“Peles especuladas”

Fotografia de Paula Gómez del Valle

Autora: Paula Gómez de Valle

 

Peles especuladas

Existe uma densidade na pele do mundo
que me aterra,
uma memória cicatrizada nos gritos
de bichos diminutos
e no silêncio do húmus
ultrajado mas sempre fecundo.
Por toda a terra o nosso umbigo aparece
em cada furo de grilo
e o nosso mamilo floresce
no cimo de um monte coroado pelo sol.
Pode a humanidade
ser rastejada na terra
como pode a epiderme do mundo
oferecer-nos uma sombra entre rugas
para o descanso do ser.

*

Nota: Poema tirado da anotação de Palavra Comum em que partilha espaço com outro poema de Ramiro Torres também inspirado na fotografia de Paula Gómez Del Valle.

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“Luz aprisionada”, Paula Gómez del Valle & Alfredo Ferreiro

Fotografia Luz aprisionada por Paula Gomez del Valle

Nossa amiga Paula Gómez del Valle vém de associar esta fotografia sua a um poema meu do livro Versos fatídicos (1994-2010), editado pelas Edicións Positivas em 2011.  O poema faz parte de um pequeno grupo de três textos automáticos que, sob o título “A aliá que nos mostra o caminho ~ Homenagem a Viola”, nasceu a partir da obra do pintor Manuel Viola. A fotografia, que não tinha título, por acordo mútuo passa a levar como título o segundo verso do poema que a seguir reproduzimos:

Caminho da trovoada
uma luz aprisionada.
Um instante de luxúria
antes do amanhecer do metal.
Uma catedral de gozo
e na mão o medo
fechando a compostura.
A lâmpada do coração a piscar
como uma torre quase extinta.
A distinção é precisa.
O ângulo, adverso.
A amizade dos astros,
demasiado custosa.

{Palavra Comum}

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“Cándido en la Asamblea”, de José Juan Díaz Trillo

Candido en la Asamblea na Corunha em 2017 por Alfredo Ferreiro

Apresentação ontem do livro Cándido en la Asamblea, de José Juan Díaz Trillo no “Ámbito Cultural de El Corte Inglés” na Corunha. Com a presença do autor, assim como de Ricardo García Mira, Pilar García de la Torre, Xavier Alcalá e José Manuel Blanco.

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Apresentação de “Ágora”, de Samuel Pimenta

Apresentação do livro Ágora na livraria Sisargas da Crunha (Galiza), com Pedro Campos (música e voz), Iolanda Aldrei, Pedro Casteleiro e o próprio Samuel Pimenta.

{Palavra Comum}

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Gata em chão de erva fria

Gata em chão de erva fria por Alfredo Ferreiro

“Gata em chão de erva fria” é uma fotografia de Alfredo Ferreiro tirada na Pedreira de Arteijo (Galiza) em 2016.

{Palavra Comum}

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O mal sempre espreita

O mal sempre espreita

“O mal sempre espreita” é uma fotografia de Alfredo Ferreiro tirada em Arteijo (Praia da Ucha) em 2016.

{Palavra Comum}

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Arquitetura vegetal

Arquitetura vegetal por Alfredo Ferreiro

{Palavra comum}

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Quedam poucos como Narf

Santiago Auserón Juan Perro e Fran Pérez Narf: homenaxe a Pepe Rubianes en Vilagarcía (2/2). Foto de Alfredo FerreiroPenso que poucos restam como ele, com tanto talento, tanta multidisciplinaridade e com tamanho espírito tribalista. Gostava nos últimos tempos, em que tantas atitudes reacionárias semelham querer impedir o progresso individualizado do país (a direita, como sempre) e até não deixar-nos evoluir (a esquerda) para as novas fórmulas que o iminente futuro reclama, de imaginar que uns dos capitães induvidáveis do necessário Tempo Novo havia de ser o Fran Pérez ‘Narf’. Agora só poderemos contar com a sua permanente presença nos nossos corações. É uma dura lição que devemos apreender: que o tempo foge e que é preciso aproveitá-lo enquanto os nossos irmãos permanecem ao nosso lado. Logo tudo pode ser bem mais difícil.

Trago para aqui estas fotos tiradas em 2009 aquando da homenagem ao Pepe Rubianes, aonde nos coubo a honra de apresentar-lhe o Santiago Auserón, artista que já nunca deixou de valorizá-lo, como podereis ver nos vídeos que ofereço a seguir. Do último disco com a Uxia, Baladas da Galiza imaxinaria, o artista saragoçano opinava no verão de 2015 que havia de ser uma obra realmente marcante, não só na Galiza mas no panorama espanhol.

Naquele encontro de Vila-Garcia apresentamo-nos como admiradores seus, no que só acreditou quando lhe demonstramos que cantávamos de cor todas as canções que criara para Rio Bravo, do grupo de teatro Chévere, mais de vinte anos antes. “Quedan poucos coma el”, é certo, mas  com certeza a sua musa ha de nos guiar polo melhor caminho.

Fotos e vídeos: Alfredo Ferreiro.

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