Revista DiVersos ~ Poesia e tradução nº 25
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Lusofonia, Poesia, Vídeos

Apresentação da revista DiVersos no Porto, em Santiago e na Corunha

Nesta semana, na quarta 22 de março em Santiago (20:00 hs. na livraria Chan da Pólvora) e na quinta 23 na Corunha (no café-livraria Linda Rama), a revista DiVersos – Poesia e tradução será apresentada na Galiza. São já 20 anos desde a sua fundação (1996-2016) e mais de 300 nomes da poesia que foram aqui publicados, em língua original ou traduzidos. Contaremos nos dous eventos com a presença do seu editor, o amigo José Carlos Marques, da Edições Sempre-Em-Pé, assim como com a do escritor e professor Carlos Quiroga em Santiago e o poeta Ramiro Torres na Corunha. O nosso propósito será, para além de apresentarmos uma revista de que tanto gostamos e na que nos orgulhamos em participar, tentarmos estabelecer as bases para uma colaboração permanente entre galegos e portugueses.

O vídeo oferecido cá responde ao evento que celebramos no Porto no passado 3 de março. Animamos @s amantes da poesia a acudir aos encontros previstos para esta semana na Galiza.

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Alfredo Ferreiro, Colaborações:

Maria Dovigo: “Só quem cria é que vê longe”

«[…] Toda essa comunidade cultural que vai da Galiza à Irlanda e mais além, que não passa pelo centro de um império, é invisível e impossível para muitos. Ao fazer a interpretação histórica de Espanha, é lugar comum nunca completamente contestado que a Espanha seria impensável sem o culto jacobeu. Américo Castro até dizia a meados do século XX que sem a referência de Santiago, a Espanha seria uma continuação do norte de África. Mas quer ele quer Claudio Sánchez-Albornoz, os que mais refletiram sobre o fenómeno jacobeu no século XX como estruturante da Espanha cristã, mostram a sua perplexidade porque um fenómeno cultural e político de tal dimensão tivesse assento na Galiza, que “no tuvo significación perceptible bajo los romanos ni en época visigoda”, como diz Américo Castro. Para alguns, e vem sendo a narrativa dominante, não há outra possibilidade cultural se não a que se transmite de império para império, literária e institucionalizada, como se os humanos não fossem sempre mais criativos e inovadores lá onde os centros imperiais não têm domínio, como nas ilhas gregas onde nasceu o pensamento científico e a especulação filosófica. Ou como se não fosse cultura aquela que vai na palavra viva e não escrita que recebemos como o pão na casa familiar. Nunca compreenderão porquê são uns imperialistas fracassados, porque deles só é o braço que executa e a espada que corta e nossa é a cultura que se vai filtrando sem que eles consigam fugir a ela, a cultura da que precisam viver como homens simples entre o mar e o céu. Porque matar é o contrário de dar vida e só quem cria é que vê longe […]».

Gostei imenso deste artigo de Maria Dovigo publicado no Portal Galego da Língua. Porém, a proeminência medieval galega no religioso e no cultural sim deveu ter correspondência no terreno político e no económico, mas a historiografia espanhola oculta ou não quer ver esta realidade. Continue reading

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feria del libro de buenos aires 2016 2
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Jornalismo, Sistema literário

Sobre a Feira do Livro de Buenos Aires

Feira do Libro de Buenos Aires 2016 autoresLá vão as nossas escritoras e escritores para a Feira e quase ninguém sabe o que pretendemos vender. E isto não é pola sua falta de criatividade, do seu imenso voluntarismo ou de um inviolável compromisso com a língua do país. É devido ao incerto interesse dos nossos responsáveis políticos por aproveitar isso que se está a converter numa vácua litania: a FILBA (21 de abril a 9 de maio) é uma ocasião única para visibilizar a nossa cultura!

Ninguém deve duvidar de que a nossa literatura, neste mercado global que agora tudo governa, tem de internacionalizar-se, e começar por Madrid ou Buenos Aires poderá de ser uma opção incontestável. Também sabemos que a organização da Feira está a dedicar os seus melhores profissionais (alguns deles de ascendência galega) na divulgação dos nossos produtos. Mas se a vontade do nosso governo fosse real, esse de trabalharem sinceramente pola divulgação do produto cultural, certas cousas não se teriam ouvido como nós tivemos ocasião de ouvir. Ora, nós não desejamos divulgar rumores nem arriscar-nos a ser injustos argumentando sem fundamento, e cingir-nos-emos àquilo que os responsáveis implicados, tanto políticos quanto diversamente institucionais, deveriam ter feito explícito:

1) Em que sentido é necessária a internacionalização da literatura e em geral a cultura no contexto do mercado atual?

2) Como repercutirá essa hipotética internacionalização na imagem do país? É possível e mesmo necessário trabalharmos por uma hipotética «marca Galiza» ou nos conformaremos sempre com ser um irrelevante e incompreendido sector do mercado espanhol?

3) Por que esse número de pessoas foi convidada com o dinheiro de tod@s e qual foi o critério para as escolher?

4) Por que esse número de livros foi enviado à Argentina e quais são os ganhos que se pretendem tirar? São suficientes 15 ou 40 exemplares de alguns títulos por editorial para surpreender a maré de leitores da feira com mais vendas da América Latina?

5) Que vendas de direitos —de compras não falamos— se estimam fazer?

6) Como se preparou o terreno e quanto se investiu em divulgar os produtos culturais nos meios argentinos?

7) Já que poucos livros se poderão mandar à feira, quanto se investiu em abrir canais para a venda de livros eletrónicos, um mercado que não deixa de medrar à par da queda permanente dos livros em papel?

8) Quando será apresentada uma valorização realista do esforço realizado? Serão as próprias autoras e autores a quem injustamente reclamaremos o trabalho de intendência e estratégia que os responsáveis da política cultural deviam aprimorar?

Lembro como na época do governo bipartido as vozes da oposição acusaram as nossas criadoras de tomarem uns simples mojitos, enquanto sobre o mesmo céu cubano anos antes enviados de governos anteriores tiravam do bolso da camisa um grosso feixe de bilhetes ao tempo que lhe diziam ao encarregado do Tropicana: “Y que luego esas señoritas se vengan a sentar con nosotros, haga el favor”. Não amigos, não vi nestes dias previsão, nem estratégia, nem quaisquer objetivos claros para lograrmos que os dinheiros investidos podam repercutir positivamente no país, tanto na sua cultura quanto na sua indústria cultural. E isto só indica mais do mesmo: enquanto não se desterrar a opacidade dos investimentos públicos, enquanto não se declarar quanto e para que se vai gastar, enquanto não se operar com um critério técni co e económico clarificado qualquer projeto que nascer dos nossos governos semelhará um chiringuito e, em consequência, os convidados a participar uns enchufados.

E se digo isto é porque acredito, como tantas vezes tenho defendido, no talento dos meus colegas. Por isso me parece tão injusto que a evidente incompetência de muita classe política turve a indiscutível dignidade da nossa cultura, tanto a mais antiga e tradicional conservada polo povo quanto a que com imenso esforço @s noss@s artistas continuam a parir cada dia. Logo os inimigos da cultura dirão que fôrom dinheiros deitados no lixo, e este lixo nos sujará a tod@s.

{Sermos Galiza}

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