Agustín Fernández Paz, esse matriota

Fico farto de tanto patriota. De tanto agente intelectual que trabalha a pátria desde a concorrência, o estabelecimento de capelinhas, de privilégios, do pedigree sustentado em influências, na perpetuação no poder e na conivência com os chiringuitos. É uma atitude patriarcal que tolera o autoritarismo e faz sucumbir os sentimentos de irmandade, companheirismo e solidariedade (cfr. Cartas a Emilia Pardo Bazán, de Teresa Barro). É de fato o que o sistema antidemocrático espanhol precisa para subsistir sob o ténue manto da democracia. […] Ler mais

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Enfim, a contestação do Centro Pen Galicia

centro pen galiciaA tentativa de debate sobre política cultural que comecei em 27 de janeiro chega a termo. O Centro Pen Galicia, a quem inicialmente tomava como exemplo de opacidade na gestão e me servia de pretexto para denunciar a indigna situação económica e os agravos comparativos com que a Conselharia de Cultura, Educación e Ordenación Universitaria e a Secretaria Geral de Política Lingüística distribuem irrisórios e até insultantes contributos, publicou uma contestação à minha carta aberta.

Quase nada resta por dizer já, ao menos pola minha parte. O Centro Pen Galicia estima que não funciona de modo opaco e mesmo se defende de acusações que não creio ter dirigido contra ele, mas contra os diversos governos e instituições galegos: o “agravo comparativo”, que acho evidente se comparadas as atividades com as da AELG e tendo em conta que recebe esta as mesmas ajudas. Também não creio o ter acusado de “inatividade” nem de qualquer “trato de favor” que, dado o caso, teria acontecido também de parte de quem concede apoios económicos em virtude de uma tabela dada de méritos.

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Carta aberta a Luís González Tosar

centro pen galicia«Diríxome a vostede despois de ter lido os comentarios que fai sobre min nunha entrevista que lle dedica César Lorenzo Gil no blogue Biosbardia. Como observo que semella non ter entendido as miñas pretensións ou non poder evitar tirar conclusións inxustificadas, tentarei explicarlle con máis clareza algúns extremos.

En primeiro lugar, se interpreto que o seu Centro Pen Galicia semella ser unha asociación de funcionamento opaco non é unicamente polas razóns evidentes anteriormente citadas (“[…] non existe un modo claro de chegar a saber quen pertence a el, nin quen forma a súa directiva, nin cando se renova esta, nin que obxectivos ten, nin de que recursos dispón […]”), senón tamén pola información de primeira man que me facilitou un socio do Centro Pen Galicia: Xavier Alcalá. Efectivamente, el me relatou como reclamou sen éxito a lista de socios do Pen antes de que se pechase o tempo estipulado para presentar canditaturas, e como tamén pediu que lle confirmasen documentalmente os cargos das persoas que convocaban as eleccións á presidencia, e mesmo de como solicitou os estatutos do club, todo isto sen ningún éxito a día de hoxe, por moito que o teña solicitado por email primeiro e por burofax despois. Se isto non é ser opaco, señor Tosar, entón até o Monte Pindo é transparente. […] Ler mais

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A nosa cinza ou ainda a nossa brasa?

Desenho de Manel Cráneo

Continuamos a ver a progressão de Manel Cráneo e não deixamos de sentir-nos maravilhados conforme o mundo plástico inspirado pola obra de Xavier Alcalá vai nascendo. O trabalho do artista, de cujo talento já todos temos muitas referências, vai encarnando um guião que com dificuldade sintetizamos a partir de uma miríade de cenas que ressaltam pola sensibilidade humana e a olhada crítica de uma sociedade marcante no seu fundamentalismo ideológico. Uma sociedade da que, sem dúvida, esta que nós vivemos é filha ou ao menos neta. Um mundo que devemos compreender para melhorar.

«[…] Malia o seu éxito dende a súa publicación en 1980, a aparición d’A nosa cinza non foi sinxela. Demorouse no tempo por mor da censura. “A primeira versión estaba rematada en outubro de 1974. Nese momento leveilla a Galaxia. E Piñeiro díxome: “isto a censura non o deixa pasar nunca”. Deixeina estar un tempo, retomeina en 1976 e tiña que publicarse dous anos despois. Pero o proceso de edición, naquela época, tiña outros tempos. Así tardou até 1980”, lembra o propio Alcalá quen, 35 anos despois, ve como a súa obra dará o salto á novela gráfica da man de Manel Cráneo. Participa no proceso creativo, mais dende un segundo plano. “A novela é miña, pero aquí o artista será Manel Cráneo. Eu falo con el, trato algún temas, contrastamos opinións e eu limítome a corrixir algún anacronismo que poida haber no debuxo, pero o produto final, a obra será súa”, explica Alcalá, para quen Cráneo é a opción idónea para levar a cabo o proxecto. “Como ilustrador traballa dous estilos moi diferentes. O primeiro, ten un trazo caricaturesco. O segundo, móvese nun realismo moi claro. E esa vertente realista súa é a que me parece perfecta para A nosa cinza”, conclúe.

Aínda que Alcalá recoñece que a obra será de Cráneo, non deixa de ser verdade que, ao longo do proceso, non falta o traballo en equipo. E a colaboración non se limita unicamente ao tándem Alcalá-Cráneo, xa que Alfredo Ferreiro encargouse de realizar o guión literario a partir do cal o ilustrador desenvolve o traballo. “Temos correspondencia constante, falamos constantemente e comezamos, fai un tempo, realizando os tres un roteiro polos escenarios nos que transcorre a acción. Aquela experiencia inicial foi moi importante para o meu traballo”, matiza Cráneo […]». {Praza Pública}

 

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Exercícios bio-saudáveis

Exercicios biosaudaveis_AFerreiro

Fotografia de Alfredo Ferreiro (Outubro de 2014)

«Acarão da igreja românica de Breixa há um sarcófago de pedra. Pertence ao passado da aldeia como mais adiante a outras a ponte medieval da Carixa ou o pórtico do mosteiro de Carvoeiro. Foi achado numa leira que hoje alberga o campo da festa, onde os paisanos dançam, bebem, comem e cruzam na procissão portando a figura do apóstolo Santiago (outrora o santo local era Bartolomeu, de que ninguém sabe se emigrou e se maquina a vingança).

Da igreja chama a atenção o abside e os capitéis com motivos zodiacais. Mais isso acontece enquanto não tangem os sinos, que fazem com que toda a paróquia vibre como um grilo aprisionado numa gaiola de som. Do outro lado do campo da festa é o tele-clube, uma casa de convívio para as atividades dos aldeãos, um antigo prédio que hoje serve para jantarem e fazerem cursos onde outrora a gente nova olhava westerns em Technicolor. […] Ler mais

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Meninas que inspiram

«[..] Uma menina volta da praia, sob o crepúsculo, com a mãe. Chora por nada, porque queria ter continuado a brincar […]». Este trecho de Patrick Modiano, sem dúvida justificado no relato de que faz parte (Rue des Boutiques Obscures, Paris: Gallimard, 1986, p. 2491, via Confraria do vento), traz para a mesa que as crianças costumam chorar por nada cada vez que são privadas de brincar contra a sua vontade. E eu, por mais que penso, duvido se a salvaguarda dessa felicidade, se o desejo de continuar a ficar na excitação do jogo em que tempo e espaço se fundem e mesmo o latejar do nosso coração se sente uno com o dos outros, com tudo o que respira e até mesmo com a terra, o céu e o mar, é um rasgo de infantilismo que devemos quanto antes erradicar da nossa vida. Porque são momentos de comunhão com o mundo em sua múltipla variedade, momentos em que tudo funciona e mente e corpo vivem em total harmonia, por isso deveriam ser respeitados como transparentes fontes de sabedoria. A partir desta imagem inicial, é fácil lembrar todos aqueles de tempos pretéritos que desfrutavam imenso com a presença de crianças, como que ressaltando que o jeito destas enfrentarem o mundo, quer dizer com a máxima cordialidade no aqui e no agora, é um caso de conhecimento infuso ainda não apagado pela educação e a maturidade.

No mesmo sentido, quero agora descrever o caso de uma sobrinha nossa que se chama P. Sobre ela, a família habitualmente diz: “P mora no seu mundo”. E isto é porque responde agilmente e com sinceridade aquilo que nitidamente deseja, julga justo ou relaciona com a sua realidade imediata. Deste modo os adultos implicitamente reconhecemos não aceitarmos um modo de entender e relacionar-se com a realidade que não situa em primeiro termo as limitações comuns, as normas, as punições e as frustrações que habitualmente assumimos para um modo de proceder aceitável. […] Ler mais

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