Conselhos

“Conselhos” é um poema breve, talvez um aforismo, de Alfredo Ferreiro. […]

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Adolescência programada

“Adolescência programada” é um poema de Alfredo Ferreiro. […]

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Raias Poéticas 2017: Luís Serguilha

Raias Poéticas: Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento

No passado fim de semana tive a oportunidade de participar no Raias Poéticas ~ Afluentes Ibero-Afro-Americanos de Arte e Pensamento fazendo parte de uma delegação galega composta por Ramiro Torres, Teresa Moure e Tiago Alves Costa. Este é o primeiro do cinco vídeos que compõem o nosso contributo plural. […]

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“Metal central”: versão plástica de Pepe Cáccamo

Metal central de Alfredo Ferreiro por Pepe Caccamo expo

“Metal central” é um poema pertencente ao livro Metal Central de Alfredo Ferreiro. Na expo “Librosconversos”, em colaboração com Baldo Ramos, Pepe Cáccamo realizou uma versão plástica do poema que seguir se reproduze. Sempre agradecerei a honra que o poeta e artista me fiz assim como a vontade interdisciplinar que habitualmente demonstra. […]

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“odesexo” coletivo

odesexo obra plástica e poética

odesexo obra plástica e literaria galega. Artistas: Maside, Pardiñas, Riveiro. Poetas: Ramón Neto, Verónica Martínez, Lino Braxe, Emma Pedreira, Eli Ríos, Eduardo Estévez, Mercedes Leobalde, Alberte Momán, Antonio G. Teijeiro, Miguel Mato, Paco de Tano, Xosé Iglesias, Paco Souto. […]

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Cesáreo Sánchez no Festival Internacional de Poesia da Feira de Buenos Aires

feria del libro de buenos aires 2016 2

Cesáreo Sánchez no Festival Internacional de Poesia da Feira de Buenos Aires […]

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Pedro Casteleiro e Igor Lugris, em foco desde Portugal

Igor Lugris e Pedro Casteleiro, em foco desde Portugal. Curso de Linguística Geral (Através Editora), do primeiro, e Sefer Sefarad (Azeta Edicións), do segundo, figuram atualmente como obras poéticas finalistas no Prémio Literário Glória de Sant’ Anna. […]

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Homenagem a um amigo que retorna

Fotografia Gatos da Pedreira por Alfredo Ferreiro

Fotografia Gatos da Pedreira, de Alfredo Ferreiro. Primavera de 2016. […]

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Na herança templária

Entrada do castelo de Tomar

A passear por Tomar, por acaso entrei no jardim da Mata Nacional dos Sete Montes, a sul do castelo dos templários. Comecei a caminhar intuitivamente até que topei com um cartaz que anunciava a direção da “Fonte do sangue”. Então pensei: isto é providencial, vou caminho da Fonte do Sangue e eu vestido com a minha camisola de motivos históricos, um dragão e um leão como os que provavelmente teriam usado os descendentes da dinastia galaica que há muito ergueram este castelo na conquista das terras a sul do reino. Assim, sentia, tudo eram felizes indicadores para a minha primeira visita ao castelo templário. Uma visita esotérica sob o sol comum que aos visitantes vulgares aquece.Porém, o caminho perto do castelo nunca chegou a revelar-me a fonte do que quer que fosse aquilo, e o castelo mesmo não quis mostrar-me sua entrada, fazendo-me permanecer sempre por fora de seus muros. O tempo acabava-se enquanto eu andava perplexo o perímetro, e já devia baixar sem demora para comprar o pão na vila. Ao tempo, a minha camisola de profundos alicerces históricos se tornava um fato de simplicidade turística, e as minhas pretensões desejos de tele-novela.

No final da manhã entrei numa livraria de velho em que achei uma edição portuguesa do poeta galego Ernesto Guerra da Cal. O livro tinha uma dedicatória para alguém que o não conservou, ou a quem lhe foi roubado, ou espoliado. Poesia de um galego escrita em português, editada em Portugal e dedicada à Galiza, e o meu país nem sabe nem quer saber o quanto os seus filhos a amam, seus autênticos filhos e não aqueles que a herdam para a malbaratar nos becos que Madrid destina às anomalias e às não declaradas colónias, até por essa colonização tiver começado antes de a colonização ter sido iniciada. E para além desses becos em Madrid não há nada de bom, só deserto e excrementos. Mais além há de novo gente, com certeza boa gente de novo, na ausência da cidade.

Diana, princesa de Poço Redondo

Penso por um instante em comprar o livro do Guerra, mas finalmente dá-me nos olhos uma antologia de poesia portuguesa 1940-1977. Então sim compro, decidido a beber nas fontes do Guerra e deixando este ficar na estante para algum dia voar para a mão de quem precisar descobrir o poeta de além-Minho que se converteu num dos mais reconhecidos especialistas na obra de Eça de Queirós, um galeguinho que fugiu das garras de Franco para lecionar longo tempo nos EUA. Conhecia a antologia, e gostava muito dela desde que o poeta Amadeu Baptista no-la tinha presenteado há muitos anos, e achava que não tinha sido reeditada. Apanhei-na, abri a capa e na portada vi escrito em letra manuscrita o nome de um dos autores da antologia, E. M. de Melo e Castro. Outro espólio, ou talvez o desinteresse dos descendentes de quem tanto amou a poesia.

Deduzi de tudo isto que devia ser uma obra que visa a fraternidade entre poetas, devido a toda a energia poética que contém e a tanta com que deveu ser elaborada. Em verdade, no exato momento em que a vi já sabia a quem a havia de entregar como presente. Assim foi, eu senti imediatamente que acabava de comprar um livro que não havia de permanecer muito comigo, um livro com trinta e cinco anos que ainda pretendia rumar para um outro destino e repousar ainda nas mãos de outro poeta. E não ia ser eu que lhe empecesse o caminho.

*

Para Linda, Gijsbrech e Carlos regentes do parque de campismo de Poço Redondo À burra Diana Aos cães Sexta-Feira e Sábado Aos póneis Barby, Kent e Carlotta Aos gatos Aos insetos que se deixaram salvar na piscina

Resistência? Salvação? Vontade? Patriotismo? Devemos é queimar os montes do nosso egoísmo. Existe a nação ou é só um xarope intelectual? Ouço gritar um burro todas as manhãs tão orgulhoso que semelha cantar. Um burro pagado de si gritando a pleno pulmão é uma potência natural agradável, a afirmação de uma espécie em perigo de extinção mas que ainda não esquece seu lugar no mundo. Brama o burro como um barco que volta ou retorna ao mar-maior, afirmando ele ser o mais fundo peito da serra ou da ria. Barcos galegos e burros portugueses semelham dinossauros preservados pelos erros do capitalismo. E a mim, ainda, escritor galego e poeta já pouco me falta para ser um animal mitológico que um dia alguém julgará não ter existido nunca. Aquele dia em que o barco descansará para recreio dos peixes e os burros continuarão a bradar por séculos sem conta, muito além do que possa ficar da minha memória.

Camping Redondo (Poço Redondo, Junceira), 5-7/9/2015.

{Palavra comum}

 

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