25 de abril, um fôlego necessário

Nesta foto lembramos os participantes e convidados do acto que no Instituto Eusébio da Guarda da Corunha organizou em 1994 o grupo poético Hedral com motivo do XXº aniversário da Revolução dos Cravos […]

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A pupila ardente

Acode, ó mar salgado, depois lembrarás a traição da náusea. Ama-me como o vento estilhaça uma pola seca até ser una com a terra. Mas não gostes do gelado da primavera. É o perigo da janela acesa.

Desfaz a pele para te lembrares da carne. O lótus das mil pétalas cresce nos olhos. Um beijo que foge da meixela como o ar que alouminha uma mão baleira. O cigarro acende o sonho. Nós próprios somos a pedra.

Os óculos impedem-nos ver. Sangra um olho cego na tua mão. Então, só então, destapas o lume. O quadrado do tempo. Ou a sombra das minhas mãos a rabunhar a pupila ardente.

Grupo Hedral. No pub El Siglo da Corunha, 1994.

{Grupo Surrealista Galego}

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Laboratório poético ao vivo

Hoje quero trazer para aqui a totalidade do silêncio na fotografia de um poeta de olhos fechados e aberto coração: sombra alongada, cristais de um azul perpétuo, música de alfândega que não aplaudirás até ao prenúncio da morte para um teu novo nascimento. Enfim sombra, miopia, desejo (as malas do poeta). O sangue do comboio é derramado no deserto, no caminho infindo que, com certeza, depara em própria casa. E em nome próprio o poeta capitula e recapitula em carne própria, ele próprio, em própria casa os bens alheios que há que apanhar para pôr nome ao inomeável. Porque, o que há-de fazer com o peixe de Deus a saltitar na frigideira que há muito tempo lhe ofertaram?

Café Maeloc 07/10/1998, Laboratório poético ao vivo. Grupo Hedral.

 

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