A razão do perverso, de Mário J. Herrero Valeiro
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Poesia, Tati Mancebo, Vídeos

Apresentação d’ A razão do perverso, de Mário J. Herrero

«Esté é o vídeo da apresentação do livro do Mário J. Herrero Valeiro A razão do perverso (Ajuste de contas) (Caldeirón, 2016), que venceu no X Prémio de Poesia Erótica Ilhas Sisargas. Com gravação de Táti Mancebo e edição de Alfredo Ferreiro. A seguir, publicamos o texto lido pelo Mário na apresentação da Crunha em 21 de abril de 2017 no coworking Eléctrica, com a presença do autor, do editor Paco de Tano e do poeta Alfredo Ferreiro

{Palavra Comum}

Share
Standard
Leonard Cohen fotografia: Excerto da página oficial www.leonardcohen.com
Colaborações:, Música, Poesia, Tati Mancebo

So long, Leonard

Tudo começa com a necessidade

Eu necessitei-te para escrever poesia, para cantar, para pensar, para sentir, para compreender que a verdade pode usar roupas singelas.

Escrevi esta canção há aproximadamente um mês. Registei a melodia diretamente, sem pensar; a letra também saiu só. Queria que soasse a ti e utilizar fragmentos das tuas canções para devolver-che algo de tudo o que me deras ao longo dos 32 anos que há que te conheço.

Gravei esta humilde versão com o telemóvel para começar a trabalhá-la com o amigo Tito Calviño e Nacho Pedrosa, o meu professor de percussão, com a ideia de convidar mais amigas músicas e mandar-cha logo. Com a tua morte o projeto já não faz sentido para mim. Mas a canção existe e para mim serviu.

Quando soube que morreras pensei que tinhas sido um homem afortunado a quem, com certeza, a vida oferecera oportunidades de viver em paz. Nesse momento comecei a receber mensagens de amigas que se lembraram de mim ao conhecer a notícia e emocionei-me muito.

A paz seja contigo, Leonard Cohen. A mim já me ajudaste a senti-la um pouco mais próxima.

Letra, música, guitarra e vozes: Táti Mancebo.

*

NOT SO HARD

It’s been so many years since I heard your song begin
It’s been so many maps that I sailed since in the dark
There were heroes in the seaweed across the days we’d save for life
There are chocolates in the boxes for our sisters in the night
There’ll be voices with the naked when we choose the precious few
My future will be your present, I am only passing through.

It’s been an easy trip as I felt you were with me
It’s been like running hard when your voice would fall apart
There were heroes in the seaweed across the days we’d save for life
There are chocolates in the boxes for our sisters in the night
There’ll be voices with the naked when we choose the precious few
Steer your way, get ready, wear a raincoat, dress in blue.

You know my fingerprints left no traces on your skin
I feel they’re growing fast when your song is good enough
There were heroes in the seaweed across the days we’d save for life
There are chocolates in the boxes for our sisters in the night
There’ll be no one, there’ll be nothing, there’ll be never any good
Now I know that I’m returning, I’m just coming back to you.

*

Tradução: NÃO TÃO DURO

Há tantos anos que escutei começar a tua canção
Há tantos mapas que comecei a navegar na escuridão
Havia heróis nas algas, através dos dias que gostaríamos de guardar para toda a vida
Há bombons nas caixas para as nossas irmãs na noite
Haverá vozes com as despidas quando escolhermos as mais valiosas
O meu futuro será o teu presente, eu simplesmente estou de passagem

Foi uma suave viagem desde que te senti comigo
Foi como correr a mil quando a tua voz desapareceu
Havia heróis nas algas, através dos dias que guardaríamos para toda a vida
Há bombons nas caixas para as nossas irmãs na noite
Haverá vozes com as despidas quando escolhermos as mais valiosas
Anda o teu caminho, prepara-te, leva gabardina, viste de azul

Sabes que as minhas pegadas não deixaram rasto sobre a tua pele
Sinto que medram rápido quando a tua canção é boa
Havia heróis nas algas, através dos dias que gostaríamos de guardar para toda a vida
Há bombons nas caixas para as nossas irmãs na noite
Não haverá ninguém, não haverá nada, nunca nada bom
Agora sei que estou a voltar, estou a voltar a ti.

Fotografia: Excerto da página oficial.

{Palavra comum}

Share
Standard
Frances Tati Abo e Xavier por Alfredo Ferreiro
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, História

«O ansiado retorno de Luís Vaz de Torres»

Grial revista de galega de cultura 210No último número da Grial – Revista Galega de Cultura – 2010 (cfr. índice em PDF) tive a honra de publicar um artigo (“O ansiado retorno de Luís Vaz de Torres”) sobre a minha descoberta pessoal em volta de mais um dos factos históricos que permanecem ocultos na História da Galiza a causa do manto obscurantista da historiografia espanhola, quando não da portuguesa. Trata-se do périplo de Luís Vaz de Torres, um marinho que possivelmente tenha descoberto a Austrália e que a cineasta dos antípodas Frances Calvert nos quer ressaltar com o projeto de fazer um documentário para assombrar o mundo. Como nós não podíamos deixar de atender a proposta, eis o relato do encontro em Ferrol em 2015:

«Para algúns de nós nada pode haber mais interesante que atopar un novo episodio da Historia do país que, como acontece en tantas ocasións, permanece esquecido ou insuficientemente atendido polo sempre excesivo centralismo da academia española, consecuencia da habitual política cultural do Estado. Hai ocasións, demasiadas creo eu, en que, ao cuestionarme o discurso oficial da historiografía española que transcende a escolas e institutos, teño pensado: “Castela naceu das premeditadas ruínas da Galiza”. É triste que para que un país naza sexa necesario arruinar o pasado de outro e até impedir que respire. E o feito por veces é tan evidente que, se ben o profesor Claudio Sánchez Albornoz cualificou España de “enigma histórico”, ben poderíamos dicir que a Galiza constitúe, polo seu aínda oculto pasado, o auténtico enigma de España. Continue reading

Share
Standard
Foto: Táti Mancebo, Inês Sampaio e José Pinto em Arteijo (Galiza), por Alfredo Ferreiro.
Alfredo Ferreiro, Bestiário cultural, Colaborações:, Fotografia

Magia à beira do oceano

 Muitas vezes minha filha me tem perguntado se acredito em fadas, ou na magia, o que vem dar na mesma, e sempre lhe tenho dito que sim, como agora mesmo acredito, embora em certos contextos limite a minha asseveração ou eluda uma resposta direta por medo à incompreensão de um público pouco propenso ao poético. Para mim o poético é mais abrangente que o racional, inclui este e o transcende vinculando o mensurável aos inúmeros mistérios da vida, e aí tento ter sempre presente o legado surrealista assim como as mais antigas tradições. O verdadeiro conhecimento consiste em descobrir essas ligações, e a atitude mais sábia intuirmos a sua existência.

 A foto que hoje ofereço não representa para mim tão só um instante, mas um sentimento globalizante que parte de mim e abrange a terra e o mar, as pessoas com seus limites e potências, a vida como uma conta que não deixa de somar e da que convém lembrarmos os resultados mais positivos. Foi mercê ao projeto Cultura que Une que conhecemos a Táti Mancebo e eu a Inês Sampaio (música e poeta) e o José Pinto (poeta e performer) em Vila Real, que logo veio juntar-nos de novo em Ponte-Vedra em volta de mais um recital. A continuação partilhámos novas experiências juntos em Coristanco (recital musical improvisado na casa do Júlio e a Sónia, degustação do polvo à feira pescado e cozinhado pelo poeta Xosé Iglesias…).

A compreensão mútua foi tanta, a harmonia na perceção poética tão grande que a magia não podia senão fazer-se presente quando acudimos à Praia de Repibelo. Nesta foto podeis ver como perante a Táti a Inês está a acarinhar a energia poética do Atlântico norte e o José consegue mesmo apresar uma porção da força criadora do oceano.  Hoje o José Pinto está em Cabo Verde e a Inês Pedrosa em Amarante, ambos os dois, se calhar, como nós, alimentando a inspiração com os tesouros que apanhámos juntos durante o verão.

Foto: Táti Mancebo, Inês Sampaio e José Pinto em Arteijo (Galiza), por Alfredo Ferreiro.

{Palavra Comum}

Share
Standard
Atmosferas: diálogos poético-musicais
Alfredo Ferreiro, Breves, Colaborações:, Música, Poesia

Atmosferas: diálogos poético-musicais

«A música de Aida Saco Beiroa interaccionará directamente, ao vivo, coas obras poéticas de Sonia Andrade, Pedro Casteleiro, François Davo, María José Fernández, Alfredo Ferreiro, Xosé Iglesias, Antom Laia, Tati Mancebo, Luís Mazás, Teresa Ramiro, Paco Souto e Ramiro Torres».

Share
Standard
Alfredo Ferreiro, Colaborações:, Críticas e referências, Poesia, Tati Mancebo

Mundo maquinábel, de Táti Mancebo

Mundo maquinábel, de Táti ManceboMundo maquinábel oferece petiscos da vida comum à luz de uma perspectiva mágica e misteriosa, de modo a revelar-nos nos pequenos fatos da existência o sentido oculto da vida, a autêntica, substanciosa e profunda que corre sob a superfície do quotidiano.

O mundo torna-se «maquinábel» porque aquelas energias tão simples ou vulgares podem ser entendidas como manifestação de uma poderosa máquina que, por ação e inação de alavancas e processos ocultos, produz as realidades que percebemos como nosso destino. Assim, tudo o que existe se comporta como o que é devido ao misterioso funcionamento da grande máquina universal que dá lugar ao mundo. É uma perspetiva de partida mais mecanicista do que espiritual, e porém esotérica à vez que materialista.

Tati ManceboEntre as experiências fundamentais da vida figuram percepções básicas como o «frio» (“O frio é o que primeiro se esquece”; “E aínda me pergunto quanto frío son capaz de atesourar”), o «percurso vital» (“Atravesamos unha ponte que desaparece ao noso paso”), a «incerteza perene» (“Cheiráballe tanto a súa confusión”; “Unha dúbida marca o movemento”) e a “experiência do outro” (“Ti devólvesme o eu multiplicado”). Continue reading

Share
Standard