Cultura que Une 2016

Cultura que une 2016 - Díptico A4 (PT) A

Programa de Cultura que Une 2016: Maio em Ponte-Vedra – Junho em Vila Real. […]

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Pedro Casteleiro e Igor Lugris, em foco desde Portugal

Igor Lugris e Pedro Casteleiro, em foco desde Portugal. Curso de Linguística Geral (Através Editora), do primeiro, e Sefer Sefarad (Azeta Edicións), do segundo, figuram atualmente como obras poéticas finalistas no Prémio Literário Glória de Sant’ Anna. […]

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Cultura que Une: Letras Galegas 2016

Cultura que une: Letras Galegas 2016

Programa de Cultura que une com motivo das Letras Galegas 2016. […]

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Lusofonia XXV: “Un secador, unhas pinturas e unhas bolsas de té”

Santiago Jaureguizar: «[…] En Ferrol […] propuxeron á Real Academia Galega que dedique o Día das Letras 2017 a Carvalho Calero. Teñen moral, si. Sería bonito que a RAG deixe de tratar ao reintegracionistas como se fosen un partida de sediciosos do carlismo. Na rúa das Tabernas deben asumir que son os defensores máis íntegros e sacrificados do galego e que, se o noso idioma tivese un futuro —que non ten—, estaría máis cerca do portugués que do español. […]».

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«Aquém Minho nasceram as nossas letras»

Um dos principais problemas da Galiza é uma espanholidade mal ressolta. Quando essa espanholidade, que resta galeguidade, não é percebida a colonização é total; é para nós, em definitivo, um venenoso quadro de referências que está a operar sob a tona do quotidiano. Porque o problema é muitos galegos não assumirem a existência de uma espanholidade que elude o fato de a maior parte dos nossos genes culturais nos vincularem a Portugal muito antes do que à Andaluzia, a Castela, à Catalunha ou ao País Basco. Isso implica, é claro, um desconhecimento dos próprios recursos e, consequentemente, uma alienação que conduz à escravatura mental e social. Por esta causa é tão preciso que uma dose urgente de lusismo for inoculada no nosso corpo cultural.

Podemos os galegos ser oficialmente espanhóis e documentalmente estrangeiros em Portugal, mas referencial e culturalmente devemos é renunciar a ser cifras da nação espanhola. Para isto acontecer, só com que a língua, a literatura, a música e as artes portuguesas em geral fossem na Galiza tão bem recebidas como as espanholas da Andaluzia teríamos andado muito caminho. Trata-se de fazermos uma transfusão com sangue compatível, para continuarmos avançando em lugar de dia após dia sucumbir.

A Espanha ultrajou e danou tanto a cultura galega que um movimento galeguista progride do século XIX até aos nossos dias. Mas, qual a perspectiva do esforço galeguista até à data? Um só conceito resume tudo: Espanha. Tudo ou quase tudo o que foi revalorizado culturalmente na Galiza conseguiu-se apesar da Espanha ou como resistência a este Estado que, com rigor colonizador, pretende erguer a nação espanhola sobre as ruínas de outras nações hispânicas. Por isso é a hora de construir na Galiza um futuro alicerçado numa realidade central: a realidade histórica que afirma a língua da Galiza ser a certa matriz da lusofonia e que ao tempo ressalta a irmandade natural de galegos e portugueses, para além do convencional quadro espanhol que empece a nossa comunicação direta e o apoio mútuo.

Alfredo Ferreiro, 17 de maio de 2015

{A viagem dos argonautas}

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Próxima estação: galego-português

«Próxima estação: galego-português é uma proposta de viagem para o nosso idioma onde mais do que nunca trasladar-se implica transformar-se.

Uma viagem à procura do galego-português é comprovar que temos uma língua com a que podemos deslocar-nos miles de quilómetros por terra, mar e ar, por barco, bicicleta ou zepelim a Pernambuco, Rio de Janeiro, Porto, Luanda, Dili, Fonsagrada e Compostela, sempre que a nossa alfândega mental nos conceda uma passagem.

Em Próxima estação: galego-português precisamos pouca bagagem: apenas se nos permitirá um afinador de ouvido, um bom sentido musical para comunicar e uma imensa curiosidade como bússola.

À Próxima estação: galego-português chega-se também com a imaginação e as palavras. Só através delas atravessaremos os mundos criados por Fernando Pessoa, Sophia de Mello, Clarice Lispector, Pepetela, Rosalia de Castro e Mia Couto. Mundos que partilham todo um planeta – o NH- muito antes de que o vagão chegue o seu destino.

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Galegos no Jornal de Letras!

Há anos que sou assinante do JL e nunca como esta semana passada pude comprovar a presença de galegos no quinzenário, com uma longa entrevista a Ângelo Cristóvão e um artigo de página inteira do Carlos Quiroga. Para além de esporádicas referências à participação do mesmo Quiroga na Correntes d’ Escrita(s) da Póvoa do Varzim e outras do Elias J. Torres Feijó em representação da Associação Internacional de Lusitanistas, raro é achar nomes de galegos ou dados sobre as nossas atividades. Mas no número 1155 algo mudou, se calhar.

Foi efetivamente a Lei Paz-Andrade que pus as antenas lusas em alerta, e assim lemos o Cristóvão afirmar que a nova lei visa: «promover a língua portuguesa no sistema de ensino galego; estimular a produção e o intercâmbio de conteúdos em português nos meios de comunicação da Galiza; e integrar essa comunidade autónoma no espaço lusófono, nomeadamente na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Eis as três principais “linhas de trabalho” da lei para o Aproveitamento da Língua Portuguesa e Vínculos com a Lusofonia, também chamada lei Paz-Andrade, aprovada, por unanimidade, no Parlamento galego, em abril passado. Um consenso “histórico” que assinala um ponto de viragem na política linguística do governo galego…».

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Dois poemas no centenário da Primeira Grande Guerra

Uma guerra que começa com uma população a seguir o arame farpado da falsa democracia. Uma guerra que enche um carro de combate com a carne cega do proletariado. Uma guerra em que o povo carrega as poderosas metralhadoras do liberalismo. Uma guerra em que o Pai Natal troca renas por aviões para repartir bombas entre as crianças de Ocidente. Nada há mais eficiente do que a indústria excessiva da avareza, do controlo dos ganhos face a tanta vida perdida, tantas vesículas a rebentarem, tanto gás sufocante sob as asas de um poder que flameja. Milhares de soldados morrem para ganhar um metro de terra nos poros da fronteira. Onde os ganhos tirados, onde os usufrutos dos disparos? Quem reparará a rotura dos vasos sanguíneos de uma sociedade escrava que luta pelo seu genocídio?

***

Na trincheira, entre lama, merda e mijos a fio nem tornam o frio as parasitas nem faz companhia a baioneta enferrujada. A família está muito longe, muitos anos longe, muitas vidas longe, e só resta uma tão negra ao amanhecer não chegará. Todo um universo se amostra no fulgor de uma bomba que cai abeirada do último hálito, e entre explosão e explosão o tempo fica suspenso ou agoniza definitivamente. Os minutos são dentes a cair perdidos no chão para sempre. O sangue é oiro derramado que alimenta os prados agrestes. Após o florescimento da morte entre as unhas e a carne do medo nenhuma flor chorará quando abrir as pétalas ao vento.

Alfredo Ferreiro (em RIBEIRO, João Manuel (org.), Barricadas de estrelas e de luas. Antologia Poética no Centenário da Primeira Grande Guerra, Porto: 2013, Tropelias & Companhia, 13-16. Na antologia participaram também: António Ferra, António Mota, Aurelino Costa, Fernando Costa Branco, Francisco Duarte Mangas, Gisela Silva, João Manuel Ribeiro, João Paulo Cotrim, João Pedro Mésseder, Jorge Velhote, José António Franco, José Fanha, José Jorge Letria, José Viale Moutinho, Luísa Ducla Soares, Maria da Conceição Vicente, Maria Helena Pires, Nuno Higino, Pedro Teixeira Neves, Rui Zink e Sara Canelhas)

{Alfredo Ferreiro em Palavra comum}

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Elipse, revista literária galego-portuguesa

Vivemos tempos de incerteza devido ao rijo desamparo a que nos sometem os poderes fáticos, mais comprometidos com a gestão privada dos bens públicos do que com uma democracia digna de tal nome. As gentes sofrem e calam, choram e calam, trabalham por menos e vem minguar o pão na mesa, e por enquanto ainda comem e calam. Permanecemos aturdidos por uma triste realidade imposta desde a cima, como se de uma aterragem extraterrestre se tratasse, enquanto persistem inércias de cómodas épocas que logo haverão de virar tópico de papel couché, inércias que nos imobilizam enquanto a nossa sociedade, aquela que nos deu as merendas e nos mandou à escola, é arrastada pela corrente. Mas à par disto outras vontades põem-se em marcha e uma nova esperança floresce no campo que pisamos desde há  milhares de anos. É o caso da revista literária galego-portuguesa Elipse, a que damos a benvinda e que já vimos de assinar por três números:

«O primeiro projeto de Círculo Edições é lançar uma revista literária que sirva de ponto de encontro para aquelas pessoas que desfrutamos com as diferentes formas em que se manifesta a arte de manejar a língua. Publicaremos três números por ano (em fevereiro, junho e outubro), em formato digital (epub e PDF) e em papel. Os conteúdos serão variados: incluem a poesia, o relato curto, o ensaio e traduções. As secções corresponderão com estes conteúdos. Ademais de estas secções variáveis programamos duas secções fixas. Uma dedicada a um autor ou a uma autora, que será proposto pelo Conselho Editorial e uma outra dedicada a um clássico da literatura galego-portuguesa como homenagem e em memória do nosso passado comum».

Mais informação no web da editorial.

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