar depressa a brisa dum amor pequeno,
vender a barriga ou por palha trocá-la.
Se as asas do amor
não fossem para a nossa alma
outras esmolas nos darão reinados
no coração certo dum amor mais amplo.
Não castigueis essa pena,
símbolo errático, ligeiro coração
dum diminuto destino a toda a parte aberto.

[Anto, nº 2, Amarante: 1997]

***

Frágua

No vapor do aço
que por tudo se estende
ascendem as almas
de pássaros esquálidos.
Nasceram nas mãos sudorosas
do entardecer,
quando uma cadeia
de corações atingia
um calor vulcânico.
Quando o espaço ardia
na lareira dos sentidos.
Era a festa dos gritos,
a roda dos pés ardentes
sobre a prancha zincada das horas:
uma febre que a noite
não conseguia emudecer.
A vida neste lugar
tem suas próprias regras,
governa-se pela combinação
de engrenagens e fantasmas.
São forças contrárias
trançadas pelo acaso,
uma singular e perversa
protuberância do mundo
que só em cativeiro se reproduz.

[Metal central, A Corunha (Galiza): 2009]

***

Desvelado

I
Desvelado
o poeta vê-se obrigado
a desfazer-se da pedra
que lhe nasce na mão.

Lança a pedra para o lado
e segue o caminho
que esta descreve
na parábola da inspiração.

O poeta lança a pedra
e pousa a mão
no peito.
Protege assim um castelo
em que cada ameia
é um verso erguido
e a ponte tendida
uma oferta para visitar
os museus do amor.

Lança o poeta a pedra
e pousa a mão
no peito.
Uma antiga dor
alimenta com tinta e pedras
um manso dragão.

II
Desvelado
o poeta tece
uma prenda única
com fio sentimental.

Veste de branco
o medo,
veste de verde
o deserto,
veste sem roupa
o amor.

Porque o amor
é nudista.

III
Desvelado
o poeta sorve
uma paixão
no silêncio.

No silêncio
em que mana
a lágrima
do sol.

IV
Desvelado
o poeta descobre
o mistério irresolúvel.

Uma verdade solúvel
no coração.

[Inéditos, de Teoria das ruínas]

***

DiVersos: «A natureza foi desde sempre um dos temas predominantes da poesia universal e com especial força em algumas épocas. Modernamente, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, essa presença tem vindo a apagar-se, com o ser humano e os horizontes humanos a ocupar quase exclusivamente a boca da cena. Nas exceções, nota-se que, tanto ou mais que a admiração, a contemplação ou exaltação de épocas anteriores, se observa a par delas a consciência e o lamento da sua destruição pela civilização (ou barbárie) atual em grau historicamente nunca igualado. Contemplação, exaltação e requiem estão presentes nos três poetas – paulo da costa, Reiner Kunze e Ricardo Lima – com que aqui se inicia a etiqueta «Poesia e Natureza». Tal não quer dizer que a temática destes poetas seja exclusivamente a natureza. Mas apenas que a sua poesia, pelo menos nos poemas aqui inseridos, tem a natureza como presença forte. E, claro, haverá poemas que, sem essa etiqueta, a poderiam ter. É já o caso neste número do poema «A ornitoptera», de Guido Gozzano.

Páginas: variável (160 no nº23)
Preço: 10€
ISSN: 1645-474X

Alfredo Ferreiro abre este número, na sequência do nosso renovado interesse pela poesia da Galiza (ver n.º 21). O seu nome consta da lista de poetas traduzidos que inserimos em cada número. É apenas uma maneira de referir a inclusão de poesia em galego. Versão, mais que tradução. Segundo a opção deste autor, a sua é escrita de acordo com a norma linguística de âmbito lusófono.

Dentre os poetas traduzidos destacamos a poetisa búlgara Zlatka Timenova, que escreve também em francês, de ambas as línguas traduzindo-se a ela própria para português. A autora trabalha e vive em Lisboa. É apenas a terceira língua eslava que a DiVersos inclui em tradução e a primeira em búlgaro, seguindo-se ao polaco (uma única vez) e ao russo (várias vezes). Desta última língua, um dos dois tradutores anteriormente incluídos é italiano, traduz para português e mora em Moscovo.

A DiVersos é talvez a publicação de língua portuguesa que mais poetas gregos traduz. Neste número inserem-se poemas de Michalis Ganás, mais uma vez em tradução de Rosa Salvado Mesquita. Ganás tinha já sido incluído há alguns anos na DiVersos em tradução de Manuel Resende.

Acrescem ainda neste número traduções do neerlandês (Remco Camport) e alemão (Francisca Stoecklin e Reiner Kunze).

Em língua portuguesa temos presentes neste número poetas portugueses como Isabel Cristina, Jorge Reis-Sá, Paulo Borges, Paulo Malekith e Ricardo Lima, pela primeira vez. Quanto a Deodato Santos, a Luís Quintais, e ao poeta luso-canadiano paulo da costa, colaboraram já antes pelo menos uma vez nesta série.

E temos também, na nossa língua comum, poetas brasileiros. Dois poetas que começaram a publicar no terceiro quartel do século XX, Anderson Braga Horta e Aricy Curvello. Deste último, «O Acampamento» pode considerar-se um curto poema épico da fronteira florestal do Brasil. De um poeta mais jovem, que já antes figurou na DiVersos, Wladimir Saldanha, inclui-se entre outros o poema «O Terceiro Mar», para nós notável também pela tessitura entrelaçada de temas da cultura e da história brasileira e portuguesa. Continuamos ainda a publicar jovens poetisas e poetas brasileiros graças aos bons ofícios de Elisa Andrade Buzzo, desta vez Greta Benítez e Izabela Orlandi. .

A DiVersos não tem distribuição comercial e apenas pode ser comprada diretamente ao editor, seja em números avulso seja em assinatura. Os números da DiVersos do n.º 2 (n.º 1 esgotado) ao n.º 15 custam €2,00 cada, os seguintes, €10,00 cada. Portes de correio variáveis conforme o peso. Para assinar uma série de quatro números (em Portugal: €30,00, para o estrangeiro, €38,00) ou para informações ou dúvidas, use os contactos gerais da página. Os novos assinantes ou os assinantes que renovem assinatura são convidados a escolher um dos títulos de poesia das Edições Sempre-em-Pé, que lhe será enviado gratuitamente como expressão de boas-vindas.»