Agustín Fernández Paz, esse matriota

Praia de Arteixo por Alfredo Ferreiro PraiaArteixo 2011

“Agustín Fernández Paz, esse matriota” é um artigo de Alfredo Ferreiro publicado no jornal digital Praza Pública (praza.gal). […]

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Enfim, a contestação do Centro Pen Galicia

Contestação do Centro Pen Galicia a Alfredo Ferreiro em Praza Pública. […]

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Carta aberta a Luís González Tosar

Carta aberta a Luís González Tosar. […]

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A nosa cinza ou ainda a nossa brasa?

Artigo de Alfredo Ferreiro sobre a criação da versão em banda desenhada polo artista Manel Cráneo e por ele a partir da obra “A nosa cinza” de Xavier Alcalá. […]

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Exercícios bio-saudáveis

Fotografia de Alfredo Ferreiro (Outubro de 2014)

«Acarão da igreja românica de Breixa há um sarcófago de pedra. Pertence ao passado da aldeia como mais adiante a outras a ponte medieval da Carixa ou o pórtico do mosteiro de Carvoeiro. Foi achado numa leira que hoje alberga o campo da festa, onde os paisanos dançam, bebem, comem e cruzam na procissão portando a figura do apóstolo Santiago (outrora o santo local era Bartolomeu, de que ninguém sabe se emigrou e se maquina a vingança).

Da igreja chama a atenção o abside e os capitéis com motivos zodiacais. Mais isso acontece enquanto não tangem os sinos, que fazem com que toda a paróquia vibre como um grilo aprisionado numa gaiola de som. Do outro lado do campo da festa é o tele-clube, uma casa de convívio para as atividades dos aldeãos, um antigo prédio que hoje serve para jantarem e fazerem cursos onde outrora a gente nova olhava westerns em Technicolor.

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Meninas que inspiram

«[..] Uma menina volta da praia, sob o crepúsculo, com a mãe. Chora por nada, porque queria ter continuado a brincar […]». Este trecho de Patrick Modiano, sem dúvida justificado no relato de que faz parte (Rue des Boutiques Obscures, Paris: Gallimard, 1986, p. 2491, via Confraria do vento), traz para a mesa que as crianças costumam chorar por nada cada vez que são privadas de brincar contra a sua vontade. E eu, por mais que penso, duvido se a salvaguarda dessa felicidade, se o desejo de continuar a ficar na excitação do jogo em que tempo e espaço se fundem e mesmo o latejar do nosso coração se sente uno com o dos outros, com tudo o que respira e até mesmo com a terra, o céu e o mar, é um rasgo de infantilismo que devemos quanto antes erradicar da nossa vida. Porque são momentos de comunhão com o mundo em sua múltipla variedade, momentos em que tudo funciona e mente e corpo vivem em total harmonia, por isso deveriam ser respeitados como transparentes fontes de sabedoria. A partir desta imagem inicial, é fácil lembrar todos aqueles de tempos pretéritos que desfrutavam imenso com a presença de crianças, como que ressaltando que o jeito destas enfrentarem o mundo, quer dizer com a máxima cordialidade no aqui e no agora, é um caso de conhecimento infuso ainda não apagado pela educação e a maturidade.

No mesmo sentido, quero agora descrever o caso de uma sobrinha nossa que se chama P. Sobre ela, a família habitualmente diz: “P mora no seu mundo”. E isto é porque responde agilmente e com sinceridade aquilo que nitidamente deseja, julga justo ou relaciona com a sua realidade imediata. Deste modo os adultos implicitamente reconhecemos não aceitarmos um modo de entender e relacionar-se com a realidade que não situa em primeiro termo as limitações comuns, as normas, as punições e as frustrações que habitualmente assumimos para um modo de proceder aceitável.

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Orgulho de neofalante

Sou novo falante de galego desde que decidi assumir como própria a língua que a minha mãe, que deseja sempre o melhor para mim, escolheu não me transmitir. Rejeitava ela a fala que tinha aprendido com a família, e que se vinha falando desde que a gente tem memória. Porém, não foi em rigor uma decisão apoiada na carência, mas todo o contrário, alicerçada na estrita provisão de recursos, algo profundamente humano e por isso nada estranho ao amor maternal.

Mas ela já tinha apreendido e mesmo experimentado que o futuro era possível só se a gente falava uma autêntica língua, e que aqueles falares que percebem as favas e as vacas não são ótimos para arranjar um trabalho como os que na modernidade a gente precisa. Por isso, ao tempo que me alimentava com o melhor que brotava do seu peito, também me negava, sem sabê-lo, um alimento que eu tive de apanhar entre o que a ela lhe sobrava, e que na aldeia ainda nascia com a naturalidade do que sempre brotou ali.

Amo a minha mãe, mas detesto a infinita ignorância que a Espanha (todos os seus agentes desgaleguizadores, aquém e além) têm sementado na Galiza, e que faz com que a gente, a partir do exemplo do idioma, não tenha apreço pelas autênticas tradições.

Nunca pensei que tinha adotado o galego face ao meu castelhano inicial por uma atitude antissistema. Acho melhor que foi uma coerência, provavelmente inoculada por via artístico-intelectual, que me levou a sentir como próprio aquilo que rebordava sem trégua sob o leve manto de espanholidade que respiraba à minha volta. É sem dúvida uma questão de sensibilidade, e não só para ser alvo de aquilo que nos marca senão mesmo para ser penetrado por uma realidade que de algum modo se pressente, e que, de um modo íntimo e prévio a todo raciocínio, precisamos absorver.

[Praza Pública, 1/10/2014]

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O desafio cultural do presente

1916-1950. Xeración Nós: o raio transparente

A Geração Nós assumiu como própria a tarefa de demonstrar que a cultura galega existia no conjunto do património mundial, e para isso foi entre os próprios galegos que houvo de fazer seu principal lavor de divulgação, pois ao povo não só lhe fora ocultado o seu tesouro nacional senão que permanecia empecido para perceber sua maravilhosa singularidade a causa da ação colonizadora que Espanha desenvolve na sua construção nacional.

Mercê a este esforço nos âmbitos académico, editorial, historiográfico, artístico, arqueológico, industrial, etc, encetado mormente pola Geração Nós, é que foi possível na Transição Espanhola a criação de diversas instituições culturais e políticas que agem com certa normalidade desde hai dúzias de anos, e que dotam a nossa realidade sociocultural de um quadro referencial imprescindível: associações culturais e profissionais, ensino em galego, instituições culturais específicas, rádio e televisão em galego, etc.

Mas a situação hoje está a mudar. As políticas culturais oficiais tentam abertamente assolagar a renascença cultural da Transição democrática mediante a estratégia de eludir os apoios ao mundo cultural sob o pretexto da falência de orçamentos gerais básicos. Neste contexto, com um povo ainda pouco consciente da necessidade de alimentar um quadro referencial próprio e com uma capacidade adquisitiva constantemente à míngua, os produtos culturais galegos têm no mercado interno uma demanda decrescente.

É por isto que a projeção internacional (Espanha, América, Europa, África…) se torna no presente uma estratégia que pode fazer a cultura galega sobreviver.

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Espanholidade

«O que me anima ainda a escrever [em ocasiões o galego] em normativa institucional, quer dizer com grafia espanhola, é o fato de existir um bom número de pessoas que a reconhecem não só como galega mas como intimamente sua, desde que ligada ao seu próprio jeito de galeguizarem o mundo. É essa passiva espanholidade, mais comum e profunda do que somos capazes de reconhecer, que me merece um grande respeito, até porque eu mesmo não me dou desembaraçado dela e talvez nunca consiga. O fato de vivermos referencialmente em Espanha antes do que na Galiza, como diariamente experimentamos os galegos, deve ter muito a ver com isto.»

{Praza Pública, 26/05/2014 }

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