Raias Poéticas: Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Colóquios, Lusofonia, Narrativa, Poesia, Vídeos

Raias Poéticas 2017: Luís Serguilha

No passado fim de semana tive a oportunidade de participar no Raias Poéticas ~ Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento fazendo parte de uma delegação galega composta por Ramiro Torres, Teresa Moure e Tiago Alves Costa. Este é o primeiro do cinco vídeos que compõem o nosso contributo plural.

Este evento nasceu, segundo as palavras o produtor e coordenador do evento o poeta Luís Serguilha, há seis anos para
«_________potencializar a criatividade artística, o pensamento como experiência dançante, a interrelacionalidade, a sismologia das sensações, as mutabilidades, as correntezas transfronteiriças das línguas poéticas ibero-afro-americanas, os movimentos giratórios da interrogação estética
_________aproximar a diversidade, as forças das resistências-vivas, as geografias do nomadismo, as intensidades migratórias, as heterogeneidades dos fluxos cortantes.
_________ecoar as multiplicidades, as redobras, a profusão das diferenças, os espelhos dos entre-cruzamentos, criando uma zona de vozes singulares, vozes-devires________holomovimento antecipador da vida.»

{Palavra Comum}

Share
Standard
Os modos do mármore + 3 poemas, de Ondjaki (Através Editora))
Alfredo Ferreiro, Colaborações:

Ondjaki: Os modos do mármore + 3 poemas

Os modos do mármore + 3 poemas, de Ondjaki (Através Editora))Na visita ao Culturgal 2015, um dos encontros obrigados foi com o Ondjaki, velho amigo da Galiza e das  pretensões desta de conectar-se à lusofonia. Com a ajuda de Carlos Quiroga apresentou seu novo livro de poemas, Os modos do mármore + 3 poemas, publicado na chancela galega Através Editora. Trata-se de um pequeno mas lindíssimo livro, costurado à máquina e encartado à mão, com apenas 40 páginas mas que deliciará os amantes da poesia e os colecionistas do livro, assim como os inúmeros seguidores do autor. Falou à solta em Ponte Vedra dos alicerces criativos da obra assim como das referências vitais e geográficas que contém, e tudo com a camaradagem que tanto gostamos. Este foi o vídeo que demos feito sobre o encontro:

Share
Standard
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Críticas e referências, Poesia

O grito submergido de Mário Herrero Valeiro

Da vida conclusa, livro de Mario Herrero ValeiroA nossa vida é superficial, e este fato revela-se no nosso corpo e na nossa pele a mostrarem as máculas próprias de seres esquecidos por deus. Um deus a pedido, criado desde e para o materialismo, mais uma “instituição” para sustentar as misérias individuais e sociais, um deus que não é caminho para a libertação mas fundamento do cativeiro.
No plano individual, a doença e a tortura são duas caras da mesma moeda, paixão do ser e ação do mundo material ou do injusto poder que nos governa. No social, a pátria, a família e em geral as instituições e outros modelos impostos polo Estado foram criados para manter a frustração permanente do cidadão. O “pai”, também desde que figura instituída, é um referente de frustração íntima que deve ser transmitida para o cidadão permanecer vinculado às rédeas do sistema; como função emotiva e pessoal, é referente castrado e agente castrador que transmite a derrota com uma sua atitude de vencido permanente, aquele que na realidade forneceu uma semente em que só a miséria podia florescer. Produz-se então a vinculação a um lastro emotivo que o sistema pretende fazer perene, e que o poeta, em sua necessidade visionária de construir um mundo possível e assim prover a hipótese certa da utopia, deseja reconduzir (“ser um digno filho”, “compreender por fim / o sentido do poema”). “Pátria” e “pai”, não por acaso da mesma raiz, são versões da mesma farsa. Continue reading

Share
Standard
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Criação, José António Lozano, Pedro Casteleiro, Poesia, Ramiro Torres

Herberto Helder, in memoriam

Ontem soubemos que um dos vultos da poesia europeia contemporânea, o poeta português Herberto Helder, iniciou o caminho de retorno. Se calhar ele nunca chegou a saber até que ponto foi o grande referente da poesia moderna para alguns de nós, neste pequeno país chamado Galiza que, sendo o berço certo da lusofonia, esquece cada dia a sua cultura enquanto sorve desesperado as essências da poesia. Somos assim, contraditórios até ao paroxismo, e isso talvez é que nos faz humanos e divinos, efémeros e eternos.

Obscuro e luminoso ao tempo, Helder foi um exemplo de compromisso com o trabalho interior que a poesia impõe, e que pouco tem a ver com a literatura, esse objeto mercantilizado que coisifica a espiritualidade da arte, mede o esforço, calcula os ganhos e contabiliza os aplausos: «[…] O prestígio é uma armadilha dos nossos semelhantes. Um artista consciente saberá que o êxito é prejuízo. Deve-se estar disponível para decepcionar os que confiaram em nós. Decepcionar é garantir o movimento. A confiança dos outros diz-lhes respeito. A nós mesmos diz respeito outra espécie de confiança. A de que somos insubstituíveis na nossa aventura e de que ninguém a fará por nós […]». Por isso nós hoje queremos escrever tão só umas breves linhas de homenagem, breves, seguindo a recomendação do mestre, porque é que a nós, mais do que a ele, dirão respeito. Continue reading

Share
Standard
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Críticas e referências, Poesia

A partir d’ A morte sem mestre, de Herberto Helder

A morte sem mestre, de Herberto HelderA morte sem mestre é um livro triste. Tanto, que já me quer parecer que o poeta se tem tornado nas últimas obras um dos poetas mais tristes que deu Portugal. Por isto, ademais de pelo fato de sempre me fazer tremer com cada nova obra, deixo este poema a modo de reflexão ou crítica não sei se com a obra do poeta ou melhor com toda a Humanidade:

Ao Herberto Helder

A vida sem morte

O H. H. de tanto descrever o espanto
se tornou um animal convulso e extasiado
que tão só quer ser um homem.
Não admira por isso que nos poemas
devore os dedos enquanto conta
o que resta para o próximo assalto,
monstro octogenário catapultado da infância
que espreita passadas infâmias,
brigas em que falece e renasce
enquanto amamenta uma mágoa.

{Palavra comum, 03/09/2014}

Share
Standard
O levantador de minas

Xesús González Gómez: “De agora en adiante, cando se fale de surrealismo na literatura galega falarase con propiedade”

Fin das baduadas: a modo de manifesto que non o é

Versos Fatídicos, por Alfredo Ferreiro (Positivas, 2011)XGG: «André Breton, como Benjamin Péret, Aragon e outros, mesmo algún Paul Éluard, foi na súa mocidade contaminado polo proxecto mallarmeano do libro total: do Libro. De aí que o surrealismo, aínda que no momento da súa aparición dea as costas ao simbolismo, as súas raíces simbolistas, nunca rompeu, todo o contrario, co pensamento do Libro, cun proxecto do libro total que compromete tamén todo o seu destino comunitario e que o constitúe fundamentalmente nun proxecto comunitario. Porque o Libro de Mallarmé é tamén isto, ou sobre todo isto: o nome da esixencia comunitaria que atravesa, que marca a ferro a literatura moderna, dos románticos alemáns a algúns grupos denominados de vangarda, ante todo o surrealismo, a pasar precisamente por Mallarmé.

O surrealismo é, xa que logo, unha esixencia comunitaria, como ben percibiu Jules Monnerot en La poésie moderne et le sacré. (Non imos enguedellarnos, mais, talvez, esa esixencia comunitaria –nada a ver co comunitarismo– do surrealismo estea atravesada, ou alicerzada, no Contrato social roussoniano). Como esixencia comunitaria é tamén, sempre falamos do surrealismo, unha esixencia poética: a poética da existencia, que é a poética última e verdadeira do surrealismo. Estas esixencias, comunitaria e poética, conducen a que, aínda que diferentes entre si, os poemas, os textos surrealistas gocen dunhas constantes (constantes que chegan a dominalos?). Constantes, que non tópicos, tanto no sentido retórico como no cotián. Constantes que, dunha ou outra maneira, se manifestan nos poemas dos poetas surrealistas1. Isto pode comprobalo doadamente un lector interesado folleando con certa atención calquera antoloxía de poesía surrealista, francesa ou non.

Nós, neste artiguiño a modo de manifesto que non o é, non imos facer tal cousa. Si algo semellante, con dous poetas surrealistas e galegos, con dous libros de poemas surrealistas: Versos Fatídicos (1994-2010), de Alfredo Ferreiro (Edicións Positivas, 2011), e Esplendor arcano, de Ramiro Torres (Edición do autor, 2012)).

Versos fatídicos e Esplendor arcano son dous poemarios ben diferentes entre si, aínda que estean atravesados (alicerzados) por unha mesma poética literaria e –avanzámolo – pola esixencia poética surrealista: a poética da existencia. Afirmamos que son dous poemarios diferentes entre si, o que, a pesar do que levamos dito e afirmado, é certo. Aínda que teñan temas comúns, visados, en certa maneira, desde unha mesma óptica, mais, por exemplo, a evidencia irónica está máis presente en Ferreiro que en Torres. Ou, por exemplo, a presenza da morte –a contrario– é máis nítida en Torres que en Ferreiro. Neste último a morte, máis por ausencia que por presenza, inscríbese na continuidade das metamorfoses surreais. Torres, pola súa parte, procura un equilibrio entre o enigma que é a morte e as liñas de forza que son amor, liberdade e poesía. Etcétera.

Non imos continuar –talvez outro día– desvelando diferenzas entre os dous poemarios (diferenzas, maticemos, non xerárquicas), xa que o que nos trouxo aquí foron precisamente as coincidencias profundas entre un e outro libro, entre un e outro poeta.

Cando o lector, un lector, inicia a lectura destes dous poemarios, Versos fatídicos co poema ‘Visión do médium’ Esplendor arcano con ‘Amor esplendendo no…’, e continúa, o primeiro que percibe é a fonda implicación en ambos poetas do eu. Tanto do eu persoal como do eu poético, que chegan a se confundiren, a se fundiren. E tanto nun como noutro poeta, nun como noutro libro, aínda que non estea fondamente atento, o lector percibirá fortemente, mesmo como se se producise un choque físico entre a vista e o papel, entre a vista e as letras, a aparición dunha nova persoa poética: a primeira do plural.

O nós non maiestático, senón o nós comunitario. Na páxina 23, en Esplendor arcano

Somos espuma de
uma idade vindoura,
afastando-nos do medível,
abstraídos perseguidores
de uma língua arrincada
aos sentidos, aquecendo-se
na contraluz do universo à
espera do seu percurso
enigmático dentro de nós.

Inmediatamente, na páxina 18, en Versos fatídicos:

Figura do tempo
Camiñamos
para unha especie de esencia
continuamente. Somos,
errantes na planicie,
vítimas do vento astral.
Na demora da vida
devoramos o traxe salgado da alma.
Só entón permanecemos fieis
á esfera celeste.
Escravos do sopro que nos arrastra.

 A noite é un niño invertido.
Presentimos o tempo
no puro ritmo do latexo.
Resucita unha estrela
cando o sol
no péndulo se enforca.

Se o lector le con atención os dous libros, axiña percibirá, malia as diferenzas entre un e outro poeta –diferenzas de son, de ton, de ritmo, se se quere; mais diferenzas debidas sobre todo á forte voz persoal de cada un dos poetas, de Torres como de Ferreiro–, unha corrente subterránea, que aflora no conxunto de cada un dos poemarios: a esixencia comunitario-poética do surrealismo. Por que, por fin!, estamos perante dous libros de poemas surrealistas, perante dous poetas surrealistas, os primeiros –xa non os únicos– da literatura galega, da poesía galega. O surrealismo en Galicia, até hoxe mesmo, era unha influencia retórica (tanto en pintores como en poetas), ben ou mal peneirada, segundo o poeta ou o pintor; mesmo en algún poeta chegou a ser unha influencia poética-ideolóxica, mais sen chegar ao final, é dicir, sen asumir as esixencias comunitarias, éticas, políticas, poéticas do surrealismo.

Hoxe podemos dicir que o surrealismo xa existe na poesía galega mercé a dous poetas: Alfredo Ferreiro e Ramiro Torres, e a dous libros: Versos fatídicos e Esplendor arcano. Poetas surrealistas non só porque se reclamen do surrealismo, porque fagan poemas surrealistas, porque se ateñan ás esixencias do surrealismo, senón porque mediante unha dupla modalidade da consciencia –ver Signe ascendent, de André Breton– , poética e prosaica, son quen de disipar a ambigüidade que pesa a noción de surreal.

O termo, malia a quen lle pese, non designa unha realidade ontolóxica diferente. O surreal non é o sobrenatural. O surreal, ontoloxicamente, non é outra cousa que o real, mais fenomenoloxicamente transfigurado por esa especie de superconsciencia que só a poesía é quen de darnos. É entón, como nos demostran estes dous poetas, estes dous poemarios, que o mundo aparece con ese rostro conmovedor, exaltante, convulsivo que responde soamente ao desexo dos que o habitan.

O home, en tanto que animal e como o animal, procura o equilibrio mediante a redución das tensións; como espírito, pola contra, procura o desequilibrio, de aí esa necesidade de intensidade, de risco e de drama, de tensión e de paixón en que se sitúa o camiño a cuxo final, quizais, podería cambiarse a vida. Polo que sei, polo que vento, novos poetas surrealistas están a aparecer: é un gran día para todos nós.

Acabáronse as baduadas, de agora en adiante, cando se fale de surrealismo en Galicia, na literatura galega falarase con propiedade, que se di popularmente, sen necesidade de contarmos historias non verdadeiras e de inventarmos o que nunca existira até hoxe.» {Publicado en Fin das baduadas: a modo de manifesto que non o é – Praza Pública}

Share
Standard
Alfredo Ferreiro, Críticas e referências, Poesia

Poemas que nacen nun ventrículo atormentado

A lectura dun novo libro de Amadeu Baptista sempre supón enfrontar unha experiencia que non me deixará impasíbel. Por iso cando comecei a ler O ano da morte de Xosé Saramago (2010) e os niveis da máquina estético-intelectual subían até máximos raramente atinxidos na lectura, nada me resultou estraño.

Posúe este libro un estilo que boga entre a tormenta da imaxe sorprendente e o mar en calma do discurso directo sobre os asuntos vitais máis vulgares. Non oculta, neste sentido, unha marcada ideoloxía naquelas cuestións da rúa que todos pisamos, nunha actitude de outsider tan habitual nel, sen obviar unha crítica mordaz das políticas ultraliberais que o pobo despoxan do que é en xustiza froito do seu suor; hai mesmo unha denuncia dos gobernos que levan a cabo o indigno espolio dunha sociedade non ben acabada de matar:

«A desgraça de um país mede-se na distância que vai das instâncias do poder
à esperança dos seus habitantes, o deserto especializa-se quando a crise
se amplia, chegam os usurpadores e o equilíbrio das emoções descontrola-se…».

«… o Nuno vem de Viseu, onde tão bem notou que é o crucifixo
um punhal que se usa á cintura,
e fazemos unha grande fogueira disto tudo,
lume puxado a tudo o que seja comburente,
com excepção, talvez, de L’Obsservatore Romano
que no Inferno arderá com maior jurisdição».

Ofrece, ademais, poderosas referencias a unha infancia obscura e de difícil asunción que xa percibimos noutras obras do autor, e que resaltan coa dureza daquilo que sempre nos doe e á vez nos impele a realizar un esforzo permanente na procura da felicidade, algo que no poeta se manifesta como unha caza pertinaz da beleza e a verdade, dúas faces da mesma moeda:

«…Era eu criança e procurava em vão
a tumba de um irmão,
e uma pedra bastou para me serenar a angústia,
aínda que do meu irmão nunca mais soubese,
nem de minha mãe,
a quem beijei por última vez a notar-lhe um ferimento no rosto,
um ferimento que só a terra cicatrizará,
uma terra compacta para tantos cães,
uma cicatriz igual à que tenho na alma,
se alma é o que na minha cicatriz se incrustou».

Mais estas ramas, a crítica política e a áspera lembranza do pasado, son aspectos do poemario que acompañan un tronco principal, unha liña vertebral de contido que fai referencia á poesía mesma, ou mellor á arte escrita en sentido amplo. Esta é a razón pola que con frecuencia aparece a reflexión sobre a propia escrita, e pola que en varias ocasións se citan no poemario José Saramago (xa no título), Herberto Helder e Nuno Dempster. Porque a experiencia da escrita, sendo íntima e estando ligada a experiencias persoais, posúe no ámbito da publicación unha vinculación co alleo, sexa o lector, os outros autores, o mundo editorial ou en xeral o sistema literario.

A pesar de ter un tamaño máis reducido, quero tamén resaltar outra obra do autor, máis recente: Atlas de circunstâncias (2012), que gañou o Prémio Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage en 2009. Utilizando de forma moi libre o soneto, presenta Baptista a figura do poeta como un ser convulso, complexo e paradoxal, facto debido á súa función de espello do mundo, esa realidade que só pode ser representada mediante unha elocuente contradición de imaxes e sons:

«O poeta deseja a clareza e é afoito a perscrutar
o magma da palavra e os seus grumos.
Um enigma, ao fim da tarde, retiera-lhe o poder
indemonstrável das palabras…»

Presenta o libro tintes de gnosticismo laico, cunha perspectiva poética que resalta como instrumento útil para o coñecemento interior, para a perscrutación de todo aquilo que no ollar cotidiano non pode ser revelado.
E, como non podía deixar de ser na obra de Baptista, aparece a infancia retratada como un estadio de alta percepción do mundo nas súas grandezas e nos seus misterios, unha sabedoría natural que non debe ser esquecida para non caermos na soberbia de nos sentir o centro do universo.

Por todo o explicado atrévome a recomendar a lectura destas dúas extraordinarias obras. Mais hei de recoñecer que, se isto non fose unha actitude inxusta, contemplaría a hipótese de impoñer a súa inoculación por decreto poético a toda persoa afeccionada á poesía, convencido de que non habería moitas vacinas máis eficaces contra a falta de sentido artístico. E se cadra unha transfusión de urxencia para aquelas persoas que aseguran non entender o xénero.

Share
Standard