25 de abril, um fôlego necessário

Nesta foto lembramos os participantes e convidados do acto que no Instituto Eusébio da Guarda da Corunha organizou em 1994 o grupo poético Hedral com motivo do XXº aniversário da Revolução dos Cravos. O evento intitulou-se Palavra Comum, e contou com a presença de François Davo, Francisco Soares, José Manuel Capêlo, Avelino de Sousa, António Cândido Franco, José António Lozano Garcia, Luis Mazás López, Pedro Casteleiro, Paco Souto, Alfredo Ferreiro, Táti Mancebo, Dulce Fernandez Graña e Mário J. Herrero Valeiro. No final, cantámos juntos Grândola e o Hino Galego acompanhados por gaita e piano (Xulia Dopico) no salão nobre do antigo liceu.

No dia de hoje há convocatórias interessantes, e ainda amanhã uma em Arteijo à que não deixaremos de acudir, organizada pola Associação Cultural Monte da Estrela.

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A pupila ardente

Acode, ó mar salgado, depois lembrarás a traição da náusea. Ama-me como o vento estilhaça uma pola seca até ser una com a terra. Mas não gostes do gelado da primavera. É o perigo da janela acesa.

Desfaz a pele para te lembrares da carne. O lótus das mil pétalas cresce nos olhos. Um beijo que foge da meixela como o ar que alouminha uma mão baleira. O cigarro acende o sonho. Nós próprios somos a pedra.

Os óculos impedem-nos ver. Sangra um olho cego na tua mão. Então, só então, destapas o lume. O quadrado do tempo. Ou a sombra das minhas mãos a rabunhar a pupila ardente.

Grupo Hedral. No pub El Siglo da Corunha, 1994.

{Grupo Surrealista Galego}

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Laboratório poético ao vivo

Hoje quero trazer para aqui
a totalidade do silêncio
na fotografia de um poeta de olhos fechados
e aberto coração:
sombra alongada, cristais de um azul
perpétuo, música de alfândega
que não aplaudirás até ao prenúncio da morte
para um teu novo nascimento.
Enfim sombra, miopia,
desejo (as malas do poeta).
O sangue do comboio é derramado
no deserto, no caminho infindo
que, com certeza, depara em própria casa.
E em nome próprio o poeta
capitula e recapitula em carne própria,
ele próprio, em própria casa
os bens alheios que há que apanhar
para pôr nome ao inomeável.
Porque, o que há-de fazer com o peixe de Deus a saltitar
na frigideira que há muito tempo lhe ofertaram?

Café Maeloc 07/10/1998, Laboratório poético ao vivo. Grupo Hedral.

 

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