Raias Poéticas 2017: Luís Serguilha

Raias Poéticas: Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento

No passado fim de semana tive a oportunidade de participar no Raias Poéticas ~ Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento fazendo parte de uma delegação galega composta por Ramiro Torres, Teresa Moure e Tiago Alves Costa. Este é o primeiro do cinco vídeos que compõem o nosso contributo plural. […]

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Ondjaki: Os modos do mármore + 3 poemas

Os modos do mármore + 3 poemas, de Ondjaki (Através Editora))

Na visita ao Culturgal 2015, um dos encontros obrigados foi com o Ondjaki, velho amigo da Galiza e das pretensões desta de conectar-se à lusofonia. Com a ajuda de Carlos Quiroga apresentou seu novo livro de poemas, Os modos do mármore + 3 poemas, publicado na chancela galega Através Editora. Trata-se de um pequeno mas lindíssimo livro, costurado à máquina e encartado à mão, com apenas 40 páginas mas que deliciará os amantes da poesia e os colecionistas do livro, assim como os inúmeros seguidores do autor. Falou à solta em Ponte Vedra dos alicerces criativos da obra assim como das referências vitais e geográficas que contém, e tudo com a camaradagem que tanto gostamos. Este foi o vídeo que demos feito sobre o encontro. […]

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O grito submergido de Mário Herrero Valeiro

Mais uma vez, Mário Herrero Valeiro defronta-nos com o contraditório. O poeta denuncia a mentira social em que os erros dos homens são pedras pesadas, em que o poema se considera “matéria inerte” ou o próprio ser do poeta figura como “uma falsa lembrança”; mas o amor existe, a vida continua e, embora dolorosamente, as pessoas continuam avançando num equilíbrio custoso sem definitivamente acordar. A mensagem, em fim, é que o equilíbrio existe e que não desistimos dos nossos sonhos. Porque abaixo de qualquer imposição existe um “desejo de arder”, um sentimento que traz à superfície do poema um “grito submergido”, uma vibração que nos lembra que a utopia sempre espera. […]

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Herberto Helder, in memoriam

Ontem soubemos que um dos vultos da poesia europeia contemporânea, o poeta português Herberto Helder, iniciou o caminho de retorno. Se calhar ele nunca chegou a saber até que ponto foi o grande referente da poesia moderna para alguns de nós, neste pequeno país chamado Galiza que, sendo o berço certo da lusofonia, esquece cada dia a sua cultura enquanto sorve desesperado as essências da poesia. Somos assim, contraditórios até ao paroxismo, e isso talvez é que nos faz humanos e divinos, efémeros e eternos.

Obscuro e luminoso ao tempo, Helder foi um exemplo de compromisso com o trabalho interior que a poesia impõe, e que pouco tem a ver com a literatura, esse objeto mercantilizado que coisifica a espiritualidade da arte, mede o esforço, calcula os ganhos e contabiliza os aplausos: «[…] O prestígio é uma armadilha dos nossos semelhantes. Um artista consciente saberá que o êxito é prejuízo. Deve-se estar disponível para decepcionar os que confiaram em nós. Decepcionar é garantir o movimento. A confiança dos outros diz-lhes respeito. A nós mesmos diz respeito outra espécie de confiança. A de que somos insubstituíveis na nossa aventura e de que ninguém a fará por nós […]». Por isso nós hoje queremos escrever tão só umas breves linhas de homenagem, breves, seguindo a recomendação do mestre, porque é que a nós, mais do que a ele, dirão respeito.

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A partir d’ A morte sem mestre, de Herberto Helder

A morte sem mestre é um livro triste. Tanto, que já me quer parecer que o poeta se tem tornado nas últimas obras um dos poetas mais tristes que deu Portugal. Por isto, ademais de pelo fato de sempre me fazer tremer com cada nova obra, deixo este poema a modo de reflexão ou crítica não sei se com a obra do poeta ou melhor com toda a Humanidade:

Ao Herberto Helder

A vida sem morte

O H. H. de tanto descrever o espanto se tornou um animal convulso e extasiado que tão só quer ser um homem. Não admira por isso que nos poemas devore os dedos enquanto conta o que resta para o próximo assalto, monstro octogenário catapultado da infância que espreita passadas infâmias, brigas em que falece e renasce enquanto amamenta uma mágoa.

{Palavra comum, 03/09/2014}

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Xesús González Gómez:

Hoxe podemos dicir que o surrealismo xa existe na poesía galega mercé a dous poetas: Alfredo Ferreiro e Ramiro Torres, e a dous libros: Versos fatídicos e Esplendor arcano. Poetas surrealistas non só porque se reclamen do surrealismo, porque fagan poemas surrealistas, porque se ateñan ás esixencias do surrealismo, senón porque mediante unha dupla modalidade da consciencia –ver Signe ascendent, de André Breton– , poética e prosaica, son quen de disipar a ambigüidade que pesa a noción de surreal. […]

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Poemas que nacen nun ventrículo atormentado

A lectura dun novo libro de Amadeu Baptista sempre supón enfrontar unha experiencia que non me deixará impasíbel. Por iso cando comecei a ler O ano da morte de Xosé Saramago (2010) e os niveis da máquina estético-intelectual subían até máximos raramente atinxidos na lectura, nada me resultou estraño.

Posúe este libro un estilo que boga entre a tormenta da imaxe sorprendente e o mar en calma do discurso directo sobre os asuntos vitais máis vulgares. Non oculta, neste sentido, unha marcada ideoloxía naquelas cuestións da rúa que todos pisamos, nunha actitude de outsider tan habitual nel, sen obviar unha crítica mordaz das políticas ultraliberais que o pobo despoxan do que é en xustiza froito do seu suor; hai mesmo unha denuncia dos gobernos que levan a cabo o indigno espolio dunha sociedade non ben acabada de matar:

«A desgraça de um país mede-se na distância que vai das instâncias do poder à esperança dos seus habitantes, o deserto especializa-se quando a crise se amplia, chegam os usurpadores e o equilíbrio das emoções descontrola-se…».

«… o Nuno vem de Viseu, onde tão bem notou que é o crucifixo um punhal que se usa á cintura, e fazemos unha grande fogueira disto tudo, lume puxado a tudo o que seja comburente, com excepção, talvez, de L’Obsservatore Romano que no Inferno arderá com maior jurisdição».

Ofrece, ademais, poderosas referencias a unha infancia obscura e de difícil asunción que xa percibimos noutras obras do autor, e que resaltan coa dureza daquilo que sempre nos doe e á vez nos impele a realizar un esforzo permanente na procura da felicidade, algo que no poeta se manifesta como unha caza pertinaz da beleza e a verdade, dúas faces da mesma moeda:

«…Era eu criança e procurava em vão a tumba de um irmão, e uma pedra bastou para me serenar a angústia, aínda que do meu irmão nunca mais soubese, nem de minha mãe, a quem beijei por última vez a notar-lhe um ferimento no rosto, um ferimento que só a terra cicatrizará, uma terra compacta para tantos cães, uma cicatriz igual à que tenho na alma, se alma é o que na minha cicatriz se incrustou».

Mais estas ramas, a crítica política e a áspera lembranza do pasado, son aspectos do poemario que acompañan un tronco principal, unha liña vertebral de contido que fai referencia á poesía mesma, ou mellor á arte escrita en sentido amplo. Esta é a razón pola que con frecuencia aparece a reflexión sobre a propia escrita, e pola que en varias ocasións se citan no poemario José Saramago (xa no título), Herberto Helder e Nuno Dempster. Porque a experiencia da escrita, sendo íntima e estando ligada a experiencias persoais, posúe no ámbito da publicación unha vinculación co alleo, sexa o lector, os outros autores, o mundo editorial ou en xeral o sistema literario.

A pesar de ter un tamaño máis reducido, quero tamén resaltar outra obra do autor, máis recente: Atlas de circunstâncias (2012), que gañou o Prémio Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage en 2009. Utilizando de forma moi libre o soneto, presenta Baptista a figura do poeta como un ser convulso, complexo e paradoxal, facto debido á súa función de espello do mundo, esa realidade que só pode ser representada mediante unha elocuente contradición de imaxes e sons:

«O poeta deseja a clareza e é afoito a perscrutar o magma da palavra e os seus grumos. Um enigma, ao fim da tarde, retiera-lhe o poder indemonstrável das palabras…»

Presenta o libro tintes de gnosticismo laico, cunha perspectiva poética que resalta como instrumento útil para o coñecemento interior, para a perscrutación de todo aquilo que no ollar cotidiano non pode ser revelado. E, como non podía deixar de ser na obra de Baptista, aparece a infancia retratada como un estadio de alta percepción do mundo nas súas grandezas e nos seus misterios, unha sabedoría natural que non debe ser esquecida para non caermos na soberbia de nos sentir o centro do universo.

Por todo o explicado atrévome a recomendar a lectura destas dúas extraordinarias obras. Mais hei de recoñecer que, se isto non fose unha actitude inxusta, contemplaría a hipótese de impoñer a súa inoculación por decreto poético a toda persoa afeccionada á poesía, convencido de que non habería moitas vacinas máis eficaces contra a falta de sentido artístico. E se cadra unha transfusión de urxencia para aquelas persoas que aseguran non entender o xénero.

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PGL entrevista Xurxo Souto

Xurxo Souto: «A música é emoçom, portanto a música cantada em português é música nossa, é parte das nossas emoçons». Sim, senhor, um facto tão evidente que me admira no que diz respeito da literatura portuguesa o pessoal não estimar o mesmo. As obras em português seriam imprescindíveis para todo o escritor galego. A realidade é que a ler em castelhano semelha ficar satisfeita a maioría. Ou não?

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