Foto: Táti Mancebo, Inês Sampaio e José Pinto em Arteijo (Galiza), por Alfredo Ferreiro.
Alfredo Ferreiro, Bestiário cultural, Colaborações:, Fotografia

Magia à beira do oceano

 Muitas vezes minha filha me tem perguntado se acredito em fadas, ou na magia, o que vem dar na mesma, e sempre lhe tenho dito que sim, como agora mesmo acredito, embora em certos contextos limite a minha asseveração ou eluda uma resposta direta por medo à incompreensão de um público pouco propenso ao poético. Para mim o poético é mais abrangente que o racional, inclui este e o transcende vinculando o mensurável aos inúmeros mistérios da vida, e aí tento ter sempre presente o legado surrealista assim como as mais antigas tradições. O verdadeiro conhecimento consiste em descobrir essas ligações, e a atitude mais sábia intuirmos a sua existência.

 A foto que hoje ofereço não representa para mim tão só um instante, mas um sentimento globalizante que parte de mim e abrange a terra e o mar, as pessoas com seus limites e potências, a vida como uma conta que não deixa de somar e da que convém lembrarmos os resultados mais positivos. Foi mercê ao projeto Cultura que Une que conhecemos a Táti Mancebo e eu a Inês Sampaio (música e poeta) e o José Pinto (poeta e performer) em Vila Real, que logo veio juntar-nos de novo em Ponte-Vedra em volta de mais um recital. A continuação partilhámos novas experiências juntos em Coristanco (recital musical improvisado na casa do Júlio e a Sónia, degustação do polvo à feira pescado e cozinhado pelo poeta Xosé Iglesias…).

A compreensão mútua foi tanta, a harmonia na perceção poética tão grande que a magia não podia senão fazer-se presente quando acudimos à Praia de Repibelo. Nesta foto podeis ver como perante a Táti a Inês está a acarinhar a energia poética do Atlântico norte e o José consegue mesmo apresar uma porção da força criadora do oceano.  Hoje o José Pinto está em Cabo Verde e a Inês Pedrosa em Amarante, ambos os dois, se calhar, como nós, alimentando a inspiração com os tesouros que apanhámos juntos durante o verão.

Foto: Táti Mancebo, Inês Sampaio e José Pinto em Arteijo (Galiza), por Alfredo Ferreiro.

{Palavra Comum}

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cultura que une pontevedra 2016
Alfredo Ferreiro, Breves, Colaborações:, Poesia, Sociedade

Cultura que Une floresce em Ponte-Vedra

cultura que une pontevedra 2016

Depois de ter desfrutado em Vila Real da hospitalidade, a arte e a beleza d@s vila-realenses assim como do bom fazer dos organizadores supra-minhotos, mais um ano, de Cultura que Une, toca-nos acudir ao outro polo do eixo projetado para 2016: Ponte-Vedra. Eis uma mostra do que se mostrará no quadro da melhor irmandade cultural e comercial galego-portuguesa: Continue reading

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Proximamente acudiremos a Alhariz e Vilar de Santos para falarmos da nossa revista palavracomum.com e do último projeto de edição do Grupo Surrealista Galego.Cultura que une: Letras Galegas 2016

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Alfredo Ferreiro, Breves, Colaborações:, Colóquios, Lusofonia, Tati Mancebo

Cultura que Une: Letras Galegas 2016

Programa de Cultura que une com motivo das Letras Galegas 2016.

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Terra coletanea publicada de fotografos e poetas galegas e portuguesas publicada por Cultura que une 2015
Alfredo Ferreiro, Colaborações:

Terra, edição de “Cultura que une”

Terra é um livro coletivo editado pelo projeto transminhoto «Cultura que une», uma aposta galego-portuguesa por fazer da antiga cultura galaica comum, muito mais extensa do que os limites políticos e territoriais da atual Galiza, uma experiência do nosso tempo. Não se trata de mover ou eliminar fronteiras mas de viver como se elas não existissem, nem de concorrer pelos méritos do passado ou do pressente mas desfrutar do convívio natural a que uma mesma terra nos convida desde há milénios.

É nessa sequência que nasceu a primeira publicação de Cultura que une, um livro iluminador que tudo o conta já no título: Terra. Consiste numa coletânea de fotógrafos e poetas galegas e portuguesas que partilham por pares suas particulares maneiras de ocupar a folha em branco. De partida, as fotografias foram propostas e a seguir os poemas, inéditos e não só, foram aconchegados para fornecer outros pontos de fuga.

Fotografia: António Pinto, Anxo Cabada, Catarina Almeida, Diogo Cardoso, Fernando Ribeiro, Iván Merayo, João Madureira, Maribel Valdivieso Varela, Santi Amil, Xosé Luís Alonso.

Poesia: Alfredo Ferreiro, Amadeu Baptista, António Fortuna, Berta Dávila, Carlos Da Aira, João Madureira, José Braga-Amaral, Ramiro Torres, Virgínia do Carmo, Yolanda Castaño.

Uma versão áudio-visual dos conteúdos pode achar-se no Canal Culturaqueune.

Disponível na Galiza na livraria Aira das Letras de Alhariz e em Portugal na Traga-Mundos de Vila Real.

Fotografia Frigindo os rojoes no pote por Joao Madureira

Frigindo os rojões no pote, por João Madureira

ARDER

Arder, aquecer no pote
o tempo e perceber o doce sabor
de aquilo que nasce
aquilo que morre
aquilo que mora no bordo da existência,
como um fungo que raramente aparece
e logo se oculta, fugitivo insensato
na derme sacra da terra
nas leves asas do vento
nas iriadas brânquias do mar,
que em nenhum lugar permanece
por ser apátrida sempre
onde outros erguem bandeira
e defecam pomposamente.
Caminhar sem tempo
alargadamente num único latejo
pela imagem da lua que dança
na marisma de um pensamento cordial,
maravilha do sacro no quotidiano.

Alfredo Ferreiro. Inédito

*

«A Galiza e o norte de Portugal, filhos de uma mesma cultura que ficou truncada, não tanto na época em que D. Afonso Henriques proclamou a independência do Condado Portucalense, mas sim quando foram implantados os tratados de limitação de fronteiras por estados liberais fortemente jacobinos e centralistas ao longo do século XIX.
Nas duas primeiras décadas do passado século XX, intelectuais e criadores galegos e portugueses falaram da necessidade do reencontro. Mas as violências do século XX, nomeadamente as ditaduras, a Guerra Civil Espanhola, a repressão, as dificuldades económicas que afectaram os povos ibéricos pareceram silenciar este diálogo que, na forma de encontros entre arqueólogos, escritores, filólogos, etc., continuaram à margem do discurso oficial.
Amarante é um referente para este reencontro e também encontro. A figura de Teixeira de Pascoaes, grande admirador de Rosalía de Castro (Pascoaes escrevia a Risco que haveria de se lhe fazer uma homenagem) foi um referente simbólico para uma intelectualidade galega. E não só Pascoaes. Também Leonardo Coimbra, Santos Júnior, Carlos de Passos, Hernâni Cidade, Rodrigues Lapa, Vicente Risco, Viqueira, Noriega Varela, Castelao, Filgueira, Jenaro Marinhas del Vallhe, Valentín Paz Andrade, Carvalho Calero, são um bom exemplo de intelectuais que, em algum momento da sua vida, trabalharam para o reencontro.
Mas se é necessário o reencontro também é igualmente necessária a redescoberta de um património cultural que teve origem no território da Gallaecia romana e que teve na língua galaico-portuguesa a sua fonte de criação. O património comum galaico-português faz parte do acervo da humanidade em criações tão singulares como as cantigas medievais da nossa lírica que transparecem uma rica tradição oral onde beberam os trovadores. A cultura popular comúm que manteve a sua vitalidade até ao presente, apesar da fronteira política, debe obter o seu maior reconhecimento mediante a inscrição na Lista Representativa do Património Imaterial da Humanidade da UNESCO.
A aprovação a 11 de Março de 2014 pelo Parlamento Galego da Lei Valentín Paz-Andrade, fruto de uma Iniciativa Legislativa Popular, publicada no DOG de 8 de Abril de 2014, convida-nos, e até certo ponto obriga-nos, a aprofundar o esforço do reencontro.
Para contribuir para fazer da Lei realidade, damos impulso às seguintes actividades a desenvolver em Amarante e na Corunha nesta edição de 2015, que esperamos que não seja a última. A eleição destas duas cidades para a presente edição não é arbitrária. Se Amarante tem a força simbólica de Pascoaes, a cidade da Corunha é onde está a sede da Academia Galega, instituição civil constituída por aqueles que pensavam no ressurgimento da Galiza.
»

{Cultura que une}

Proximamente culturaqueune.com

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