Laboratório poético ao vivo

Hoje quero trazer para aqui a totalidade do silêncio na fotografia de um poeta de olhos fechados e aberto coração: sombra alongada, cristais de um azul perpétuo, música de alfândega que não aplaudirás até ao prenúncio da morte para um teu novo nascimento. Enfim sombra, miopia, desejo (as malas do poeta). O sangue do comboio é derramado no deserto, no caminho infindo que, com certeza, depara em própria casa. E em nome próprio o poeta capitula e recapitula em carne própria, ele próprio, em própria casa os bens alheios que há que apanhar para pôr nome ao inomeável. Porque, o que há-de fazer com o peixe de Deus a saltitar na frigideira que há muito tempo lhe ofertaram?

Café Maeloc 07/10/1998, Laboratório poético ao vivo. Grupo Hedral.

 

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