Colaborações:, Críticas e referências, Jornalismo, O levantador de minas, Ramiro Torres

Esplendor arcano: Licuacións na materia

Lino García Salgadoesplendorarcano_ramirotorres: «Por veces falar de poesía leva consigo determinados riscos, afortunadamente nada dramáticos, sobre todo á hora de enfocar a súa lectura ou no xeito no que determinados autores e autoras quedan encadrados en adxectivos tan esplendorosos dos que é difícil fuxir. Ramiro Torres escribe poesía surrealista, tal e como se desprende da súa propia definición ao formar parte do colectivo de escritores surrealistas galegos, mais… quizais isto non sexa o importante, non para el senón para quen tivemos a oportunidade de gozar dos seus poemas dende un punto de vista máis aséptico e acabamos descubrindo un mundo líquido que navega polos nosos interiores a pouco que nos deixemos.

Fóra dos retrousos típicos e tópicos teremos que devolver as formas aos seus comezos, tal e como sinala Ramiro en parte dun poema de Esplendor Arcano. E como de xerme vivimos tamén dos seus versos podemos respirar en plenitude unha chuvia variada de vocabulario tan diverso como ben empregado dando apertura, en case todo o libro, a historias paralelas que semellan competir nunha carreira de fondo para ver quen chega antes ao padal do/a lector/a. Pero non soamente somos illas senón fontes bravas de materia configurando esa materia do universo que é a nosa medula sen dividir a parte máis vexetal da ósea. Perpetuar os hábitos encol da imaxinación nutre o perfil arcano que temos e no que Ramiro incide dun xeito valente e decidido, onde se recobra a efervescencia natural que nos fai sacudir de frío as arterias obstruídas dando paso á beleza desa ascendencia solar da que nos fala.

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Colaborações:, Música, O levantador de minas, Poesia, Ramiro Torres, Vídeos

Deslize (música e vídeo) e Ramiro Torres (poema)

Esta é primeira colaboração inter-artes Galiza – Portugal, A Besta e Revista Palavra Comum, com música de DESLIZE (Hélder José e João Sousa) e poema de Ramiro Torres (do seu livro Esplendor Arcano, publicado no Grupo Surrealista Galego). O vídeo é de João Sousa (com a colaboração de Ana Sêrro).

A Besta é um colectivo editoral independente de música alternativa, com princípios assentes na filosofia do it yourself.

DESLIZE é um projecto de exploração acústica, composto por duas guitarras complementadas com crocodilos de electrónica, colocados estrategicamente em diferentes pontos de vibração das cordas, produzindo assim alterações de timbre constante. Os DESLIZE são: Hélder José (guitarra clássica) e João Mendes de Sousa (guitarra acústica).

{Palavra comum}

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Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Críticas e referências, Lusofonia, Poesia

De Herberto Helder, demónio inocente, a Ramiro Torres, apaixonado vidente

Herberto Helder, que desde 2008 não publicava livro, publicou Servidões neste maio passado, composto por dez páginas de prosa autobiográfica e setenta e três poemas inéditos. Mas não tomem pressa, que a obra já ficou esgotada, como acostuma a acontecer.

O Herberto, sim, esgota seus livros em semanas, a pesar de a poesia ser um gênero que não se vende bem. A pesar de o poeta não se interessar com as vendas, as entrevistas e a fina-flor do mundo intelectual. Porque o poeta, como ele amostra sem ter que dizê-lo por um altifalante, não é um literato. Embora se possa servir da literatura, como todo o mundo, se for preciso.

Nunca li, em livros do Helder, tantos versos sentindo tanto e ao mesmo tempo os compreendendo tão pouco. Se calhar essa é mesmo uma técnica para nos abrir os olhos ao que realmente importa, a aquilo que só na escuridão do pestanejo se sente. Porque o livro todo é o dó-de-peito de um guerreiro de oitenta e três anos com toda a poesia da vida carregada na mão, pronta para nos disparar como a peças adormecidas que não sabem fugir.

É, na realidade, uma obra que revela o compromisso profundo com a procura da verdade, aquela que se oculta na floresta do coração assim como aquela que vagueia pelos caminhos de uma nossa sociedade que, melhor que evoluir, simplesmente se arrasta. A verdade que não só ao poeta corresponde procurar, mas à alma que tenta cumprir o seu destino contra as forças demoníacas que a sepultam e a alimentam.

Uma nota final para aqueles que asseguram não saber bem o que a poesia é, ou ainda para aquelas pessoas que dizem ser chegados os tempos em que a metáfora deve ser posta em questão. Tomemos este verso: “Vivemos demoniacamente toda a nossa inocência”. Reparemos no verbo que fala da nossa existência, depois no advérbio que nos inculca a nódoa da maldade e finalmente no substantivo que nos exime de toda culpa. Não é, porventura, esta uma definição mestra da nossa vida, uma existência tão talhada pelas circunstâncias quanto pelos erros a que nos conduz o egoísmo? Não somos injustos em um mundo injusto?

A poesia autêntica não é fácil. O poeta não escreve para nós. Mas através do poema, eis a magia, descobrimos todo o que nos une por uma linha impossível de ver.

Ramiro Torres, de quarenta anos, apresentou uns meses antes que o velhote o seu primeiro poemário, Esplendor arcano. Um livro editado pelo Grupo Surrealista Galego, de que ele mesmo faz parte, e uma publicação a que o autor se viu impelido pelo resto do grupo, farto de sofrer a falta de egocentrismo do Ramiro, uma atitude sem dúvida virtuosa mas que convertia a natural vaidade dos companheiros em uma experiência dilacerante.

No livro, são os arcanos da existência que são perscrutados pelo poeta. A poesia penetra na fase saturnal onde o corpo se revela em todo o seu esplendor, a mostrar um seu fresquio natural ao tempo que a “harmonia transversal que trespassa o caos”. Em consonância, o estilo oferece constantes contrastes térmicos, cromáticos, tácteis, substanciais… Da matéria excitada surge o mundo espiritual, como sublimação de aquela.

O discurso ilumina-se com descrições a modo de summa de epifanias sapienciais, de catálogo de eventos gnósticos, de compêndio de casos em que a sabedoria, como vulcão, cospe matéria iluminada, vestígios de Verdade. É Esplendor arcano, em definitivo uma meditação sobre a vida, e esta apenas um sonho acesso, flamejante quando percebemos a natureza sacra do nosso ateísmo. Porque somos um vestígio do nosso futuro, e do mesmo modo que há uma árvore dentro de uma semente também há um ser harmônico dentro de nós; desse futuro, quando inspirados pela escritura ou a leitura, ligamos para nós próprios mercê à poesia: “Somos espuma de / uma idade vindoura” (p. 23). O arcano é, afinal, a fórmula do imanente, uma verdade que havemos de abstrair, compilar e interpretar enquanto não deixamos de apanhar as sujas pedras do caminho, ruínas do que seremos se cumprirmos o destino.

Vejamos agora um verso do poeta para ilustrar de novo a potência da metáfora: “Vulva da ciência órfica”. De que se trata, de uma visão carnal, científica ou esotérica? Sem dúvida das três em uma sorte de harmonia forçada, como uma imagem que se dispersa em três direções e ao tempo se alimenta de três mundos: o orfismo traz para a mesa o mistério, a ciência propõe o método e a vulva implica a matriz universal. Mais uma vez o poeta se contradiz, e na contradição, como uma pinga de chuva pinta no céu gris um abano colorido.

Esplendor arcano é também uma obra esgotada, ainda que se podam sempre achar exemplares novamente impressos a pedido dos mais perspicazes. São vários centos de livros os vendidos apesar da muito escassa presença em livrarias. Poesia que vende, sem vontade comercial. Porque este poeta também não faz literatura, embora se poda servir dela, como todo o mundo, se for preciso.

Alfredo Ferreiro {Publicado en Praza Pública}

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Alfredo Ferreiro, Grupo Surrealista Galego, Poesia, Surrealismo, Vídeos

O Grupo Surrealista Galego nas Portas Ártabras

A maioría das persoas que poden agora ver este inspirado video do compañeiro Tono Galán poderán facerse unha idea do que foi aquela noite nas Portas Ártabras, un lugar cativador pola súa querencia á Pedra e á Arte. Non foi unicamente a presentación do excelente libro Esplendor arcano do caro amigo Ramiro Torres, senón un paso máis, e non pequeno, da investigación poética que o GSG tenta levar a termo en todos os seus actos públicos.
A ninguén sorprende observar que nos últimos tempos os recitais poéticos máis atraentes son aqueles en que se abandona un estándar demasiado formal. Neste sentido algúns grupos de poetas teñen avanzado no carácter oral da poesía até o punto de convertela en parte dun espectáculo que se desenvolve no ámbito da canción ou do teatro. É esta unha volta á oralidade ancestral da poesía que resulta moi agradábel, mais que nada ten a ver coas pretensións do Grupo Surrealista Galego.
Efectivamente, no GSG nada estamos a facer por actualizar un xénero literario, nen ficamos preocupados coa aceptación maioritaria dos nosos actos públicos. Os nosos obxectivos están nun outro lugar, un lugar misterioso. E non é misterioso porque nós pretendamos ocultalo, senón porque ese Misterio é mesmo o obxectivo da nosa actividade, que por súa parte non é misteriosa, senón pública como vimos de recoñecer aquí.
O Misterio é o obxectivo, e sobre el pretendemos deitar luz. Por iso nos nosos actos nos esforzamos por saír do convencional e deixarmos que o Misterio se apresente, ele mesmo, aínda que chegue envolto ao noso pesar no encobrimento que lle é propio. Nós tampouco destacamos por sermos os máis sorprendentes de todos, iso sería propio de alguén que pretende vender algo, algo aparentemente novo que non for máis que o de sempre vestido con roupas adquiridas nun falso futuro. Nós queremos ser do presente, e é por isto que non podemos máis que convocar a Musa, ou a Deusa antiga que todos os nosos actos preside, esa alma que non pena senón que nos ilumina por dentro sempre que o corazón se abre para deixar fuxir a treboada e dar abrigo á harmonía que a Poesía ofrece.
É, necesariamente, un acto máxico ancestral o que se pretende, e isto non se pode describir en termos de actualidade, e moito menos predicir. É algo que se procura, é algo que hai que ter vontade de atopar.

{GSG VIDEO ESPLENDOR ARCANO from MrEIDANPELIS on Vimeo. Un vídeo do amigo do GSG Tono Galán}

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Alfredo Ferreiro, Criação, Grupo Surrealista Galego, Poesia

Para unha biografía de Ramiro Torres, auténtica

Ramiro Torres por Gabriel Ferreiro (2013)Probabelmente algúns de vostedes non o saberán, mais o autor de Esplendor arcano, Ramiro Torres, é unha persoa singular desde o día en que chegou ao mundo.

O día que Ramiro naceu a súa nai estaba calma, tan asombrosamente calma que parecía querer parir como quen se dedica a unha actividade plácida, como quen non ten présa por acabar o choio e prefire andarse polas ramas. Tanta fama atinxiu esta actitude natalicia, que desde ese día o “estilo ramírico de nacer” figurou nos anais da Obstetricia.

No entanto, os prodixios non se cinguiron aquel día á área da ciencia médica, senón que algúns sucesos milagrosos houberon de colorir o seu nacemento co tinte dos elixidos: a matrona que o atendeu, nai confesa de tres cachorros, recuperou no acto a súa virxindade; e o xinecólogo que apañou o corpo de Ramiro para que non se magoase cando tombou no frío e luminoso mundo, nunca máis precisou de facer a manicura pois os seus dedos permaneceron delicados e suaves por sempre, para delicia de familiares e pacientes.

Ramiro Torres por Gabriel Ferreiro (2013_2)Si, señoras e señores, a abrupta experiencia do nacemento humano foi para Ramiro Torres unha doce caída polo tobogán da vida, e esta sabedoría, como os seus amigos sabemos, tamén afecta aos que rimos con el, aos que traballamos con el e aos que lemos os seus versos. Por iso a publicación de Esplendor arcano nos produce tanta emoción, porque recoñecemos un estilo propio, o ramírico, co que este libro foi parido, e mercé ao cal semella ter saído do prelo como por elevada e arcana predestinación, como un deses acontecementos que mudan o rumbo da Historia e que, se coñecésemos as antigas artes, saberíamos ver escritos no firmamento.

Hoxe é un día histórico porque podemos comprobar coas nosas mans e cos nosos ollos, en negro sobre branco, que acaba de nacer unha das potencias poéticas da época.

Deamos grazas á musa, e que a todos nós inspire. Amén.

Nota: Este texto foi lido na presentación de Esplendor arcano en Portas Ártabras, en 25 de xaneiro de 2013. As fotos son de Gabriel Ferreiro.

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O levantador de minas, Poesia, Ramiro Torres, Surrealismo

Ramiro Torres publica Esplendor arcano

Inícianse as publicacións amparadas polo Grupo Surrealista Galego co poemario Esplendor arcano, de Ramiro Torres.
O libro, editado o 31 de decembro de 2012, está dividido en tres partes: Campos de visão, Casa do despertar e Terra da iminência, ten 72 páxinas, e leva un poema-epílogo de Pedro Casteleiro. A portada, que reproducimos abaixo, é de Alba Torres Ferreiro. O prezo é de 8 euros.
As persoas interesadas en obter exemplares, poden dirixirse a este correo electrónico: esplendorarcano@gmail.com

Tamén se pode adquirir aquí:
A CORUÑA
Taller de Litografía Milpedras (Rúa Brasil, 3).
Livraria Suévia (Rúa Vila de Negreira, 32).
Libraría Sisargas (Rúa Curros Enríquez, 9).

 

Este é un dos poemas do libro:

Respiramos em noites
grávidas, claudicados
de toda possessão
entregamo-nos ao
desterro feliz entre
as fendas, como
sombras enigmáticas
a arder sem cálculo
à espera de florir na
irradiação primeira.

{Grupo Surrealista Galego}

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