Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Jornalismo, Língua, Lusofonia

Renato Epifânio (Público): «[…] Dois anos após a sua aprovação, chegam-nos porém notícias preocupantes sobre a real implementação da Lei Paz-Andrade. A expansão do ensino da língua portuguesa – que foi de 850 no curso anterior para 1850 alunos no presente ano –, deveu-se exclusivamente à iniciativa dos pais dos alunos ou das entidades culturais privadas, sendo que o Governo Autónomo não transmitiu, a este respeito, qualquer instrução nem informação aos responsáveis dos centros escolares, parecendo assim não estar minimamente empenhado na real implementação da referida Lei. Quanto à rádio e televisão públicas, apenas se regista, para além das colaborações no programa “Aqui Portugal”, da RTP, a edição da banda desenhada “Os Bochechas”. Ignoramos se a RTP tem, a este respeito, alguma outra colaboração prevista.

Entretanto, fomos informados de que a candidatura do “Consello da Cultura Galega”, organismo público financiado pelos contribuintes galegos, ao estatuto de Observador Consultivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), foi aprovada por unanimidade pelo Comité de Concertação Permanente da CPLP. Constatando que esta entidade tem defendido publicamente que “a língua galega é independente da língua portuguesa” (sic), perguntamos que sentido faz aceitar na CPLP uma entidade que promove o isolacionismo, ao invés da convergência linguística e cultural com os restantes países e regiões do espaço lusófono. A nossa perplexidade é tanto maior porquanto, em 2011, como então denunciámos, Portugal vetou a candidatura da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa – esta sim, uma verdadeira instituição da sociedade civil e realmente pró-lusófona – ao mesmo estatuto de Observador Consultivo da CPLP.»

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«A farsa galega: sobre a implementação da “Lei Paz-Andrade”»

Citação
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Jornalismo, Língua, Sistema literário

Os desígnios da Corte

Galicia ConfidencialMaría Xesús Pato já é numerária da Real Academia Galega, o que implica ter prestado homenagem simbólica à monarquia espanhola. Lá vai uma intelectual galeguista, esquerdista, feminista e se calhar independentista absorvida polo sistema espanholizante do Estado. Lembro ter pensado antes algo similar aquando da entrada de Manuel Rivas: “Será mais um espírito galeguista e contestatário assolagado nas marismas do Sistema?”. E que podemos lembrar do affaire Ferrín, outrora símbolo vivo da atitude nacionalista mais rebelde e comprometida, que houvo de abandonar a madrigueira da espanholeira instituição arreganhando os dentes depois de ter sido acusado (explicita ou implicitamente) de beneficiar familiares com postos de trabalho, retribuição indevida e choferismo burguês?

Alfredo Ferreiro por ele próprioTenho para mim que o Sistema espanhol, a respeito destes e doutros elementos muito valiosos em multidão de aspetos artísticos e intelectuais, esfrega as mãos ao comprovar o poder atraente das atalaias institucionais que perpetuam seu poder. Escritores e escritoras, por sua parte, olham para o lado enquanto reconhecem suas debilidades de simples mortais e rogam o indulto a quem nalgum momento pensou que podiam ser heroínas.

Mas voltemos ao nomeamento recente da RAG: havia outra candidata, com mais anos, mais obra e certamente não menos feminismo às costas que ficou mais um ano abandonada na berma da autoestrada académica: María Xosé Queizán. Porque? Será que a sua atitude — atrevamo-nos a dizê-lo tudo — rigorosamente crítica com a chamada de “normativa oficial” do galego, nascida duma sorte de golpe de estado na RAG acontecido na década de 80, pudo impedir seu ascenso a esse “panteão dos vivos”. Chegados cá, não vamos restar méritos à tão reconhecida Chus Pato, mas é evidente que os méritos que o sistema vê não são aqueles para nós mais prezados.

Dirão alguns académicos que as decisões e as atividades da RAG não são sempre de seu gosto, e que os resultados do seu esforço são governados por uma fórmula por vezes injusta ou errada (cfr. homenagem ao franquista Filgueira Valverde). No entanto, como o pão dos mesmos não depende de tal vínculo institucional, por virtude do mesmo são responsáveis sem atenuantes pola espanholidade que emana, o elitismo burguês que desprende e o carácter antidemocrático que como clube representa.

Pode que quando a RAG nasceu fosse o tobo necessário de uma primária política galeguista, que mesmo a sua sobrevivência durante a ditadura fosse conveniente, mas depois de quarenta anos de castigadora pseudodemocracia é mais um baluarte do Ancien regime espanhol que debilita a nossa mais independente energia social. E nada tem a ver com aquilo que um espírito democrático e moderno -que antiga palavra!- pode hoje defender à hora de construir o futuro do país.

{Galicia Confidencial}

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Foto de presentação do 82 congresso do Pen Club internacional em Ourense
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Jornalismo, Sistema literário

Jaureguizar sobre o congresso do Pen: “Uns señores e unhas señoras mantidos”

Jaureguizar: «[…] O domingo pasado estiven tratando de informarme dos debates e das decisións que se tomaran no 82º Congreso do PEN Internacional, que se celebrou en Ourense. Non era nada persoal, soamente curiosidade de contribuínte. Toda a noticia que recibimos no xornal foron unhas fotografías duns señores e dunhas señoras mantidos, que sorrían o seu agradecemento á restauración ourensá, pero non atopei nin un mísero resumo dunha conferencia. O congreso pasou por internet de modo limpo e inane. Acordaran falar sobre a liberdade de expresión no mundo, pero nin Raúl Castro de Cuba nin Mohamed VI de Marrocos poden saber a que escritores deben liberar se ninguén os informa […]». {Cfr. El Progreso: “Non levamos pistola á xuntanza familiar”}

Também se pode dizer que, se bem semelha que acudiram mais de duzentas pessoas, o número de autores e autoras conhecidas galegas não parece passar da meia dúzia, se contarmos —exceção feita dos membros da diretiva— as pessoas observadas em mesas, atuações e palestras (cfr. Programa congresso Pen 2016 em PDF e referências abaixo). Por isso não nos admira que, nesta escasseza, chegássemos a saber que destacados escritores galegos de Ourense nem foram convidados ao evento. Paradoxalmente, cabe ressaltar que não poucas foram as instituições galegas promotoras do evento: Deputación de Ourense, Concello de Ourense e Xunta de Galicia.

Cfr. Joanne Leedom-Ackerman: Building Literary Bridges: Past and Present

Cfr. Heunggongyan: Writing and Freedom

Cfr. PEN CLUB – Vimeo from caprichodigital on Vimeo.

Cfr. TVG2: “Clausurado en Ourense o Congreso do Pen Internacional”

Cfr. La Voz de Galicia: “Galicia como escenario y conexión literaria”

Cfr. El Correo Gallego: “Kätlin Kaldmaa, secretaria internacional do PEN Club”

Cfr. CRTVG: “Congreso do Pen Internacional en Ourense”

Cfr. HD&T: “Inaugurado o 82º Congreso do PEN Internacional en Ourense”

Cfr. Deputación de Ourense: Inauguración do 82º Congreso do PEN Internacional, no Teatro Principal”

Cfr. Galicia24Horas: “O 82 Congreso do PEN Internacional acolle en Ourense a mostra “Libertas””

 

[Artigo também publicado em Laduda.net.]

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Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Jornalismo, Língua, Sistema literário

Debates político-literários

Xavier Alcala por Nifunifa«Há tempos que, por regra, não há debates de peso na intelectualidade do país. Será que a vida política, que balança do roubo nas arcas públicas ao messianismo mais superficial, produz um fastio paralisante nas plumas galegas. Mas existem, no entanto, exceções como o Xavier Alcalá, que vem livrando em solitário uma guerra pola dignidade do Centro Pen de Galicia, segundo as declarações que como aprendiz de outsider não deixo de seguir (cfr. “Centro Pen” no blogue O levantador de minas).

Nesta ocasião o professor Alcalá houvo de trazer para a mesa velhos argumentos para defender algo básico: não se pode falar em literatura galega —enquanto a língua galega ainda não desaparecer— sem assumir que a escolha linguística é uma marca de galeguidade incontornável. Continue reading

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Praia de Arteixo por Alfredo Ferreiro PraiaArteixo 2011
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Jornalismo, Prémios literários, Sociedade

Agustín Fernández Paz, esse matriota

Fico farto de tanto patriota. De tanto agente intelectual que trabalha a pátria desde a concorrência, o estabelecimento de capelinhas, de privilégios, do pedigree sustentado em influências, na perpetuação no poder e na conivência com os chiringuitos. É uma atitude patriarcal que tolera o autoritarismo e faz sucumbir os sentimentos de irmandade, companheirismo e solidariedade (cfr. Cartas a Emilia Pardo Bazán, de Teresa Barro). É de fato o que o sistema antidemocrático espanhol precisa para subsistir sob o ténue manto da democracia. Continue reading

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